Cirurgia de Polipectomia

O que são pólipos nasais? Como é feito o tratamento?

A polipectomia é um procedimento cirúrgico minimamente invasivo para pacientes que sofrem com pólipos nasais. Quando os tratamentos medicamentosos não conseguem controlar adequadamente os sintomas, a cirurgia é uma alternativa segura e eficaz para restaurar a respiração nasal e melhorar a qualidade de vida.

O que são pólipos nasais

Os pólipos nasais são formações benignas e macias que crescem no revestimento (mucosa) do nariz e dos seios da face. Não são câncer nem tumor: são consequência de uma inflamação crônica da mucosa, condição chamada rinossinusite crônica com pólipos nasais. Assemelham-se a pequenas gotas ou uvas e, quando crescem, podem obstruir o nariz e prejudicar o olfato.

A polipose nasal está frequentemente associada a rinite alérgica, sinusite crônica, asma e intolerância à aspirina. Os sintomas mais comuns incluem congestão nasal persistente, diminuição ou perda do olfato e do paladar, sensação de peso na face, secreções nasais frequentes e dificuldade para respirar pelo nariz.

Os pólipos nasais atingem cerca de 1% a 4% da população e ficam mais comuns com a idade. A ligação com a asma e com a intolerância a anti-inflamatórios (aspirina e AINEs) é importante: a associação dos três é conhecida como tríade de Samter. Quem tem esse quadro costuma ter pólipos mais graves, perda de olfato mais acentuada e maior chance de recidiva, e por isso merece acompanhamento mais próximo.

O tratamento começa pela medicação

O tratamento começa com medicação: corticoide em spray nasal de uso contínuo e lavagem nasal com soro fisiológico, e, nas crises, cursos curtos de corticoide por via oral. A cirurgia é indicada quando os sintomas persistem apesar do tratamento clínico bem feito. Mesmo depois de operar, o spray nasal é mantido, para preservar o resultado e reduzir a chance de os pólipos voltarem.

Indicações para a cirurgia

A polipectomia é indicada quando o tratamento clínico com corticosteroides tópicos ou sistêmicos não consegue proporcionar alívio adequado dos sintomas. As principais situações que justificam o procedimento cirúrgico incluem:

  • Obstrução nasal grave que compromete significativamente a respiração
  • Perda substancial do olfato e do paladar
  • Infecções respiratórias recorrentes
  • Pólipos que não respondem ao tratamento medicamentoso
  • Associação com asma grave ou sinusite crônica refratária
  • Comprometimento da qualidade de vida do paciente

O diagnóstico preciso é realizado através de exame clínico detalhado, endoscopia nasal e exames de imagem como a tomografia computadorizada dos seios paranasais, permitindo uma avaliação completa da extensão dos pólipos e o planejamento cirúrgico adequado.

Como funciona a cirurgia

A polipectomia é realizada através de técnica endoscópica, um procedimento minimamente invasivo que utiliza um endoscópio nasal para visualização direta das estruturas internas. O procedimento é conduzido sob anestesia geral e tem duração aproximada de 60 minutos a 2 horas, dependendo da complexidade do caso.

Durante a cirurgia, o cirurgião utiliza um microdebridador, instrumento de alta precisão com uma ponta giratória capaz de cortar e aspirar simultaneamente o tecido do pólipo. Essa tecnologia permite a remoção precisa dos pólipos com sangramento mínimo e maior controle sobre as estruturas removidas.

O procedimento não requer cortes externos, sendo realizado inteiramente através das narinas, o que elimina cicatrizes visíveis. Além da remoção dos pólipos, frequentemente são realizados procedimentos complementares para restituir a anatomia normal do nariz, como correção do septo, dos cornetos e a abertura dos seios paranasais.

Vantagens e benefícios

A polipectomia oferece vantagens que impactam diretamente na qualidade de vida dos pacientes:

  • Melhora respiratória significativa: a remoção dos pólipos restaura o fluxo de ar nasal, proporcionando alívio da obstrução. Estudos que reúnem milhares de pacientes mostram melhora expressiva na qualidade de vida: a pontuação do questionário SNOT-22 cai, em média, cerca de 23 pontos após a cirurgia endoscópica, bem acima do que se considera clinicamente relevante.
  • Recuperação do olfato: muitos pacientes experimentam recuperação substancial ou completa do olfato, que frequentemente está comprometido pela presença dos pólipos. É um dos ganhos mais valorizados pelos pacientes.
  • Redução de infecções: a cirurgia diminui as crises de sinusite e infecções respiratórias recorrentes, reduzindo a necessidade de antibióticos e corticoides sistêmicos.
  • Melhora na qualidade do sono: com a desobstrução das vias aéreas, os pacientes frequentemente relatam melhora do sono e redução do ronco.
  • Procedimento seguro e minimamente invasivo: a técnica endoscópica moderna oferece maior precisão, menor trauma e recuperação mais rápida. O risco de complicações é baixo, e a maioria dos pacientes pode retornar para casa no mesmo dia.

E os medicamentos biológicos?

Nos últimos anos surgiram os medicamentos biológicos (imunobiológicos), como o dupilumabe, o omalizumabe e o mepolizumabe, indicados para casos graves de polipose que não respondem bem ao tratamento habitual. Eles agem sobre a inflamação que causa os pólipos, reduzindo o tamanho deles, melhorando o olfato e a qualidade de vida e diminuindo a necessidade de novas cirurgias. Em grandes estudos com o dupilumabe, a proporção de pacientes que precisaram de cirurgia caiu de forma expressiva. A indicação é individualizada, feita pelo otorrinolaringologista.

Recuperação e cuidados pós-operatórios

A recuperação da polipectomia costuma ser rápida e tranquila. Nos primeiros dias após a cirurgia, é normal sentir algum inchaço e sensibilidade no nariz, além de congestão temporária devido ao processo de cicatrização.

A cirurgia é feita por dentro do nariz, sem cortes externos e sem curativos no rosto. Muitas vezes não é preciso usar tampão nasal; quando usado, prefere-se material que se dissolve sozinho e não precisa ser retirado, o que deixa o pós-operatório mais confortável. Os cuidados essenciais incluem manter a cabeça elevada no repouso, fazer as lavagens nasais conforme orientação e evitar esforços físicos que possam causar sangramento.

A maioria dos pacientes retorna às atividades normais entre 5 e 7 dias, e as consultas de acompanhamento servem para limpeza e avaliação da cicatrização. O acompanhamento médico regular é fundamental para monitorar a recuperação e prevenir recidivas, e o uso continuado das medicações tópicas e das lavagens nasais ajuda a manter os resultados.

A cirurgia é muito eficaz para desobstruir o nariz e devolver o olfato, mas a polipose é uma doença crônica que pode voltar. Estudos mostram que cerca de 1 em cada 5 pacientes precisa de nova cirurgia ao longo dos anos, e esse risco é maior em quem tem asma ou intolerância a anti-inflamatórios. Por isso o tratamento não termina na cirurgia: o acompanhamento e o uso contínuo da medicação nasal são parte essencial do controle.

No consultório do Dr. José Eduardo Marcondes, médico otorrinolaringologista (CRM SP 107711 | RQE 43840), você encontra avaliação criteriosa e um tratamento individualizado da polipose nasal, do controle clínico às opções cirúrgicas e aos biológicos quando necessários. Agende sua consulta em São Paulo (Faria Lima e Morumbi) ou em Alphaville.

Referências

1. Fokkens WJ, et al. European Position Paper on Rhinosinusitis and Nasal Polyps 2020 (EPOS 2020). Rhinology. 2020.
2. Bachert C, et al. Dupilumab in patients with severe chronic rhinosinusitis with nasal polyps (SINUS-24 and SINUS-52). The Lancet. 2019.
3. Chen FH, et al. Meta-analysis of SNOT-22 outcomes after endoscopic sinus surgery. Otolaryngology-Head and Neck Surgery. 2018.
4. Loftus CA, et al. Revision surgery rates in chronic rhinosinusitis with nasal polyps: systematic review and meta-analysis. International Forum of Allergy and Rhinology. 2020.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.

Pólipos nasais, imagem real e ilustração

Perguntas frequentes sobre Polipectomia

O que são pólipos nasais?

Os pólipos nasais são formações benignas que se desenvolvem na mucosa do nariz e dos seios da face, geralmente como consequência de inflamação crônica. Não são tumores nem câncer, mas podem crescer e causar obstrução nasal, perda do olfato e piora importante da qualidade de vida.

Pólipo nasal é câncer?

Não. Os pólipos nasais são formações benignas causadas por inflamação crônica da mucosa, não são tumores nem câncer. Ainda assim, quando crescem, atrapalham a respiração e o olfato e merecem tratamento.

Quando a cirurgia de polipectomia é indicada?

A polipectomia pode ser indicada quando o tratamento clínico não proporciona controle satisfatório dos sintomas. Em geral, isso acontece em casos de obstrução nasal importante, perda do olfato, sinusites de repetição, pólipos volumosos ou doença persistente apesar do uso adequado de medicações.

Como é feita a cirurgia de polipectomia?

A cirurgia costuma ser realizada por via endoscópica, através das narinas e sem cortes externos. O procedimento é feito com instrumentos delicados que permitem remover os pólipos e tratar as áreas inflamadas com precisão, sempre com o objetivo de melhorar a ventilação e a drenagem nasal.

A polipectomia ajuda a recuperar o olfato?

Em muitos pacientes, a cirurgia pode proporcionar melhora importante do olfato, especialmente quando os pólipos estavam bloqueando a passagem do ar e mantendo inflamação intensa no nariz. A recuperação, porém, varia de acordo com a gravidade da doença, o controle da inflamação e o acompanhamento no pós-operatório.

Os pólipos podem voltar após a cirurgia?

Podem voltar. A polipose é uma doença inflamatória crônica: a cirurgia desobstrui o nariz e recupera o olfato, mas cerca de 1 em cada 5 pacientes precisa de nova cirurgia ao longo dos anos, mais em quem tem asma ou intolerância a anti-inflamatórios. Por isso, o uso contínuo do spray nasal e o acompanhamento são fundamentais para preservar os resultados.