Procedimento cirúrgico

Cirurgia da Sinusite Crônica

Também conhecida como FESS, essa cirurgia serve para o tratamento da sinusite crônica, através da ampliação das vias naturais de drenagem dos seios da face. É realizada por dentro do nariz, sem corte externo.

FESS é a sigla, em inglês, de Functional Endoscopic Sinus Surgery, que em português é cirurgia endoscópica funcional dos seios da face. É a cirurgia usada no tratamento da sinusite crônica, cujo nome técnico é rinossinusite crônica (CRS). Ela é realizada inteiramente por dentro do nariz, com endoscópio, sem cortes na pele, e o que ela faz é ampliar as aberturas naturais por onde os seios da face drenam, retirando o que bloqueia essa passagem.

Nesta página vamos explicar como a cirurgia é feita e seus detalhes. Se você quer entender como funciona o quadro e quando a cirurgia está indicada, pode acessar a página de sinusite crônica.

O que “funcional” quer dizer no nome da cirurgia

Essa é a palavra que representa a grande mudança de entendimento no funcionamento do nariz, e define o que vamos fazer nessa técnica.

A cirurgia clássica dos seios da face retirava mucosa e osso em bloco. A cirurgia funcional inverteu a lógica: em vez de remover tecido saudável em bloco, a ideia principal é restaurar o funcionamento mais próximo do natural, abrindo as passagens naturais por onde cada seio já drena e preservando ao máximo a mucosa, que é o revestimento encarregado de empurrar o muco para fora (ref. 1).

Fazendo uma comparação simples, é a diferença entre destravar a janela que emperrou e ter que derrubar a parede em volta dela.

Como a cirurgia é feita

O acesso é realizado pelas narinas, com um endoscópio, que é uma câmera fina, que entra pelo nariz e mostra numa tela de vídeo áreas que não se enxergam de fora. Os instrumentos entram pela mesma via e, como dissemos, não há incisão na pele nem no rosto.

Durante a cirurgia abrimos as vias de drenagem dos seios acometidos e retiramos as estruturas que estão obstruindo a drenagem, seja tecido inflamado, osso ou mesmo um pólipo, preservando a mucosa saudável em volta (ref. 1).

A cirurgia não é a mesma para todo mundo. A extensão da cirurgia, quais seios serão operados e o quanto será aberto dependem de quais estão acometidos e do perfil anatômico daquele nariz, informações obtidas antes pela tomografia dos seios da face e pela nasofibroscopia.

Quando há desvio de septo, corrigimos o septo no mesmo tempo cirúrgico, porque abrir os seios e deixar o nariz obstruído resolve metade do problema. Além disso, dependendo do desvio, ele pode atrapalhar a realização da cirurgia se não for corrigido. A cirurgia dos cornetos também pode entrar no mesmo tempo cirúrgico quando há indicação.

Operamos sempre sob anestesia geral, e a cirurgia leva de 1 a 2 horas, dependendo de quantos seios precisam ser abertos e das alterações encontradas no nariz do paciente.

O que acontece depois da cirurgia

Além das dúvidas sobre a cirurgia, muita gente quer saber o que acontece na semana seguinte a ela.

Os primeiros dias

Na maioria das vezes a alta é no mesmo dia. Não usamos tampão nem splint nasal: no lugar deles usamos uma técnica de pontos transfixantes que faz o papel do splint, e assim não fica dispositivo nenhum para retirar depois. Orientamos 1 semana de afastamento do trabalho e 15 dias sem atividade física.

Lavagem nasal de alto volume

É diferente da lavagem do dia a dia, porque precisa alcançar as cavidades que foram abertas na cirurgia. Começa no 7º dia depois da cirurgia e segue por cerca de 60 dias. Conforme o caso, a lavagem pode levar bicarbonato, xilitol ou corticoide.

Os retornos e a endoscopia de controle

O primeiro retorno é entre o 5º e o 7º dia depois da cirurgia, e daí em diante os retornos são a cada 3 semanas, por cerca de 3 meses. A depender de cada caso, realizamos a endoscopia nasal nas consultas de pós-operatório, para avaliar como a cicatrização está indo. Realizamos nas três unidades.

Quais são as limitações da cirurgia?

É importante saber que a cirurgia tem algumas limitações, e quais são elas:

  • Não cura a inflamação. A doença inflamatória de base não é curada na cirurgia. O tratamento, como o da alergia e o da polipose, por exemplo, deve continuar no pós-operatório (ref. 1).
  • Não impede que o pólipo volte. Na polipose nasal, a recidiva depois da cirurgia é algo que pode acontecer (ref. 1). Não significa que algo deu errado: cerca de 1 em cada 5 pacientes operados por pólipo precisa de nova cirurgia ao longo dos anos (ref. 2), e é por isso que o acompanhamento não termina no dia da cirurgia.

Riscos da cirurgia

Como toda cirurgia, a FESS tem riscos, que são explicados na consulta, antes de você decidir. Entre eles, os mais comuns são o sangramento e a obstrução nasal.

Onde eu opero

Opero no Hospital Israelita Albert Einstein, no Vila Nova Star e no São Luiz. A consulta e a endoscopia nasal são realizadas nas três unidades: Morumbi, Itaim Bibi e Alphaville.

Referências

1. Fokkens WJ, Lund VJ, Hopkins C, et al. European Position Paper on Rhinosinusitis and Nasal Polyps 2020 (EPOS 2020). Rhinology. 2020;58(Suppl 29):1-464. 2. Loftus CA, Soler ZM, Koochakzadeh S, et al. Revision surgery rates in chronic rhinosinusitis with nasal polyps: meta-analysis of risk factors. Int Forum Allergy Rhinol. 2020;10(2):199-207. doi:10.1002/alr.22487

Perguntas frequentes sobre a FESS

O que significa a sigla FESS?

FESS é a sigla, em inglês, de Functional Endoscopic Sinus Surgery. Em português, cirurgia endoscópica funcional dos seios da face: uma cirurgia minimamente invasiva, feita por dentro do nariz com endoscópio e sem cortes externos, para restabelecer a drenagem natural dos seios.

O que quer dizer “funcional” no nome da cirurgia?

Quer dizer que a cirurgia devolve o funcionamento em vez de remover tecido saudável em bloco, que era o que a cirurgia antiga fazia. Ela abre as passagens naturais por onde cada seio já drena e preserva ao máximo a mucosa, que é o revestimento que empurra o muco para fora.

A FESS deixa cicatriz no rosto?

Não. A cirurgia é feita inteiramente pelas narinas, com o endoscópio e os instrumentos passando por dentro do nariz.

Que anestesia é usada, e quanto tempo dura a cirurgia?

A anestesia é sempre geral. A cirurgia leva de 1 a 2 horas, e a duração depende de quantos seios precisam ser abertos e do que se encontra por dentro.

Vou ficar com tampão no nariz?

Não usamos tampão nem splint nasal. No lugar deles usamos uma técnica de pontos transfixantes que faz o papel do splint, e assim não fica dispositivo nenhum para retirar depois.

Como são os primeiros dias depois da cirurgia?

Na maioria das vezes a alta é no mesmo dia. Orientamos 1 semana de afastamento do trabalho e 15 dias sem atividade física. A lavagem nasal começa no 7º dia e o primeiro retorno é entre o 5º e o 7º dia.

O pólipo pode voltar depois da cirurgia?

Pode, e na polipose é assim (ref. 1). Cerca de 1 em cada 5 pacientes operados por pólipo precisa de nova cirurgia ao longo dos anos (ref. 2), e é por isso que o acompanhamento faz parte do plano.

Veja também

Dr. José Eduardo Marcondes, médico otorrinolaringologista (CRM-SP 107.711 | RQE 43.840). Este conteúdo é informativo, não substitui a consulta médica e não dispensa a conduta definida pelo seu médico.

Se a FESS foi indicada para você.

O diagnóstico é individual. Agende sua consulta e descubra o que se aplica ao seu caso.

Dr. José
Eduardo
Marcondes

Médico Otorrinolaringologista
CRM-SP 107.711 · RQE 43.840

Este conteúdo não substitui a consulta médica.

Locais de atendimento

  • Itaim Bibi
    Av. Brigadeiro Faria Lima, 3900 – 7º andar – Itaim Bibi, São Paulo – SP, 04538-132
  • Morumbi
    Rua José Jannarelli, 358 – Vila Progredior, São Paulo – SP, 05615-000
  • Alphaville
    Alameda Grajaú, 98 – CJ 1401 – Alphaville, Barueri – SP, 06454-050
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