Autor: Dr. José Eduardo Marcondes

  • Como parar de roncar? O que funciona de verdade, segundo a evidência

    Como parar de roncar? O que funciona de verdade, segundo a evidência

    “Doutor, como eu faço para parar de roncar?” Essa é uma das perguntas mais frequentes no consultório. Ou melhor, a pergunta mais frequente é: “Como eu faço para meu marido (ou minha esposa) parar de roncar?” Quase sempre quem marcou a consulta não foi o roncador e sim quem dorme ao lado.

    A resposta começa por uma pergunta: por que esta pessoa ronca? O ronco tem várias origens possíveis, e cada origem tem um tratamento próprio. Existe um caminho de investigação e uma escala de tratamentos, do mais simples ao mais avançado. Neste artigo, explicamos como percorrer esse caminho com critério.

    Primeiro de tudo: o que é o ronco?

    O ronco é o som da vibração dos tecidos da garganta quando o ar passa por um espaço apertado. Funciona como uma bandeira ao vento: quando o ar circula livre por um espaço amplo, nada vibra; quando precisa passar por uma passagem estreita, ganha velocidade e faz os tecidos moles (palato, úvula, paredes da garganta) vibrarem. Essa vibração é o ronco.

    Roncar de vez em quando, num resfriado ou depois de um jantar com vinho, acontece com quase todo mundo. O ronco que merece atenção é o ronco alto, frequente, que incomoda quem dorme ao lado ou que vem acompanhado de pausas na respiração.

    Por que você ronca? A resposta está no fluxo do ar.

    No consultório, costumamos resumir o mecanismo numa combinação simples: via aérea estreita + tecidos que relaxam demais. Os dois lados dessa combinação têm causas próprias.

    Ilustração anatômica em corte sagital mostrando os três pontos onde o ar encontra estreitamento na via aérea: nariz, palato mole e úvula, e base da língua.

    O que estreita a via aérea:

    • Nariz obstruído: rinite, desvio de septo, aumento dos cornetos (as “carnes esponjosas” internas do nariz), pólipos
    • Palato mole alongado ou úvula volumosa
    • Amígdalas aumentadas
    • Base da língua volumosa, que cai para trás quando deitamos
    • Excesso de peso, que deposita tecido ao redor da garganta e do pescoço

    O que faz os tecidos relaxarem demais:

    • O próprio sono, principalmente nas fases profundas
    • Álcool à noite, que funciona como um relaxante muscular da garganta
    • Alguns medicamentos sedativos
    • O passar dos anos, que reduz naturalmente o tônus da musculatura
    • Menopausa, período em que as alterações hormonais aumentam a chance de ronco e apneia na mulher (Young e colaboradores, 2003)
    • Dormir de barriga para cima, posição em que a língua e o palato tendem a cair para trás

    Cada pessoa ronca por uma combinação diferente desses fatores. É por isso que a pergunta certa não é “qual é o tratamento do ronco?”, e sim “por que esta pessoa ronca?”. Investigar antes de tratar é o que separa uma solução consistente de uma tentativa no escuro.

    Quando o ronco deixa de ser só ronco: a apneia do sono

    Nem todo ronco é doença. Existe o chamado ronco primário, em que a pessoa ronca mas respira bem a noite inteira. E existe o ronco que é sintoma da apneia obstrutiva do sono (AOS), condição em que a garganta chega a fechar por completo, repetidas vezes, causando pausas na respiração (apneias), queda de oxigênio e despertares que fragmentam o sono.

    Isso é comum? Mais do que se imagina. O estudo EPISONO, que avaliou a população adulta da cidade de São Paulo com exame do sono, encontrou síndrome da apneia obstrutiva do sono em 32,8% dos adultos avaliados (Tufik e colaboradores, 2010). A maioria não sabia do diagnóstico.

    Os sinais que aumentam a suspeita de apneia, além do ronco alto:

    • Pausas na respiração observadas por quem dorme ao lado
    • Acordar engasgado ou com sensação de sufocamento
    • Sono que não descansa: acordar cansado mesmo dormindo horas suficientes
    • Sonolência durante o dia, no trabalho ou ao dirigir
    • Dor de cabeça matinal, boca seca ao acordar
    • Pressão alta de difícil controle

    Questionário STOP-Bang: como essas perguntas podem te ajudar

    Uma ferramenta que usamos para organizar essa suspeita é o questionário STOP-Bang, publicado por Chung e colaboradores em 2008. Ele reúne 8 perguntas simples e funciona como um instrumento de triagem, não de diagnóstico. Ele dá pistas de quem merece investigar.

    As 8 perguntas, em linguagem direta:

    1. Você ronca alto (mais alto que uma conversa, audível de outro cômodo)?
    2. Você se sente cansado ou sonolento durante o dia com frequência?
    3. Alguém já observou você parar de respirar dormindo?
    4. Você tem pressão alta ou trata hipertensão?
    5. Seu índice de massa corporal (IMC) está acima de 35?
    6. Você tem mais de 50 anos?
    7. A circunferência do seu pescoço passa de 40 cm?
    8. Você é do sexo masculino?

    No estudo original, três ou mais respostas positivas indicam risco aumentado de apneia obstrutiva do sono (Chung e colaboradores, 2008). O questionário aponta quem deve investigar; o diagnóstico vem da consulta e do exame do sono (polissonografia), que mede quantas vezes a respiração é interrompida por hora e a queda de oxigênio no sangue. Explicamos esse caminho em detalhe na página sobre apneia do sono.

    Somou três ou mais respostas positivas? Traga suas respostas para a consulta: elas ajudam a direcionar a investigação desde o primeiro dia. Agende uma avaliação e vamos descobrir de onde vem o seu ronco.

    A escala de tratamentos: o que funciona em cada passo

    O ronco tem tratamento, e o tratamento certo depende de onde está o estreitamento. Por isso a escada abaixo vai do mais simples ao mais avançado, e por isso o exame vem antes da escolha.

    1. Medidas comportamentais

    Emagrecer quando há excesso de peso, evitar álcool à noite, cuidar da rotina de sono e treinar a posição de dormir de lado. É a base da escada e entra no plano de todo paciente, sozinha no ronco leve sem obstrução anatômica, e somada aos demais degraus quando há um ponto de estreitamento a tratar ou quando a apneia é moderada ou grave.

    2. Tratar o nariz

    Rinite mal controlada, desvio de septo e aumento dos cornetos estreitam a entrada de ar logo na porta. Tratar o nariz, com medicação ou cirurgia conforme o caso, reduz o esforço para respirar de boca fechada e melhora a tolerância aos outros tratamentos. Entra no plano de todo roncador com obstrução nasal, e pode ser combinado com outras cirurgias na mesma programação.

    3. CPAP

    O aparelho de pressão positiva contínua (CPAP) mantém a via aérea aberta com um fluxo suave de ar durante o sono. É o tratamento de referência para a apneia moderada e grave: a diretriz da Academia Americana de Medicina do Sono recomenda a pressão positiva para o tratamento da apneia obstrutiva do sono no adulto, com recomendação forte quando há sonolência excessiva (Patil e colaboradores, 2019). Ele age nas noites em que é usado, e por isso a adaptação pesa tanto quanto a indicação. Nariz entupido é uma das razões mais frequentes de abandono, e é aí que o otorrinolaringologista entra mesmo quando o tratamento é clínico.

    4. Aparelho intraoral

    O aparelho intraoral (dispositivo de avanço mandibular) projeta a mandíbula discretamente para a frente durante o sono, abrindo espaço atrás da língua. É uma boa escolha no ronco primário e na apneia leve a moderada, com acompanhamento de dentista habilitado em odontologia do sono, e depende de dentes e articulação em condições de sustentar o aparelho, o que se avalia antes de indicar.

    5. Faringoplastia com sutura barbada

    Cirurgia de reposicionamento do palato: reposiciona e tensiona os tecidos do palato e das paredes da garganta usando fios com microâncoras, sem remover grandes volumes de tecido. Trata o colapso retropalatal, ou seja, o que acontece atrás do palato. A indicação combina história clínica, exame otorrinolaringológico e a polissonografia; a sonoendoscopia (DISE) pode ser útil em alguns casos. Detalhes do procedimento na página sobre faringoplastia com sutura barbada.

    6. Laser Fotona (protocolo NightLase)

    Protocolo não cirúrgico em que a energia do laser promove contração e firmeza dos tecidos do palato, sem cortes e sem anestesia geral. É uma alternativa para quem tem ronco primário e quer uma opção sem cirurgia. No protocolo que adotamos no consultório, o tratamento é feito em um pacote inicial de sessões, no geral 4, seguido de 1 sessão de manutenção a cada 6 a 12 meses. Explicamos as indicações na página sobre o laser Fotona.

    7. Cirurgia robótica transoral (TORS)

    Cirurgia realizada com o uso do robô, que permite alcançar e tratar com precisão regiões profundas da garganta, que os instrumentos convencionais acessam com dificuldade.

    A robótica é a via de acesso, não uma técnica única. Com ela, tratamos três territórios da via aérea: a base da língua, a parede lateral da faringe e o palato. É pela robótica, por exemplo, que realizamos a faringoplastia de expansão do esfíncter (ESP), a técnica de parede lateral que mais utilizamos. É feita em ambiente hospitalar, com pós-operatório acompanhado, e pode ser associada à faringoplastia com sutura barbada e à cirurgia do septo na mesma programação cirúrgica. Saiba mais na página sobre TORS.

    Como escolhemos o degrau certo

    Nenhum degrau da escada serve para todo mundo, e é isso que a consulta resolve. Três coisas definem a escolha, e as três aparecem antes de qualquer decisão:

    Onde está o estreitamento. Nariz, palato, parede lateral da faringe ou base da língua. O exame do nariz e da garganta identifica o ponto, e é ele que separa quem melhora tratando o nariz de quem precisa tratar a garganta. Tratar só o nariz costuma melhorar a respiração e a adesão ao CPAP, e o ronco em si nasce com mais frequência na garganta.

    A gravidade. Ronco primário e apneia leve abrem espaço para o aparelho intraoral e para o laser; na apneia moderada e grave o tratamento de referência é o CPAP, e o laser não ocupa esse lugar. Nos quadros mais pesados, as medidas comportamentais entram somadas a outro degrau, e não sozinhas.

    As suas condições e as suas preferências. Cirurgia tem pós-operatório e seleção de paciente; aparelho intraoral exige condições dentárias; CPAP exige convivência com o aparelho. Levamos isso em conta com você, porque o tratamento que não se sustenta na sua rotina não trata.

    Desconfie de quem prometer solução única para o ronco antes de examinar. A escada existe justamente porque a resposta certa muda de pessoa para pessoa.

    A ponte entre o nariz e o sono

    Aqui está um ponto que costuma passar despercebido: o nariz e o sono são um sistema só. A obstrução nasal piora o ronco, agrava a apneia e atrapalha a adesão ao CPAP, porque respirar sob pressão com o nariz entupido é como puxar ar por um canudo amassado.

    Na prática do consultório, isso significa que tratar a rinite, corrigir o desvio de septo ou reduzir os cornetos age sobre o sono por duas vias: reduz a parcela nasal do ronco e permite que o CPAP ou o aparelho intraoral funcionem como devem. É comum recebermos pacientes que “não se adaptaram ao CPAP” e descobrirmos que o problema nunca foi o aparelho. Era o nariz.

    Perguntas frequentes

    O que causa o ronco?

    A combinação de uma via aérea estreita (por nariz obstruído, palato alongado, amígdalas grandes, base da língua volumosa ou excesso de peso) com o relaxamento natural da musculatura durante o sono. Álcool, sedativos, idade e a posição de barriga para cima acentuam esse relaxamento.

    Roncar é normal?

    Roncar ocasionalmente, num resfriado ou após bebida alcoólica, é comum. Ronco alto e frequente, principalmente com pausas na respiração ou sonolência durante o dia, não deve ser tratado como normal: merece investigação.

    Quando o ronco é preocupante?

    Quando vem acompanhado de pausas na respiração observadas por outra pessoa, engasgos noturnos, sono que não descansa, sonolência diurna ou pressão alta. Três ou mais respostas positivas no questionário STOP-Bang também indicam risco aumentado de apneia e justificam avaliação (Chung e colaboradores, 2008).

    Ronco tem cura?

    Depende da causa. Quando existe um fator anatômico claro e tratável, o ronco pode desaparecer ou reduzir de forma importante. Em outros casos, o objetivo é o controle, como acontece com a pressão alta: o tratamento é continuado, não pontual. A resposta séria começa pela investigação da causa.

    Cirurgia para ronco funciona?

    Funciona quando a indicação está certa. As técnicas atuais (faringoplastia com sutura barbada, TORS, cirurgias nasais) tratam o local exato do colapso, identificado por exame. É a investigação que separa a cirurgia que resolve da cirurgia que decepciona, e é por isso que ela vem antes.

    Dormir de lado resolve o ronco?

    Ajuda em parte dos casos, porque de lado a língua e o palato caem menos para trás. Para quem ronca em qualquer posição, ou tem apneia, a posição sozinha não basta e a causa precisa ser investigada.

    Referências

    1. Chung F, Yegneswaran B, Liao P, e colaboradores. STOP Questionnaire: a tool to screen patients for obstructive sleep apnea. Anesthesiology. 2008;108(5):812-821.
    2. Tufik S, Santos-Silva R, Taddei JA, Bittencourt LRA. Obstructive sleep apnea syndrome in the Sao Paulo Epidemiologic Sleep Study (EPISONO). Sleep Medicine. 2010;11(5):441-446.
    3. Patil SP, Ayappa IA, Caples SM, e colaboradores. Treatment of adult obstructive sleep apnea with positive airway pressure: an American Academy of Sleep Medicine clinical practice guideline. Journal of Clinical Sleep Medicine. 2019;15(2):335-343.
    4. Young T, Finn L, Austin D, Peterson A. Menopausal status and sleep-disordered breathing in the Wisconsin Sleep Cohort Study. American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine. 2003;167(9):1181-1185.

    Se o ronco faz parte das suas noites, ou das noites de quem dorme ao seu lado, o primeiro passo é descobrir de onde ele vem. Agende uma avaliação nas unidades Morumbi, Itaim Bibi ou Alphaville, e vamos examinar o seu nariz e a sua garganta para encontrar o degrau certo para o seu caso.

    Dr. José Eduardo Marcondes, médico otorrinolaringologista (CRM-SP 107.711 | RQE 43.840). Este conteúdo não substitui a consulta médica.

    Sobre o autor

    Dr. José Eduardo Marcondes

    Médico Otorrinolaringologista · CRM-SP 107.711 · RQE 43.840

    Formado e residente pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), com mais de duas décadas de experiência. Focado no tratamento do ronco e da apneia do sono, obstrução nasal, sinusite crônica, adenoides e amígdalas, em adultos e crianças. Membro da ABORL-CCF e do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, Vila Nova Star e São Luiz.

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  • A apneia do sono tem cura? Entenda a gravidade, os riscos e os tratamentos

    A apneia do sono tem cura? Entenda a gravidade, os riscos e os tratamentos

    “Doutor, a apneia do sono tem cura?” Essa é uma das perguntas mais frequentes no consultório, e a resposta é: depende da causa e da gravidade. A apneia do sono sempre tem tratamento eficaz e, em situações específicas, tem cura de verdade. Em outros casos, o objetivo é o controle completo do problema, o que já transforma o sono, a energia e a saúde de quem convive com ela.

    Neste texto, explicamos os tipos de apneia, o que leva uma pessoa a desenvolver o problema, como saber se você tem, quando o quadro é considerado grave e, principalmente, em quais situações é possível falar em cura e em quais o caminho é o controle.

    Pessoa dormindo tranquila após tratamento da apneia do sono

    O que é a apneia do sono

    Durante o sono, a musculatura da garganta relaxa. Em quem tem a via aérea mais estreita ou os tecidos mais flácidos, esse relaxamento pode fechar a passagem de ar por alguns segundos, várias vezes por noite. Cada pausa obriga o cérebro a um microdespertar para retomar a respiração. O resultado é um sono fragmentado, oxigênio oscilando no sangue e um corpo que nunca descansa de verdade.

    Essa é a apneia obstrutiva do sono, a forma mais comum da doença. Ela é bem mais frequente do que se imagina: no estudo EPISONO, feito na cidade de São Paulo, cerca de um terço dos adultos (32,8%) apresentava apneia do sono em algum grau. Se quiser entender em detalhe o que as pausas fazem com o organismo, vale ler o artigo sobre a fisiologia da apneia do sono.

    Quais são os três tipos de apneia?

    Existem três tipos de apneia do sono, que se diferenciam pelo mecanismo que interrompe a respiração durante a noite:

    Tipo O que acontece Quão comum
    Apneia obstrutiva A via aérea se fecha na garganta, mas o corpo continua tentando respirar. É o foco deste artigo. O tipo mais comum, de longe.
    Apneia central O cérebro deixa de enviar, por alguns instantes, a ordem de respirar; a garganta não é o problema. Costuma se associar a doenças cardíacas e neurológicas. Mais rara.
    Apneia mista Combina os dois mecanismos no mesmo evento: começa como central e termina como obstrutiva. Menos frequente.

    Diferenciar os tipos importa porque o tratamento muda. A polissonografia, o exame do sono, é quem faz essa distinção.

    O que leva a pessoa a ter apneia do sono?

    Na apneia obstrutiva, o problema nasce de uma conta simples: uma via aérea estreita somada a tecidos que relaxam demais durante o sono. Vários fatores entram nessa conta:

    • Excesso de peso. É o fator de risco mais importante e um dos mais reversíveis. A gordura no pescoço, na língua e no abdome estreita e sobrecarrega a via aérea. Explicamos esse mecanismo em detalhe no artigo sobre apneia do sono e obesidade.
    • Anatomia da face e da garganta. Queixo retraído, amígdalas grandes, língua volumosa e palato baixo reduzem o espaço por onde o ar passa. Por isso pessoas magras também podem ter apneia.
    • Obstrução nasal. Desvio de septo, cornetos aumentados e rinite dificultam a respiração pelo nariz e empurram a pessoa para a respiração bucal, que desestabiliza a via aérea durante o sono.
    • Idade e sexo. A apneia fica mais comum com a idade, pela perda natural do tônus muscular. Homens são mais afetados, mas a diferença diminui após a menopausa, como mostramos no artigo sobre apneia do sono em homens e mulheres.
    • Álcool, cigarro e sedativos. Relaxam ainda mais a musculatura da garganta ou inflamam a via aérea.
    • Fatores hormonais. Hipotireoidismo e outras alterações hormonais também podem contribuir.

    O que piora a apneia?

    Mesmo em quem já tem o diagnóstico, alguns hábitos agravam as pausas respiratórias: ganhar peso, consumir álcool à noite, fumar, usar remédios para dormir por conta própria, dormir de barriga para cima e deixar o nariz obstruído sem tratamento. A boa notícia é que todos esses pontos podem ser trabalhados, e cada um deles melhora o resultado de qualquer tratamento.

    Como sei se tenho apneia do sono?

    Os sinais mais comuns aparecem em dois momentos. Durante a noite: ronco alto e frequente, pausas na respiração percebidas por quem dorme ao lado, engasgos ou sensação de sufocamento, sono agitado e idas repetidas ao banheiro. Durante o dia: acordar cansado mesmo depois de horas na cama, dor de cabeça pela manhã, sonolência, irritabilidade e queda de memória e concentração.

    Na presença desses sinais, o caminho é uma avaliação com o otorrinolaringologista, que examina o nariz e a garganta (em geral com a nasofibrolaringoscopia) para identificar onde está a obstrução. A confirmação do diagnóstico é feita pela polissonografia, o exame do sono, que pode ser realizado no laboratório ou, em casos selecionados, em casa.

    Polissonografia, o exame do sono que confirma o diagnóstico de apneia

    Quando a apneia é grave?

    A gravidade é medida pelo IAH, o índice de apneia e hipopneia, que conta as pausas na respiração por hora de sono: até 5 é considerado normal, de 5 a 15 é apneia leve, de 15 a 30 é moderada e acima de 30 é grave.

    O número, porém, não é tudo. A queda do oxigênio durante os eventos, o grau de sonolência diurna, a profissão (pense em quem dirige ou opera máquinas) e a presença de doenças como hipertensão, diabetes e arritmias também pesam na decisão de como e com que urgência tratar.

    Afinal, a apneia do sono tem cura?

    Agora a resposta completa. A apneia do sono tem cura em situações específicas, quando existe uma causa bem definida que pode ser corrigida:

    • Em crianças, a causa mais comum é o aumento das amígdalas e da adenoide, e a cirurgia resolve a grande maioria dos casos.
    • Em adultos com apneia leve ligada ao excesso de peso, emagrecer de forma consistente pode normalizar o exame do sono.
    • Em casos selecionados, a cirurgia do ronco e da apneia corrige os pontos de obstrução da via aérea (nariz, palato, paredes da faringe e base da língua) e pode reduzir o IAH a níveis normais. O resultado depende muito da seleção do paciente e do local da obstrução, por isso a avaliação detalhada é tão importante.

    Na maioria dos quadros moderados e graves, o termo que usamos não é cura, e sim controle. O CPAP, por exemplo, elimina as pausas respiratórias enquanto é usado, com excelente resultado sobre os sintomas e a qualidade de vida. É parecido com o que acontece na hipertensão: o tratamento não faz a predisposição desaparecer, mas devolve a saúde e afasta as complicações. E controle bem feito, na prática, significa dormir e viver como quem não tem a doença.

    Desconfie de qualquer promessa de cura garantida da apneia. Medicina séria trabalha com avaliação individual, e o tratamento certo para uma pessoa pode ser inadequado para outra.

    Quais são os tratamentos para a apneia do sono?

    O plano é sempre individual e, muitas vezes, combina mais de uma frente:

    • CPAP. Aparelho que mantém a via aérea aberta com pressão de ar. É o tratamento de escolha na apneia grave e muito eficaz quando bem tolerado.
    • Aparelho intraoral. Avança levemente a mandíbula e amplia o espaço na garganta. Útil em casos leves a moderados e para quem não se adapta ao CPAP.
    • Tratar o nariz. Corrigir desvio de septo, cornetos aumentados e rinite melhora a respiração, o ronco e a adaptação ao CPAP.
    • Terapia fonoaudiológica. Exercícios que fortalecem a musculatura da língua, do palato e da faringe.
    • Laser Fotona. O protocolo NightLase, um tratamento a laser sem cortes, tonifica os tecidos da garganta em casos selecionados de ronco e apneia leve a moderada.
    • Cirurgia. Dos procedimentos nasais à faringoplastia e à cirurgia robótica da base da língua (TORS), indicada conforme o ponto de obstrução identificado na avaliação.
    • Controle do peso. Peça central em quem tem excesso de peso, com dieta, atividade física e, em casos selecionados, as canetas emagrecedoras, que reduziram a gravidade da apneia em estudos recentes.

    Perguntas frequentes

    Quem tem apneia pode infartar?

    O risco é maior, sim. A apneia não tratada sobrecarrega o coração noite após noite, favorece hipertensão e arritmias e, nos quadros graves, estudos de longo prazo mostraram cerca de três vezes mais eventos cardiovasculares em quem não tratou. Por isso a apneia deve ser investigada e tratada cedo, junto com os demais fatores de risco do coração.

    Apneia causa AVC?

    A apneia do sono é um fator de risco independente para o AVC. Um estudo clássico do New England Journal of Medicine mostrou cerca de duas vezes mais risco de AVC ou morte em quem tinha apneia obstrutiva. As quedas repetidas de oxigênio e os picos de pressão durante a noite explicam boa parte desse risco.

    Quais são as sequelas da apneia do sono?

    Sem tratamento, a apneia se associa a hipertensão, arritmias como a fibrilação atrial, infarto, AVC, resistência à insulina e diabetes, queda de memória e concentração, sonolência com risco de acidentes, irritabilidade, depressão e queda da libido. A maior parte dessas consequências melhora ou deixa de progredir quando a apneia é tratada.

    Como fica a pessoa com apneia do sono?

    O retrato típico é de alguém que dorme, mas não descansa: acorda cansado, tem dor de cabeça pela manhã, sente sono ao longo do dia, fica irritado com facilidade e nota a memória e a concentração piores. À noite, ronca alto e faz pausas na respiração que costumam assustar quem dorme ao lado. Muitos só percebem o quanto viviam mal depois que começam o tratamento.

    Qual é o medicamento para apneia do sono?

    Não existe remédio que mantenha a via aérea aberta durante o sono. A novidade recente são as canetas emagrecedoras: em quem tem apneia associada à obesidade, a tirzepatida reduziu a gravidade da apneia em um grande estudo, por meio da perda de peso. Elas atuam sobre a causa em casos selecionados, com prescrição médica, e não substituem a avaliação da via aérea nem os demais tratamentos.

    Quem tem apneia do sono pode tomar remédio para dormir?

    Com muito cuidado, e nunca por conta própria. Vários indutores do sono e calmantes relaxam ainda mais a musculatura da garganta e podem aumentar o número e a duração das pausas respiratórias. Se você ronca ou suspeita de apneia e dorme mal, o caminho é investigar e tratar a apneia primeiro. Quando algum medicamento for necessário, ele deve ser escolhido por um médico que conheça o seu exame do sono.

    O primeiro passo é investigar

    Se você ronca todas as noites, acorda cansado ou já flagrou pausas na respiração de alguém da família, não espere o problema cobrar um preço maior. A apneia do sono tem tratamento eficaz para todos os graus, e cura em situações específicas. Quanto antes se descobre onde está a obstrução, maiores as chances de um resultado completo.

    O Dr. José Eduardo Marcondes é MÉDICO otorrinolaringologista (CRM-SP 107.711 | RQE 43.840), com atuação em cirurgia nasal e no tratamento do ronco e da apneia do sono, atendendo no Morumbi e no Itaim (São Paulo) e em Alphaville (Barueri). Se fizer sentido para você, agende uma avaliação para investigarmos o seu sono e conversarmos sobre o melhor caminho para o seu caso.

    Referências

    1. Tufik S, Santos-Silva R, Taddei JA, Bittencourt LR. Obstructive sleep apnea syndrome in the São Paulo Epidemiologic Sleep Study. Sleep Medicine. 2010;11(5):441-446. doi:10.1016/j.sleep.2009.10.005.
    2. Marin JM, Carrizo SJ, Vicente E, Agusti AG. Long-term cardiovascular outcomes in men with obstructive sleep apnoea-hypopnoea with or without treatment with continuous positive airway pressure: an observational study. Lancet. 2005;365(9464):1046-1053. doi:10.1016/S0140-6736(05)71141-7.
    3. Yaggi HK, Concato J, Kernan WN, Lichtman JH, Brass LM, Mohsenin V. Obstructive sleep apnea as a risk factor for stroke and death. New England Journal of Medicine. 2005;353(19):2034-2041. doi:10.1056/NEJMoa043104.
    4. Malhotra A, Grunstein RR, Fietze I, et al. Tirzepatide for the treatment of obstructive sleep apnea and obesity (SURMOUNT-OSA). New England Journal of Medicine. 2024;391(13):1193-1205. doi:10.1056/NEJMoa2404881.
    5. McEvoy RD, Antic NA, Heeley E, et al. CPAP for prevention of cardiovascular events in obstructive sleep apnea (SAVE). New England Journal of Medicine. 2016;375(10):919-931. doi:10.1056/NEJMoa1606599.

    Este conteúdo é informativo, não substitui a consulta médica e não dispensa a conduta definida pelo seu médico.

    Sobre o autor

    Dr. José Eduardo Marcondes

    Médico Otorrinolaringologista · CRM-SP 107.711 · RQE 43.840

    Formado e residente pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), com mais de duas décadas de experiência. Focado no tratamento do ronco e da apneia do sono, obstrução nasal, sinusite crônica, adenoides e amígdalas, em adultos e crianças. Membro da ABORL-CCF e do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, Vila Nova Star e São Luiz.

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  • Apneia do sono e obesidade: o círculo vicioso entre o peso e o sono (e o papel das canetas emagrecedoras)

    Apneia do sono e obesidade: o círculo vicioso entre o peso e o sono (e o papel das canetas emagrecedoras)

    Apneia do sono e excesso de peso costumam andar juntos, e isso não é coincidência. As duas condições se alimentam uma da outra: o peso a mais favorece a apneia, e a apneia, por sua vez, dificulta o emagrecimento. É um verdadeiro círculo vicioso, e entendê-lo ajuda a explicar por que tratar apenas um dos lados, muitas vezes, não resolve.

    Neste texto sobre apneia do sono e obesidade, o objetivo é educativo: mostrar como a obesidade piora a apneia, como a apneia piora a obesidade e por que romper esse ciclo exige olhar para os dois problemas ao mesmo tempo. No final, falamos sobre os tratamentos disponíveis e sobre por que as chamadas canetas emagrecedoras se tornaram uma ferramenta importante contra as duas doenças.

    Ilustração em corte de um homem obeso deitado mostrando como a gordura no pescoço, na língua e no abdome estreita a via aérea e comprime os pulmões na apneia do sono

    O que é a apneia obstrutiva do sono

    Durante o sono, a musculatura da garganta relaxa. Em quem tem a via aérea mais estreita ou os tecidos mais flácidos, esse relaxamento pode fechar temporariamente a passagem de ar, interrompendo a respiração por alguns segundos, várias vezes por noite. Cada pausa faz o cérebro reagir com um microdespertar para voltar a respirar. O sono se fragmenta, o corpo não descansa de verdade e o oxigênio no sangue oscila ao longo da noite.

    Essa é a apneia obstrutiva do sono. Entre os fatores que favorecem o seu aparecimento, o excesso de peso é um dos mais importantes, e também um dos mais reversíveis.

    Enfoque 1: como a obesidade piora a apneia

    O excesso de peso age contra a respiração noturna por vários caminhos ao mesmo tempo.

    • Gordura ao redor da garganta. A gordura acumulada no pescoço e nas paredes da faringe estreita o espaço por onde o ar passa. Uma via aérea mais apertada colapsa com mais facilidade quando a musculatura relaxa no sono.
    • Gordura na base da língua. Estudos com ressonância mostram que quem tem obesidade tende a acumular gordura na própria língua, que fica maior e mais pesada e recua sobre a garganta ao deitar.
    • Gordura no abdome. A gordura abdominal empurra o diafragma para cima e reduz o volume de ar que os pulmões conseguem manter, sobretudo na posição deitada. Pulmões menos cheios “puxam” menos a via aérea de dentro, o que a deixa mais propensa a fechar.
    • Inflamação e retenção de líquido. O tecido adiposo em excesso mantém o corpo num estado de inflamação de baixo grau e favorece o acúmulo de líquido, que à noite pode migrar para o pescoço e agravar a obstrução.

    Não por acaso, a relação entre peso e apneia é bem medida. Um estudo populacional de referência mostrou que uma variação de cerca de 10% no peso corporal se associa a mudanças expressivas na gravidade da apneia: ganhar peso piora, e perder peso melhora o número de pausas respiratórias por hora de sono.

    Enfoque 2: como a apneia piora a obesidade

    O que muita gente não imagina é que a estrada tem mão dupla. A apneia não tratada também empurra o organismo na direção do ganho de peso, e dificulta emagrecer.

    • Sono fragmentado desregula a fome. A privação e a fragmentação do sono alteram dois hormônios que controlam o apetite: aumentam a grelina (que dá fome) e reduzem a leptina (que dá saciedade). O resultado é mais fome, mais vontade de alimentos calóricos e mais dificuldade de parar de comer.
    • Resistência à insulina. Noites mal dormidas e as quedas repetidas de oxigênio pioram a forma como o corpo lida com o açúcar, favorecendo a resistência à insulina, o acúmulo de gordura e o risco de diabetes tipo 2.
    • Cansaço que reduz o gasto de energia. Quem dorme mal acorda esgotado, com menos disposição para se exercitar e se mover ao longo do dia. Menos atividade significa menos calorias gastas.
    • Estresse hormonal. O sono ruim e as oscilações de oxigênio ativam o sistema de estresse e elevam o cortisol, hormônio que também favorece o acúmulo de gordura, principalmente na região abdominal.

    Ou seja: a apneia cria exatamente o ambiente hormonal e comportamental que facilita engordar.

    O círculo vicioso

    Junte os dois lados e o problema fica claro. O excesso de peso estreita e sobrecarrega a via aérea, o que gera ou agrava a apneia. A apneia fragmenta o sono, desregula os hormônios da fome, aumenta a resistência à insulina e rouba a energia para se exercitar, o que favorece ainda mais o ganho de peso. Mais peso, mais apneia. Mais apneia, mais peso.

    É por isso que muitas pessoas se sentem “presas”: fazem dieta, mas o sono ruim sabota o esforço; ou tratam só o sono, mas o peso mantém a via aérea comprometida. Romper esse ciclo costuma exigir agir nas duas frentes ao mesmo tempo, e é aí que o tratamento moderno tem avançado bastante.

    Como se trata a apneia hoje

    Não existe um tratamento único que sirva para todos. A conduta depende da gravidade da apneia, da anatomia da via aérea e dos fatores associados de cada pessoa. As principais opções são:

    • CPAP. O aparelho que mantém a via aérea aberta com um fluxo de ar durante a noite. Continua sendo o tratamento de escolha na apneia grave.
    • Tratar o nariz. Corrigir obstruções como desvio de septo, cornetos aumentados ou rinite melhora a respiração e a adaptação a outros tratamentos.
    • Aparelho intraoral. Dispositivo que avança levemente a mandíbula e amplia o espaço na garganta, útil em casos leves a moderados.
    • Laser Fotona. O protocolo NightLase, um tratamento a laser sem cortes, pode tonificar os tecidos da garganta em casos selecionados de ronco e apneia leve a moderada.
    • Cirurgia. Indicada em situações específicas, conforme o ponto de obstrução identificado na avaliação.
    • Controle do peso. Como vimos, é uma peça central. Emagrecer reduz a gravidade da apneia e, em parte dos casos, chega a resolver quadros leves.

    O peso, aliás, sempre esteve presente nessa lista, mas por muito tempo foi também a parte mais difícil de tratar. Foi justamente aí que surgiu uma novidade importante.

    As canetas emagrecedoras: uma arma contra as duas doenças

    As chamadas canetas emagrecedoras são medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1 (como a semaglutida) e, mais recentemente, agonistas duplos GLP-1/GIP (como a tirzepatida). Elas agem no cérebro e no aparelho digestivo aumentando a saciedade e reduzindo a fome, o que leva a uma perda de peso significativa e sustentada.

    O ponto interessante para quem tem apneia é que essas medicações atacam justamente a raiz do círculo vicioso: o excesso de peso. E há evidência direta disso. Em 2024, um grande ensaio clínico chamado SURMOUNT-OSA, publicado no New England Journal of Medicine, avaliou a tirzepatida em adultos com obesidade e apneia obstrutiva do sono de grau moderado a grave. O resultado foi uma redução importante do número de pausas respiratórias por hora de sono (o índice que mede a gravidade da apneia), acompanhada da perda de peso, tanto em quem usava CPAP quanto em quem não usava.

    Na prática, isso significa que tratar o peso com esses medicamentos pode melhorar a própria apneia, ao mesmo tempo em que reduz riscos ligados à obesidade, como diabetes e doença cardiovascular. Uma única frente de tratamento atuando sobre as duas doenças de uma vez.

    Duas ressalvas importantes, porém. Primeiro, as canetas não são milagre nem substituem, sozinhas, os demais tratamentos: em muitos casos elas se somam ao CPAP e às outras medidas, e não os eliminam. Segundo, são medicamentos com indicações, contraindicações e efeitos colaterais próprios, cuja prescrição e acompanhamento cabem ao médico responsável pelo tratamento do peso, em geral o endocrinologista ou o nutrólogo.

    O melhor caminho é o cuidado em equipe. O otorrinolaringologista avalia e trata a via aérea e a apneia; o especialista em obesidade conduz o emagrecimento, com ou sem medicação; e os dois trabalham juntos para romper o círculo vicioso. Cada peça no seu lugar, com um objetivo comum: devolver ao paciente um sono de verdade e uma saúde mais equilibrada.

    Perguntas frequentes

    Emagrecer cura a apneia do sono?

    Depende do caso. A perda de peso reduz a gravidade da apneia em quase todo mundo e, em quadros leves associados ao excesso de peso, pode até resolver. Na apneia moderada a grave, costuma melhorar bastante, mas muitas vezes precisa ser combinada com outros tratamentos, como o CPAP.

    Só pessoas com obesidade têm apneia?

    Não. O excesso de peso é um dos principais fatores de risco, mas pessoas magras também podem ter apneia, por características da anatomia da face e da garganta, obstrução nasal ou fatores hormonais. Por isso o diagnóstico depende de avaliação, e não só do peso.

    Apneia do sono engorda?

    Pode contribuir, sim. Ao fragmentar o sono, a apneia desregula os hormônios do apetite (aumenta a fome e reduz a saciedade), piora a resistência à insulina e gera cansaço que reduz a disposição para se exercitar. Esse conjunto favorece o ganho de peso e ajuda a explicar por que tratar a apneia costuma facilitar o controle do peso.

    Por que durmo mal e ainda assim engordo?

    O sono fragmentado da apneia desregula os hormônios do apetite: aumenta a fome, reduz a saciedade e piora a forma como o corpo lida com o açúcar. Somado ao cansaço que reduz a disposição para se exercitar, isso favorece o ganho de peso mesmo com esforço para emagrecer.

    As canetas emagrecedoras tratam a apneia?

    De forma indireta, sim. Ao promover perda de peso, medicamentos como a tirzepatida reduziram a gravidade da apneia em estudos recentes. Elas atuam sobre a causa (o excesso de peso), mas não substituem a avaliação da via aérea nem, em muitos casos, o CPAP. A indicação é sempre individual e feita por médico.

    Quem prescreve as canetas emagrecedoras?

    A prescrição e o acompanhamento cabem ao médico responsável pelo tratamento do peso, em geral o endocrinologista ou o nutrólogo. O otorrinolaringologista cuida da via aérea e da apneia. O ideal é o trabalho em equipe, com os especialistas se complementando.

    Como saber se eu tenho apneia?

    Sinais de alerta incluem ronco alto, pausas na respiração percebidas por quem dorme ao lado, sono que não descansa, cansaço e sonolência durante o dia. O diagnóstico começa por uma avaliação clínica e das vias aéreas e costuma ser confirmado pela polissonografia, o exame do sono.

    Vale conversar sobre o seu caso

    Se você convive com ronco, sono que não descansa, cansaço durante o dia ou dificuldade de emagrecer, pode haver uma apneia do sono por trás, alimentando esse ciclo. A boa notícia é que ele pode ser rompido, e quanto antes se entende a origem do problema, melhores são os resultados.

    O Dr. José Eduardo Marcondes é MÉDICO otorrinolaringologista (CRM-SP 107.711 | RQE 43.840), com atuação em cirurgia nasal e no tratamento do ronco e da apneia do sono, atendendo no Morumbi e no Itaim (São Paulo) e em Alphaville (Barueri). Se fizer sentido para você, agende uma avaliação para conversarmos sobre o seu caso, de preferência num cuidado integrado com o tratamento do peso.

    Referências

    1. Peppard PE, Young T, Palta M, Dempsey J, Skatrud J. Longitudinal study of moderate weight change and sleep-disordered breathing. JAMA. 2000;284(23):3015-3021. doi:10.1001/jama.284.23.3015.
    2. Malhotra A, Grunstein RR, Fietze I, et al. Tirzepatide for the treatment of obstructive sleep apnea and obesity (SURMOUNT-OSA). New England Journal of Medicine. 2024;391(13):1193-1205. doi:10.1056/NEJMoa2404881.
    3. Spiegel K, Tasali E, Penev P, Van Cauter E. Sleep curtailment in healthy young men is associated with decreased leptin levels, elevated ghrelin levels, and increased hunger and appetite. Annals of Internal Medicine. 2004;141(11):846-850. doi:10.7326/0003-4819-141-11-200412070-00008.
    4. Schwartz AR, Patil SP, Laffan AM, Polotsky V, Schneider H, Smith PL. Obesity and obstructive sleep apnea: pathogenic mechanisms and therapeutic approaches. Proceedings of the American Thoracic Society. 2008;5(2):185-192. doi:10.1513/pats.200708-137MG.

    Este conteúdo é informativo, não substitui a consulta médica e não dispensa a conduta definida pelo seu médico.

    Sobre o autor

    Dr. José Eduardo Marcondes

    Médico Otorrinolaringologista · CRM-SP 107.711 · RQE 43.840

    Formado e residente pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), com mais de duas décadas de experiência. Focado no tratamento do ronco e da apneia do sono, obstrução nasal, sinusite crônica, adenoides e amígdalas, em adultos e crianças. Membro da ABORL-CCF e do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, Vila Nova Star e São Luiz.

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  • Laser na otorrinolaringologia: como funcionam o holmium, o blue laser e o Fotona

    Laser na otorrinolaringologia: como funcionam o holmium, o blue laser e o Fotona

    Nos últimos anos, o laser deixou de ser uma promessa distante e passou a fazer parte do dia a dia da otorrinolaringologia. Mas é comum haver uma confusão: as pessoas falam do “laser” como se fosse uma coisa só, quando na verdade existem vários tipos, cada um com um comportamento diferente dentro do tecido. Um laser que serve para reduzir cornetos não é o mesmo que se usa para tratar o ronco, e nenhum dos dois é igual ao que corta e coagula tecidos moles.

    Neste artigo, a proposta é explicar, de forma acessível, como um laser age no corpo e apresentar três exemplos usados na otorrino: o laser de holmium na turbinoplastia, o blue laser nas doenças da laringe e das pregas vocais e o laser Fotona no tratamento do ronco e da apneia do sono. A ideia não é dizer qual é o “melhor”, e sim mostrar que cada um tem um alvo e uma finalidade próprios.

    Como um laser age no tecido: a ideia de alvo

    Um laser é, essencialmente, luz de um único comprimento de onda, uma “cor” única e muito concentrada, mesmo quando essa luz é invisível aos nossos olhos. O que faz um laser ser útil na medicina é o seguinte princípio: cada comprimento de onda é absorvido de preferência por um componente diferente do tecido. Esse componente que absorve a luz é chamado de cromóforo, e funciona como o “alvo” do laser.

    Na prática, dois alvos importam bastante na otorrino:

    • A água, presente em quase todo tecido mole, absorve muito bem a luz infravermelha. É o alvo dos lasers de holmium e de érbio.
    • A hemoglobina (do sangue) e a melanina absorvem a luz na faixa do azul e do verde. É o que torna o blue laser capaz de agir sobre os vasos, uma propriedade chamada de fotoangiolítica.

    Quando a luz é absorvida, ela vira calor localizado. E, conforme a potência, a duração dos pulsos e o modo de aplicação, esse calor pode produzir efeitos bem distintos:

    • Ablação: vaporizar ou cortar o tecido.
    • Coagulação: selar pequenos vasos e reduzir o sangramento.
    • Efeito térmico não ablativo: apenas aquecer de forma controlada, sem cortar nem remover tecido, o que estimula o colágeno.

    Some se a isso a profundidade que cada comprimento de onda alcança, alguns agem mais na superfície, outros penetram um pouco mais, e fica mais fácil entender por que cada laser é escolhido para uma tarefa específica. É esse raciocínio que guia os três exemplos a seguir.

    Laser de holmium (Ho:YAG) na turbinoplastia

    Corte do nariz mostrando os cornetos, alvo da turbinoplastia a laser

    Os cornetos nasais são estruturas dentro do nariz que aquecem, umidificam e filtram o ar que respiramos. O problema aparece quando eles incham de forma crônica, algo comum na rinite e na alergia, e passam a obstruir a passagem do ar. O resultado é aquela sensação de nariz entupido que não melhora, atrapalha o sono e não cede só com medicação.

    A turbinoplastia é o procedimento que reduz o volume do corneto para desobstruir o nariz, com o cuidado de preservar a função dele. É aqui que entra o laser de holmium (sigla técnica Ho:YAG, de comprimento de onda em torno de 2.100 nm).

    Como funciona. O holmium é um laser pulsado, absorvido pela água do tecido, com penetração relativamente rasa e boa capacidade de coagular. Aplicado sobre o corneto aumentado, ele reduz o tecido responsável pelo inchaço e, ao mesmo tempo, coagula os pequenos vasos, o que diminui o sangramento durante o procedimento. Por atuar de maneira localizada, procura preservar a mucosa de revestimento e a função de umidificação do nariz.

    Uma curiosidade: como a luz do holmium é infravermelha e invisível, o aparelho projeta junto um feixe de mira verde, para o cirurgião enxergar exatamente onde vai atuar. É por isso que, nas imagens de cirurgia, esse laser aparece verde.

    Vantagens neste contexto. Duas características chamam a atenção. A primeira é a boa hemostasia: por coagular enquanto reduz o tecido, o procedimento tende a cursar com pouco sangramento. A segunda é a durabilidade dos resultados. Em um estudo comparativo de longo prazo, a melhora subjetiva da respiração nasal foi relatada por cerca de 67,5% dos pacientes tratados com holmium e 74,4% dos tratados com laser de diodo, com melhora objetiva do fluxo aéreo tanto aos 6 meses quanto aos 3 anos. [1]

    Um ponto que chama a atenção é que reduzir o corneto não melhora apenas o nariz entupido. Ao diminuir o volume da mucosa que reage aos alérgenos e das glândulas que produzem secreção, o procedimento tende a reduzir também os espirros, a coriza e a coceira, ou seja, o conjunto de sintomas das crises de rinite alérgica. Um grupo japonês acompanhou pacientes por até cinco anos após o laser de cornetos e observou melhora mantida dos espirros, da coriza e da obstrução, com boa parte deles seguindo sem medicação. [2] E uma revisão sistemática com metanálise de 2023, reunindo 18 estudos e mais de 1.400 pacientes, confirmou que a redução dos cornetos melhora de forma significativa a obstrução, a coriza, os espirros e a coceira nasal, com benefício mantido por mais de um ano. [3]

    Apesar dessa redução do corneto e da melhora da obstrução e dos sintomas alérgicos, a alergia não deixa de existir. Se a rinite não for controlada, o corneto pode voltar a inchar com o tempo. Por isso a turbinoplastia costuma fazer parte de um plano, e é importante manter o acompanhamento de longo prazo.

    Blue laser (445 nm) nas doenças da laringe e das pregas vocais

    Visão endoscópica da laringe e das pregas vocais, alvo do blue laser

    A laringe abriga as pregas vocais, estruturas delicadas e em constante movimento, responsáveis por produzir a voz. Qualquer lesão ali, por menor que seja, pode alterar a voz e exige um tratamento preciso, capaz de resolver o problema sem machucar o tecido fino e organizado em camadas da prega vocal. É nesse cenário exigente que o blue laser (luz azul, de 445 nm) encontrou um papel de destaque.

    Por que o alvo importa aqui. O alvo principal do blue laser é a hemoglobina, por isso ele age de preferência sobre os vasos sanguíneos. Acontece que muitas lesões das pregas vocais ou são vasculares, ou são alimentadas por vasos anormais. Ao ser absorvido pela hemoglobina, o laser coagula esses microvasos de forma seletiva, tratando a lesão com pouco sangramento e procurando poupar o ligamento vocal e as camadas mais profundas, o que ajuda a preservar a voz. Essa capacidade de atuar sobre os vasos é o que se chama de efeito fotoangiolítico.

    O que pode ser tratado. Na laringe, o blue laser tem sido empregado em uma variedade de lesões, entre elas [4][5]:

    • lesões vasculares das pregas vocais, como varizes, ectasias e pólipos hemorrágicos;
    • edema de Reinke;
    • papilomatose laríngea (lesões causadas pelo HPV, que costumam recidivar);
    • leucoplasia e lesões displásicas iniciais;
    • granulomas.

    Vantagens neste contexto. Além de coagular, o blue laser também corta, algo que os lasers fotoangiolíticos clássicos, como o KTP, não fazem. Em cirurgia da laringe, essa combinação foi descrita como reunir, num só aparelho, a propriedade de cortar e a de tratar os vasos. [4] Como é conduzido por uma fibra muito fina, permite uma abordagem precisa e pouco invasiva das lesões das pregas vocais, e a coagulação seletiva dos vasos melhora a visão durante o procedimento. Na prática, o blue laser já foi aplicado a diferentes lesões vocais, como pólipos, edema de Reinke, papiloma e leucoplasia. [5] Por ser repetível, é ainda uma opção útil quando a lesão tende a voltar, como acontece na papilomatose.

    Vale a mesma ressalva dos demais exemplos: a escolha do laser e da abordagem depende do tipo de lesão, e o diagnóstico correto vem sempre antes da tecnologia.

    Laser Fotona (Er:YAG) no ronco e na apneia do sono

    Aplicação de laser na garganta em consultório de otorrinolaringologia

    O terceiro exemplo muda de novo o objetivo. No tratamento do ronco e da apneia obstrutiva do sono, muitas vezes o problema está na flacidez dos tecidos da garganta, o palato mole, a úvula e as paredes da faringe, que vibram (o ronco) e, em parte das pessoas, chegam a colapsar e obstruir a passagem do ar (a apneia). O objetivo, nesse caso, não é cortar nem remover tecido, e sim tonificá-lo.

    Como funciona. O laser Fotona, no protocolo NightLase, usa um laser de érbio (Er:YAG, de 2.940 nm), num modo chamado SMOOTH, de aplicação não ablativa. Ele aquece os tecidos da garganta de forma controlada, sem cortar e sem anestesia. Esse calor provoca a contração das fibras de colágeno já existentes e estimula a produção de colágeno novo nas semanas seguintes. O tecido tende a ficar gradualmente mais firme, com menos tendência a vibrar e a colapsar durante o sono.

    Vantagens e limites. É um procedimento de consultório, indolor, sem cortes e sem tempo de recuperação. Uma revisão sistemática com metanálise, de 2025, concluiu que o laser de érbio é uma opção segura e eficaz a curto e médio prazo para pacientes selecionados com ronco ou apneia leve a moderada, com benefícios que costumam durar de 1 a 2 anos. [6] Um ensaio clínico randomizado e controlado, com grupo placebo, também mostrou redução significativa do ronco com o protocolo NightLase, bem tolerado. [7] Um seguimento de 4 anos reforçou esse perfil ao longo do tempo. [8]

    O laser Fotona funciona melhor no ronco primário e na apneia de grau leve a moderado, e não substitui o CPAP nos casos moderados a graves. A melhora, além disso, costuma ser mais nítida nos sintomas relatados pelo paciente e normalmente precisa de sessões de reforço ao longo do tempo.

    Os três lasers lado a lado

    O quadro abaixo resume por que cada laser vai para uma tarefa diferente. Repare que a lógica é sempre a mesma: o comprimento de onda define o alvo, e o alvo define a aplicação.

    Laser Comprimento de onda Alvo principal Ação predominante Aplicação em destaque
    Blue laser 445 nm hemoglobina e melanina corta e coagula (fotoangiolítico) doenças da laringe e das pregas vocais
    Holmium (Ho:YAG) 2.100 nm água coagula e reduz volume turbinoplastia (redução de cornetos)
    Érbio (Er:YAG, Fotona) 2.940 nm água aquece sem cortar (não ablativo) ronco e apneia (palato e faringe)

    Note que holmium e érbio têm o mesmo alvo (a água), mas produzem efeitos bem diferentes por causa do comprimento de onda, da forma dos pulsos e do modo de aplicação. Isso mostra que não basta saber o alvo: o “como” também conta.

    O laser é sempre a melhor opção?

    Um laser é uma ferramenta, não um diagnóstico. Ele pode ser uma boa escolha em muitas situações, mas a decisão depende sempre da causa do problema. Alguns exemplos ajudam a entender:

    • Se o nariz entope por causa de um desvio de septo, reduzir apenas o corneto a laser pode não resolver, porque a obstrução principal está na estrutura óssea e cartilaginosa.
    • Se a apneia do sono é grave, o tratamento de escolha continua sendo o CPAP ou, em casos selecionados, a cirurgia, e não o laser.
    • Em vários procedimentos, existem alternativas que não usam laser (como a radiofrequência e as técnicas cirúrgicas convencionais), com bons resultados.

    Por isso, a pergunta certa não é “qual o melhor laser?”, e sim “qual o melhor tratamento para o meu caso?”. A resposta vem de uma avaliação que entenda a origem do sintoma antes de escolher a tecnologia.

    Perguntas frequentes

    Existe um “melhor laser” para a otorrino?

    Não. Cada laser tem um alvo e uma finalidade. O que serve para reduzir cornetos não é o mesmo que se usa para tonificar a garganta no ronco, nem o mais indicado para cortar tecidos moles com controle de sangramento. O melhor laser é o mais adequado ao objetivo de cada caso.

    Todo tratamento a laser dói ou precisa de anestesia?

    Depende do procedimento e do tipo de laser. A aplicação do laser Fotona para o ronco, por exemplo, é indolor e não exige anestesia, enquanto os procedimentos que reduzem ou removem tecido, como a turbinoplastia e as cirurgias da laringe, exigem anestesia adequada, definida caso a caso na avaliação.

    O laser sempre corta ou remove tecido?

    Não. Alguns lasers cortam ou reduzem tecido (como o holmium e o blue laser), e outros apenas aquecem de forma controlada, sem cortar (como o Fotona no modo não ablativo). São finalidades diferentes.

    O laser usado na prega vocal prejudica a voz?

    O objetivo é justamente o contrário: tratar a lesão preservando ao máximo o tecido saudável da prega vocal. Por agir de forma seletiva sobre os vasos, o blue laser procura poupar as camadas responsáveis pela vibração e pela voz. Ainda assim, todo procedimento na laringe exige avaliação e técnica cuidadosas, e a recuperação da voz é acompanhada caso a caso.

    O laser de corneto cura a rinite?

    Não. A turbinoplastia reduz a obstrução causada pelo corneto aumentado, mas a rinite de base precisa do seu próprio tratamento. Sem controlar a causa, o corneto pode voltar a inchar com o tempo.

    O laser Fotona substitui o CPAP?

    Nem sempre. Na apneia leve a moderada, pode ser uma alternativa ou um complemento. Na apneia moderada a grave, o CPAP ou a cirurgia continuam sendo o tratamento de escolha. A definição depende da polissonografia e da avaliação individual.

    Qualquer pessoa pode fazer um tratamento a laser?

    A indicação é sempre individual e definida após avaliação médica. Existem situações que contraindicam cada procedimento, e o laser nem sempre é o caminho principal.

    Em resumo

    O laser não é uma tecnologia única, e sim uma família de ferramentas que se diferenciam pelo comprimento de onda e pelo alvo no tecido. O holmium reduz cornetos com boa hemostasia, o blue laser trata lesões da laringe e das pregas vocais coagulando os vasos e procurando preservar a voz, e o laser Fotona tonifica a garganta para ajudar no ronco e na apneia leve a moderada. Conhecer essas diferenças ajuda o paciente a entender as opções, mas a escolha da melhor abordagem depende sempre do diagnóstico.

    Se você tem dúvidas sobre obstrução nasal, ronco, apneia do sono ou sobre qual tratamento faz sentido no seu caso, o caminho é uma avaliação que identifique a causa antes de decidir a tecnologia.

    O Dr. José Eduardo Marcondes é MÉDICO otorrinolaringologista (CRM-SP 107.711 | RQE 43.840), com atuação em cirurgia nasal e no tratamento do ronco e da apneia do sono, atendendo no Morumbi e no Itaim (São Paulo) e em Alphaville (Barueri).

    Referências

    Sroka R, Janda P, Killian T, Vaz F, Betz CS, Leunig A. Comparison of long term results after Ho:YAG and diode laser treatment of hyperplastic inferior nasal turbinates. Lasers in Surgery and Medicine. 2007;39(4):324-331. doi:10.1002/lsm.20479.

    Takeno S, Nakashimo Y, Ishino T, Miyahara N, Goh K, Noda N, Hirakawa K. Long-Term Results after Carbon Dioxide Laser Surgery of the Inferior Turbinate for Perennial Allergic Rhinitis. Nihon Bika Gakkai Kaishi (Japanese Journal of Rhinology). 2011;50(1):7-12. doi:10.7248/jjrhi.50.7.

    Park SC, Kim DH, Jun YJ, Kim SW, Yang HJ, Yang SI, Kim HJ, Kim DK. Long-term Outcomes of Turbinate Surgery in Patients With Allergic Rhinitis: A Systematic Review and Meta-analysis. JAMA Otolaryngology-Head and Neck Surgery. 2023;149(1):15-23. doi:10.1001/jamaoto.2022.3567.

    Hess MM, Fleischer S, Ernstberger M. New 445 nm blue laser for laryngeal surgery combines photoangiolytic and cutting properties. European Archives of Oto-Rhino-Laryngology. 2018;275(6):1557-1567. doi:10.1007/s00405-018-4974-8.

    Hamdan AL, Ghanem A. Un-sedated Office-Based Application of Blue Laser in Vocal Fold Lesions. Journal of Voice. 2023;37(5):785-789. doi:10.1016/j.jvoice.2021.03.031.

    Dembicka-Mączka D, et al. Effectiveness of the Er:YAG Laser in Snoring Treatment Based on Systematic Review and Meta-Analysis Results. Journal of Clinical Medicine. 2025;14(12):4371. doi:10.3390/jcm14124371.

    Picavet VA, et al. Treatment of snoring using a non-invasive Er:YAG laser with SMOOTH mode (NightLase): a randomized controlled trial. European Archives of Oto-Rhino-Laryngology. 2022;280(1):307-312. doi:10.1007/s00405-022-07539-9.

    Frelich H, et al. Erbium:Yttrium Aluminum Garnet (Er:YAG) Laser: A Minimally Invasive Treatment Method in Selected Patients with Impaired Breathing During Sleep. Photobiomodulation, Photomedicine, and Laser Surgery. 2023;41(8):415-421. doi:10.1089/photob.2022.0144.

    Este conteúdo é informativo, não substitui a consulta médica e não dispensa a conduta definida pelo seu médico. As referências a estudos são apresentadas de forma factual e não configuram promessa de resultado.

    Sobre o autor

    Dr. José Eduardo Marcondes

    Médico Otorrinolaringologista · CRM-SP 107.711 · RQE 43.840

    Formado e residente pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), com mais de duas décadas de experiência. Focado no tratamento do ronco e da apneia do sono, obstrução nasal, sinusite crônica, adenoides e amígdalas, em adultos e crianças. Membro da ABORL-CCF e do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, Vila Nova Star e São Luiz.

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  • Apneia do sono em homens e mulheres: por que a mesma doença se manifesta de formas diferentes

    Apneia do sono em homens e mulheres: por que a mesma doença se manifesta de formas diferentes

    A apneia obstrutiva do sono costuma ser lembrada como um problema de “homem que ronca alto”. Essa imagem tem um fundo de verdade, mas conta só metade da história. A apneia também acontece em mulheres, e com frequência passa despercebida justamente porque se manifesta de um jeito diferente do que se espera. Entender essas diferenças ajuda tanto quem convive com um roncador quanto quem sente cansaço e sono ruim sem saber a causa.

    Neste texto sobre apneia do sono em homens e mulheres, o objetivo é educativo: mostrar como a doença se comporta em cada sexo, por que é subdiagnosticada nas mulheres e o que muda (e o que não muda) na hora de investigar e tratar.

    Apneia do sono em homens e mulheres: homem roncando enquanto dorme e a parceira acordada observando a respiração

    O que é a apneia obstrutiva do sono

    Durante o sono, a musculatura da garganta relaxa. Em quem tem a via aérea mais estreita ou os tecidos mais flácidos, esse relaxamento pode fechar temporariamente a passagem de ar, interrompendo a respiração por alguns segundos, várias vezes por noite. Cada pausa faz o cérebro reagir com um microdespertar para voltar a respirar. O sono se fragmenta, o corpo não descansa de verdade e o oxigênio no sangue oscila ao longo da noite.

    Essa é a apneia obstrutiva do sono. Ela atinge homens e mulheres, mas a forma de aparecer, de ser percebida e até de ser diagnosticada muda conforme o sexo.

    Ilustração comparando a via aérea aberta durante o sono e a via aérea obstruída na apneia

    Prevalência e epidemiologia: mais comum em homens, mas não rara em mulheres

    A apneia é, de fato, mais frequente em homens. Um dos estudos populacionais de referência, a coorte do sono de Wisconsin, encontrou distúrbio respiratório do sono (definido por um índice de apneias e hipopneias por hora de sono igual ou maior que 5) em cerca de 24% dos homens e 9% das mulheres de meia-idade. A proporção clássica descrita é de aproximadamente 2 a 3 homens para cada mulher na população geral.

    Só que esse número esconde uma armadilha. Nos consultórios e laboratórios do sono, por muito tempo a proporção parecia ainda maior (chegava a ser descrita como 8 ou 10 homens para cada mulher), não porque as mulheres adoeçam tão menos, e sim porque elas eram encaminhadas com muito menos frequência para investigação. Em outras palavras: parte da diferença entre os sexos não é biológica, é de diagnóstico.

    Há ainda um fator que muda tudo ao longo da vida da mulher: a menopausa. Antes dela, o risco feminino é mais baixo. Depois, a prevalência sobe de forma expressiva e se aproxima da observada nos homens. A apneia, portanto, não é uma doença “de homem”, e sim uma doença que se distribui de maneira diferente entre os sexos e ao longo do tempo.

    Causas: por que os homens tendem a ter mais

    As diferenças começam na anatomia e na fisiologia.

    • Distribuição de gordura. Os homens tendem a acumular gordura na região do pescoço e do abdome (o padrão andróide), o que aumenta a pressão sobre a via aérea e o esforço para respirar deitado.
    • Formato e comprimento da via aérea. A via aérea masculina costuma ser mais longa e mais propensa ao colapso durante o sono.
    • Proteção hormonal feminina. Antes da menopausa, os hormônios femininos (em especial a progesterona e o estrogênio) ajudam a manter o estímulo respiratório e o tônus dos músculos que sustentam a garganta. Isso funciona como uma proteção parcial. Com a queda hormonal da menopausa, essa proteção diminui e o risco aumenta.

    Nas mulheres, entram ainda outros gatilhos: o ganho de peso, a síndrome dos ovários policísticos e a própria gravidez, período em que alterações hormonais e anatômicas podem favorecer o surgimento ou a piora da apneia. Em ambos os sexos, a obstrução nasal (por desvio de septo, cornetos aumentados ou rinite) e o excesso de peso costumam participar do problema.

    Sintomas: a mesma doença, dois retratos diferentes

    Aqui está talvez a diferença mais importante da apneia do sono em homens e mulheres na prática.

    No homem, a apneia costuma se apresentar pelo retrato “clássico”, aquele que a maioria das pessoas reconhece:

    • ronco alto e persistente;
    • pausas na respiração percebidas por quem dorme ao lado;
    • sonolência excessiva durante o dia (cochilar em reuniões, no trânsito, ao ler).

    Na mulher, os sintomas tendem a ser menos típicos e, por isso, mais facilmente confundidos com outras condições:

    • cansaço e falta de energia (mais do que “sono” propriamente dito);
    • insônia ou sono que não descansa;
    • dor de cabeça ao acordar;
    • alterações de humor, como ansiedade e sintomas depressivos;
    • dificuldade de concentração e de memória.

    O ronco existe nas mulheres, mas costuma ser relatado como mais leve, e as pausas na respiração são menos frequentemente notadas. O resultado é que a queixa que leva ao diagnóstico muitas vezes não aparece.

    Mulher acordando cansada, com dor de cabeça, sinal de sono não reparador

    A forma de expressar os sintomas também muda

    Não é só o corpo que se comporta de modo diferente: a maneira de contar o que sente também. Muitas mulheres não relatam o ronco de forma espontânea, seja porque dormem sozinhas e ninguém observa, seja por um constrangimento social ainda associado ao ronco feminino. E, quando descrevem o mal-estar, tendem a usar palavras como “cansaço”, “estafa” ou “estresse”, em vez de “sono durante o dia”.

    Do outro lado, o homem frequentemente chega ao consultório levado pela queixa de quem divide a cama: é o ronco alto e as pausas na respiração que disparam a procura por ajuda. Essa diferença na forma de relatar faz com que a apneia masculina seja “vista” com mais facilidade e a feminina permaneça em silêncio por mais tempo.

    Impactos na vida e na saúde

    A apneia não tratada vai muito além do sono ruim. Em ambos os sexos, ela está associada a maior risco de hipertensão, arritmias, doenças cardiovasculares, alterações metabólicas e piora da qualidade de vida.

    Nas mulheres, alguns aspectos merecem atenção especial. Os sintomas de humor e de fadiga tendem a pesar bastante no dia a dia e na percepção de bem-estar. E, durante a gravidez, a apneia se associa a um risco maior de complicações como hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia e diabetes gestacional, o que reforça a importância de investigar o sono também nesse período.

    Nos homens, o diagnóstico mais precoce é uma vantagem, mas a sonolência diurna traz riscos concretos, como acidentes de trânsito e de trabalho, além do impacto no desempenho e no relacionamento.

    Como cada sexo costuma lidar com a doença

    Por serem encaminhadas menos e mais tarde, muitas mulheres passam anos com sintomas atribuídos a depressão, hipotireoidismo, anemia, fibromialgia ou “coisas da menopausa” antes de a apneia ser cogitada. Esse atraso no diagnóstico é um dos pontos mais importantes a corrigir.

    Nos homens, o caminho até o diagnóstico costuma ser mais curto, principalmente quando há um parceiro ou parceira que percebe o ronco e as pausas. Uma vez diagnosticados, homens e mulheres podem ter facilidades e dificuldades diferentes na adesão ao tratamento, e por isso o acompanhamento próximo, ajustando o que for preciso, faz diferença no resultado.

    A mensagem prática é simples: cansaço crônico, sono que não descansa, dor de cabeça matinal e alterações de humor merecem investigação do sono, mesmo sem o ronco estrondoso do retrato clássico.

    Diagnóstico: o mesmo exame, um olhar atento às diferenças

    O diagnóstico não muda de exame conforme o sexo, mas exige atenção para não deixar a apneia feminina passar batida. A avaliação costuma incluir:

    • uma conversa detalhada sobre o sono, os sintomas e os hábitos;
    • o exame das vias aéreas, muitas vezes com endoscopia nasal, para verificar se há um componente nasal atrapalhando;
    • quando indicada, a polissonografia (o “exame do sono”), que confirma o diagnóstico e classifica a gravidade.

    Vale um cuidado adicional: nas mulheres, a apneia tende a se concentrar em determinadas fases do sono (como o sono REM) e em certas posições, e o índice de eventos por hora pode ser mais baixo, ainda que os sintomas sejam importantes. Por isso, o número isolado do exame precisa ser sempre interpretado junto com o quadro clínico da pessoa.

    Otorrinolaringologista avaliando as vias aéreas com endoscopia nasal em consulta

    Tratamento da apneia do sono em homens e mulheres: princípios iguais, ajuste individual

    As opções de tratamento são, no geral, as mesmas para homens e mulheres, e a escolha depende da gravidade, da anatomia e do estilo de vida de cada um:

    • CPAP: o aparelho de pressão positiva continua sendo o tratamento mais consolidado para a apneia moderada a grave, em ambos os sexos.
    • Aparelho intraoral e terapia posicional: úteis em casos selecionados, sobretudo quando a apneia é mais leve, posicional ou concentrada no sono REM, um padrão comum nas mulheres.
    • Tratar o nariz: quando a obstrução nasal é parte do problema, a septoplastia e a turbinoplastia podem melhorar a respiração e ajudar inclusive na adesão ao CPAP.
    • Laser: para o ronco e a apneia leve a moderada, o laser Fotona (protocolo NightLase) pode ser uma alternativa não cirúrgica. São realizadas de 3 a 4 sessões em consultório, com excelentes resultados em casos selecionados.
    • Cirurgia: em alguns casos, a cirurgia, como a septoplastia, a faringoplastia robótica ou a sutura barbada, pode ser uma opção de tratamento em pacientes com alterações anatômicas favoráveis.
    • Mudanças de hábitos: controle do peso, atenção ao álcool à noite e ao sono também fazem parte do tratamento, seja qual for o sexo.

    Nas mulheres, ainda vale considerar o momento de vida (menopausa e gravidez, por exemplo) na hora de definir a melhor estratégia. Em todos os casos, o objetivo é o mesmo: tratar a causa da obstrução, e não apenas silenciar o ronco.

    Perguntas frequentes

    A apneia do sono é só coisa de homem?

    Não. A apneia é mais frequente em homens, mas também acontece em mulheres, especialmente após a menopausa. Boa parte da diferença observada vem do fato de a doença ser menos investigada nas mulheres, e não apenas de elas adoecerem menos.

    Por que a apneia é mais difícil de diagnosticar nas mulheres?

    Porque os sintomas costumam ser menos típicos: cansaço, insônia, dor de cabeça ao acordar e alterações de humor, em vez do ronco alto com pausas. Esses sinais são facilmente confundidos com depressão, estresse ou sintomas da menopausa, o que atrasa o diagnóstico.

    Roncar pouco significa que não tenho apneia?

    Não necessariamente. O ronco pode ser leve ou pouco percebido, sobretudo em mulheres, e ainda assim haver apneia. Se existe cansaço persistente, sono que não descansa ou sonolência, vale investigar.

    A menopausa aumenta o risco de apneia?

    Sim. Com a queda dos hormônios femininos, a proteção parcial contra a apneia diminui, e a prevalência na mulher sobe, aproximando-se da observada nos homens.

    Apneia na gravidez é motivo de preocupação?

    Pode ser. A apneia na gestação se associa a maior risco de hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia e diabetes gestacional. Sintomas de sono na gravidez merecem avaliação.

    O tratamento é diferente para homens e mulheres?

    Os princípios são os mesmos (CPAP, tratar o nariz, aparelho intraoral, mudanças de hábitos, laser ou cirurgia em casos selecionados). O que muda é o ajuste individual, considerando anatomia, gravidade, padrão do sono e o momento de vida de cada pessoa.

    Vale conversar sobre o seu caso

    Se você (ou alguém próximo) tem cansaço que não passa, sono que não descansa, ronco ou pausas na respiração, o primeiro passo é uma avaliação que entenda a origem do problema. A apneia do sono tem tratamento, e reconhecer que a apneia do sono em homens e mulheres se manifesta de formas diferentes é parte de chegar ao diagnóstico certo.

    O Dr. José Eduardo Marcondes é MÉDICO otorrinolaringologista (CRM-SP 107.711 | RQE 43.840), com atuação em cirurgia nasal e no tratamento do ronco e da apneia do sono, atendendo no Morumbi e no Itaim (São Paulo) e em Alphaville (Barueri). Se fizer sentido para você, agende uma avaliação para conversarmos sobre o seu caso.

    Referências

    1. Young T, Palta M, Dempsey J, Skatrud J, Weber S, Badr S. The occurrence of sleep-disordered breathing among middle-aged adults. New England Journal of Medicine. 1993;328(17):1230-1235. doi:10.1056/NEJM199304293281704.
    2. Bonsignore MR, Saaresranta T, Riha RL. Sex differences in obstructive sleep apnoea. European Respiratory Review. 2019;28(154):190030. doi:10.1183/16000617.0030-2019.
    3. Lin CM, Davidson TM, Ancoli-Israel S. Gender differences in obstructive sleep apnea and treatment implications. Sleep Medicine Reviews. 2008;12(6):481-496. doi:10.1016/j.smrv.2007.11.003.

    Este conteúdo é informativo, não substitui a consulta médica e não dispensa a conduta definida pelo seu médico.

  • Adenoide e amígdalas aumentadas na criança: quando é hora de operar

    Adenoide e amígdalas aumentadas na criança: quando é hora de operar

    Poucas decisões deixam os pais tão inseguros quanto a possibilidade de o filho passar por uma cirurgia. Se você chegou até aqui depois de noites ouvindo seu filho roncar, de ver a criança dormir de boca aberta ou de mais um episódio de dor de garganta, é natural sentir aquela mistura de preocupação e dúvida: “será que precisa operar mesmo?”.

    A boa notícia é que essa decisão não precisa ser tomada no escuro. Existem critérios bem estabelecidos, baseados em diretrizes médicas, que ajudam a separar os casos em que vale a pena acompanhar e aguardar dos casos em que a cirurgia tende a trazer benefício real. Este texto explica, em linguagem simples, o que são a adenoide e as amígdalas, por que aumentam, quais sinais merecem atenção e como o otorrinolaringologista chega à conclusão sobre operar ou não.

    A ideia aqui é dar a você informação de qualidade para conversar com mais tranquilidade na consulta e entender melhor o que está acontecendo com seu filho.

    Criança dormindo de boca aberta durante o sono, possível sinal de adenoide ou amígdalas aumentadas

    O que são a adenoide e as amígdalas?

    Adenoide e amígdalas são tecidos de defesa, formados por células do sistema imunológico. Funcionam como uma espécie de “posto de vigilância” na entrada das vias respiratórias, ajudando o corpo a reconhecer vírus e bactérias, sobretudo nos primeiros anos de vida.

    • Amígdalas (ou tonsilas palatinas): ficam nas laterais da garganta. São aquelas duas “bolinhas” que dá para ver quando a criança abre bem a boca.
    • Adenoide (ou tonsila faríngea): fica mais escondida, no fundo do nariz, atrás do céu da boca. Não dá para enxergar a olho nu em uma consulta comum, e por isso muitos pais nunca a viram. É como se fosse uma terceira amígdala no fundo do nariz.
    Ilustração da localização da adenoide no fundo do nariz e das amígdalas na garganta da criança

    Apesar de fazerem parte do sistema de defesa, o corpo tem muitos outros mecanismos imunológicos. Por isso, quando a cirurgia é necessária, a retirada desses tecidos não deixa a criança “sem defesas”, como se costuma temer.

    Por que a adenoide e as amígdalas aumentam de tamanho?

    É comum que esses tecidos cresçam naturalmente nos primeiros anos de vida, justamente na fase em que a criança tem mais contato com vírus e bactérias (creche, escola, irmãos mais velhos). Esse aumento muitas vezes é temporário e tende a regredir com o crescimento.

    O problema aparece quando o aumento é grande o suficiente para atrapalhar a respiração e o sono, ou quando as amígdalas se infectam repetidamente. Algumas crianças têm uma tendência individual a ter esses tecidos maiores; alergias respiratórias e infecções de repetição também podem contribuir.

    Vale separar dois cenários que costumam se misturar na cabeça dos pais:

    1. Tamanho aumentado que obstrui (adenoide e/ou amígdalas grandes que dificultam respirar e dormir).
    2. Infecções de repetição (amigdalites frequentes), que é um problema diferente, mesmo que às vezes apareça na mesma criança.

    Os critérios para considerar a cirurgia são diferentes em cada um desses cenários, como você verá adiante.

    Quais sinais nos filhos merecem atenção dos pais?

    Os sinais variam conforme o que está aumentado e o quanto. Reunimos abaixo os mais comuns. Ver um ou outro item isolado não significa que haja indicação de cirurgia, mas a presença de vários sinais, de forma persistente, é um bom motivo para buscar avaliação.

    Sinais ligados à obstrução e ao sono (adenoide e amígdalas grandes)

    • Ronco frequente, várias noites por semana.
    • Respiração pela boca, dormindo e às vezes acordada; criança que dorme de boca aberta ou permanece de boca aberta durante o dia.
    • Sono agitado, com muita mudança de posição, despertares e a sensação de que “não descansa”.
    • Pausas na respiração durante o sono, às vezes seguidas de um suspiro ou engasgo (sinal que mais preocupa os pais, e com razão).
    • Voz anasalada (como se estivesse sempre “fungando”) e dificuldade para respirar pelo nariz.
    • Sonolência ou irritabilidade durante o dia, dificuldade de concentração e impacto no rendimento escolar.
    • Xixi na cama que persiste ou volta a acontecer, que em algumas crianças se relaciona com o distúrbio do sono.
    • Em casos mais prolongados, alterações no crescimento ou no formato do rosto e da arcada dentária, ligadas à respiração bucal contínua, alterações dentárias ou da mordida.

    Esse conjunto de sinais pode indicar o que chamamos de respiração perturbada durante o sono, que vai do ronco simples até a apneia obstrutiva do sono na criança, quando há pausas e queda na qualidade do sono e da oxigenação. É um tema que merece atenção porque o sono é fundamental para o desenvolvimento infantil. (Você pode se aprofundar nisso no nosso artigo sobre apneia do sono em crianças.)

    Pais em consulta com otorrinolaringologista para avaliação de adenoide e amígdalas da criança

    Sinais ligados às infecções de repetição (amígdalas)

    • Amigdalites de repetição: episódios frequentes de dor de garganta com febre, placas (pontos brancos) nas amígdalas e ínguas no pescoço.
    • Faltas recorrentes à escola e uso repetido de antibióticos ao longo do ano.

    Se a queixa principal são as dores de garganta repetidas, vale entender melhor o quadro na nossa página sobre amigdalite e dor de garganta.

    Sinais ligados ao ouvido

    • Otites de repetição ou líquido atrás do tímpano, que podem se relacionar com a adenoide aumentada.
    • Sensação de audição abafada ou pedir para aumentar o volume da TV, o que, em crianças, às vezes passa despercebido.

    Quando é caso de só acompanhar e quando é preciso investigar?

    Nem todo ronco e nem toda amígdala grande significam cirurgia. Em muitos casos, a conduta mais sensata é acompanhar, porque esses tecidos podem regredir com o crescimento.

    De forma geral, costuma fazer sentido observar e reavaliar quando:

    • o ronco é ocasional, ligado a resfriados ou crises de alergia, e melhora fora desses períodos;
    • não há pausas na respiração nem sinais de sono de má qualidade;
    • as infecções de garganta são pouco frequentes;
    • a criança cresce, dorme e rende bem no dia a dia.

    Por outro lado, costuma valer a pena investigar com um otorrinolaringologista quando há:

    • ronco frequente acompanhado de respiração bucal e sono agitado;
    • relato de pausas na respiração durante o sono;
    • impacto no comportamento, na atenção ou no rendimento escolar;
    • infecções de garganta repetidas ao longo do ano;
    • otites de repetição ou suspeita de perda auditiva.

    A decisão entre acompanhar e operar é individual e leva em conta a intensidade dos sintomas, a idade da criança, o impacto na vida dela e o exame físico e não apenas o tamanho dos tecidos isoladamente.

    Como o otorrinolaringologista avalia a criança?

    A avaliação começa por uma conversa detalhada (história clínica) e pelo exame físico. Muitas vezes, esse conjunto já orienta bem a conduta. Dependendo do caso, o médico pode lançar mão de:

    • Exame da garganta e do nariz, para estimar o tamanho das amígdalas e avaliar a respiração.
    • Nasofibroscopia (exame com uma câmera fina e flexível) ou, em alguns casos, radiografia de cavum, para avaliar a adenoide, que normalmente não é visível a olho nu. A escolha do exame depende da idade e da colaboração da criança.
    • Polissonografia (exame do sono): é o exame de referência para confirmar e medir a gravidade da apneia obstrutiva do sono. Segundo as diretrizes, costuma ser indicado quando há dúvida sobre a real necessidade de operar ou em crianças com condições que aumentam o risco (por exemplo, idade muito baixa, obesidade, síndrome de Down, alterações craniofaciais ou neuromusculares). Nem toda criança precisa desse exame antes da cirurgia.
    • Avaliação da audição, quando há suspeita de otites ou de perda auditiva.

    O objetivo dessa etapa é entender o quadro como um todo, e não apenas “o quanto está grande”, para que a indicação, se houver, seja realmente fundamentada.

    Quando a cirurgia costuma ser indicada na criança?

    A cirurgia mais comum nesse contexto é a adenoamigdalectomia (retirada da adenoide e das amígdalas). Em alguns casos, retira-se apenas a adenoide (adenoidectomia) ou apenas as amígdalas (amigdalectomia), conforme a avaliação.

    As diretrizes médicas reconhecidas (como as da Academia Americana de Otorrinolaringologia – AAO-HNS) organizam as indicações em torno de dois grandes motivos. Vale reforçar que esses critérios orientam a consulta, mas a indicação cirúrgica é sempre uma decisão individual, tomada caso a caso entre a família e o médico e não uma recomendação automática para toda criança com adenoide ou amígdalas aumentadas.

    Infográfico comparando quando acompanhar e quando operar adenoide e amígdalas na criança

    1. Obstrução respiratória e apneia do sono

    Quando o aumento da adenoide e/ou das amígdalas causa apneia obstrutiva do sono ou uma respiração perturbada durante o sono com impacto na criança, a cirurgia é considerada o tratamento de primeira linha, de acordo com as principais diretrizes. Nesses casos, a melhora do sono e da respiração costuma ser o principal objetivo.

    2. Infecções de garganta de repetição

    Para as amigdalites de repetição, as diretrizes adotam critérios bem objetivos (conhecidos como critérios de Paradise) para ajudar a decidir. De modo geral, a cirurgia tende a ser considerada quando o número de episódios de dor de garganta bem documentados é:

    • 7 ou mais episódios em 1 ano; ou
    • 5 ou mais episódios por ano, nos últimos 2 anos; ou
    • 3 ou mais episódios por ano, nos últimos 3 anos.

    Para esse fim, cada episódio precisa ter sido um episódio de dor de garganta acompanhado de pelo menos um dos seguintes achados: febre acima de 38,3 °C, ínguas no pescoço (linfonodos dolorosos), placas (exsudato) nas amígdalas ou exame positivo para a bactéria estreptococo (Streptococcus do grupo A).

    Abaixo desses números, as diretrizes recomendam acompanhar e aguardar, em vez de operar, dado que nesses casos a cirurgia pode não trazer tanto benefício. Isso não é uma regra rígida e automática: situações particulares (como amigdalites graves, abscessos de repetição ou outros fatores) podem mudar a avaliação, sempre de forma individual.

    Em resumo: número de episódios não é tudo, mas é um ponto de partida importante. Por isso vale a pena anotar as datas e os sintomas das amigdalites do seu filho ao longo do tempo, esse histórico ajuda muito o médico a decidir.

    Como costuma ser a recuperação da cirurgia?

    A adenoamigdalectomia costuma ser uma cirurgia de curta duração, em geral com alta no mesmo dia ou após uma noite de observação, dependendo da idade da criança, do caso e da avaliação da equipe.

    Pontos gerais que costumam fazer parte do pós-operatório (sempre conforme a orientação individual do médico):

    • Dor de garganta nos primeiros dias, que é esperada e controlada com medicação.
    • Alimentação preferencialmente fria, macia e leve no início, voltando aos poucos ao normal.
    • Repouso relativo e afastamento temporário da escola e de atividades físicas mais intensas por alguns dias.
    • Atenção a sinais de alarme orientados pela equipe, como sangramento, situação em que se deve buscar atendimento.

    Hoje em dia existe a possibilidade de usar algumas tecnologias que melhoram a qualidade e a segurança do pós-operatório, como por exemplo a radiofrequência. Para saber mais sobre esse avanço na cirurgia, acesse a minha página sobre a amigdalectomia com coblation.

    Como toda cirurgia, a adenoamigdalectomia tem benefícios e também riscos, que devem ser explicados e ponderados caso a caso. Não existe procedimento sem riscos, e a decisão deve sempre comparar o que se ganha com o que se evita. O acompanhamento depois da cirurgia é parte importante do processo.

    Perguntas frequentes dos pais (FAQ)

    É normal criança roncar?

    Roncar de vez em quando, durante um resfriado, pode acontecer. O que merece atenção é o ronco frequente, especialmente quando vem acompanhado de respiração pela boca, sono agitado ou pausas na respiração. Nesses casos, vale procurar avaliação.

    Adenoide e amígdala aumentadas sempre precisam de cirurgia?

    Não. Muitos casos são acompanhados ao longo do tempo, porque esses tecidos podem regredir com o crescimento. A cirurgia é considerada quando há obstrução significativa do sono/respiração ou infecções de repetição dentro de certos critérios.

    Retirar a adenoide e as amígdalas enfraquece a imunidade da criança?

    O sistema de defesa do corpo é amplo e conta com vários outros órgãos e mecanismos. Quando a cirurgia é bem indicada, a retirada desses tecidos não costuma comprometer a imunidade da criança de forma relevante.

    Qual a diferença entre adenoidectomia, amigdalectomia e adenoamigdalectomia?

    Adenoidectomia é a retirada apenas da adenoide; amigdalectomia, apenas das amígdalas; e adenoamigdalectomia, das duas. O que será retirado depende da avaliação de cada criança.

    O ronco e a respiração pela boca melhoram depois da cirurgia?

    Quando o problema é causado principalmente pelo aumento desses tecidos, a tendência é de melhora importante da respiração e do sono. Em parte das crianças, sobretudo quando há outros fatores (como obesidade), pode haver necessidade de acompanhamento e de medidas adicionais. A avaliação individual é o que define a expectativa realista.

    Existe uma idade certa para operar?

    Não há uma idade única. A decisão considera os sintomas, o impacto na criança e a avaliação do otorrinolaringologista. Em crianças muito pequenas, costuma-se ter cuidado adicional na investigação.

    Dá para tratar sem cirurgia?

    Em alguns quadros, especialmente os mais leves ou ligados a alergia, o acompanhamento e o tratamento clínico das causas associadas (como a rinite) podem ser suficientes. A conduta depende do caso.

    Quando procurar avaliação?

    Se o seu filho ronca com frequência, dorme de boca aberta, tem sono agitado, apresenta pausas na respiração ou tem amigdalites de repetição, vale a pena conversar com um otorrinolaringologista. Uma avaliação cuidadosa ajuda a definir, com critério, se o melhor caminho é acompanhar ou operar, e a tirar de cima dos pais o peso de decidir sozinhos.

    Para entender melhor o quadro de adenoide aumentada na infância, você pode ler também a nossa página sobre hipertrofia de adenoides em crianças e, se a cirurgia estiver em discussão, a página sobre a adenoamigdalectomia. Há ainda um conteúdo dedicado à cirurgia de adenoide e amígdalas em crianças.

    O Dr. José Eduardo Merighe Marcondes, MÉDICO (CRM-SP 107.711, RQE 43.840), otorrinolaringologista, atende crianças e adultos no Morumbi e no Itaim (São Paulo-SP) e em Alphaville (Barueri-SP), com atuação em ronco e apneia do sono, inclusive na infância. Agende uma avaliação.

    Este conteúdo é informativo, não substitui a consulta médica e não dispensa a conduta definida pelo seu médico.

    Sobre o autor

    Dr. José Eduardo Marcondes

    Médico Otorrinolaringologista · CRM-SP 107.711 · RQE 43.840

    Formado e residente pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), com mais de duas décadas de experiência. Focado no tratamento do ronco e da apneia do sono, obstrução nasal, sinusite crônica, adenoides e amígdalas, em adultos e crianças. Membro da ABORL-CCF e do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, Vila Nova Star e São Luiz.

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  • Corrida e Obstrução nasal: como voltar a respirar bem e render mais

    Corrida e Obstrução nasal: como voltar a respirar bem e render mais

    Respirar bem pelo nariz é essencial para quem corre. O fluxo nasal adequado aquece, filtra e umidifica o ar, melhora a sensação de conforto e contribui para uma troca gasosa mais eficiente, o que se traduz em melhor rendimento e menor fadiga ao longo do treino e das provas.

    Corredor respirando durante treino de corrida ao ar livre

    Rinite alérgica e exercício

    A rinite alérgica é uma das principais causas de obstrução nasal em corredores. A exposição a pólen, poeira, ácaros e pelos de animais inflama a mucosa nasal, levando a congestão, espirros e coceira justamente quando o corpo precisa de maior fluxo de ar. Durante a corrida, esse inchaço interno reduz o calibre das cavidades nasais e favorece a respiração bucal, que é menos eficiente e mais desconfortável, especialmente em dias frios ou secos.

    Obstrução nasal e o impacto na performance da corrida

    Quando o nariz não ventila bem, aumenta a necessidade de inspirar pela boca, o que tende a elevar a percepção de esforço e a frequência respiratória. Isso pode resultar em sensação precoce de cansaço, queda no ritmo, piora da qualidade do sono por congestão noturna e menor recuperação entre treinos. Em provas longas, a respiração bucal exclusiva também favorece boca seca, dor de garganta e maior desconforto térmico, fatores que minam a consistência do desempenho.

    Benefícios do tratamento clínico

    O manejo clínico bem conduzido reduz inflamação e edema da mucosa, devolvendo a passagem de ar pelo nariz. Soluções salinas, corticoides intranasais e anti-histamínicos, associados a estratégia de controle ambiental e ajuste de horários de treino conforme os gatilhos alérgicos, costumam melhorar muito o conforto respiratório. Em casos selecionados, a imunoterapia alérgeno‑específica pode reduzir a reatividade nasal ao longo do tempo, trazendo estabilidade dos sintomas e maior previsibilidade de performance.

    Tratamento clínico da obstrução nasal para melhorar a respiração na corrida

    Dilatadores nasais durante a corrida

    Os dilatadores nasais podem ser aliados úteis para corredores que sentem piora do fluxo aéreo em esforços mais intensos. Há duas categorias principais: as tiras adesivas externas, que tracionam suavemente as asas do nariz para fora, e os dispositivos internos, geralmente de silicone, que mantêm a válvula nasal aberta. Em ambos os casos, o objetivo é reduzir o colapso da parede lateral e facilitar a entrada de ar, especialmente em sprints, subidas e dias secos ou frios.

    Na prática, eles oferecem efeito imediato, são acessíveis e podem diminuir a sensação de sufoco, a necessidade de respirar pela boca e o desconforto de boca seca. Funcionam melhor quando a rinite está controlada e existe um componente leve de fraqueza valvar, servindo como estratégia complementar em treinos, provas e períodos de maior exposição a gatilhos alérgicos. É importante testar modelos e tamanhos, observar a tolerância cutânea às tiras e o conforto dos dispositivos internos, sempre mantendo a higiene nasal e o tratamento clínico indicado pelo especialista.

    Como toda solução externa, seu efeito é temporário e a resposta é individual. Eles não corrigem causas estruturais de obstrução, como desvio de septo, hipertrofia de cornetos ou colapso significativo da válvula nasal. Se a dependência do dilatador para correr se torna constante, uma avaliação otorrinolaringológica detalhada é recomendada para definir um plano definitivo. Inclusive, a boa resposta aos dilatadores pode ser um indicativo de que o reforço valvar cirúrgico trará benefício sustentado; em casos de colapso durante inspirações vigorosas, o enxerto alar batten estabiliza a válvula nasal, oferecendo melhora duradoura do conforto respiratório sem comprometer a estética.

    Dilatador nasal como auxílio para respirar melhor durante a corrida

    Quando a cirurgia entra em cena

    Nem toda obstrução é apenas inflamatória. Desvio de septo, hipertrofia de cornetos e fraqueza estrutural da válvula nasal podem manter a congestão mesmo com tratamento clínico otimizado. A correção cirúrgica, quando indicada, tem como objetivo restaurar a anatomia e a função, permitindo que a via nasal suporte o aumento do fluxo aéreo do esforço sem colapsar. Procedimentos como septoplastia, redução de cornetos e reforço da válvula nasal são individualizados, com foco em resultado funcional duradouro e retorno seguro às atividades.

    Alar batten no esforço intenso

    Em muitos corredores, o fechamento da válvula nasal externa durante inspirações vigorosas é o ponto crítico da obstrução. O enxerto alar batten atua como um reforço discreto da parede lateral do nariz, evitando o colapso durante o pico de fluxo aéreo. Na prática, isso significa entrada de ar mais livre nas acelerações e subidas, menor sensação de sufoco, redução da dependência da respiração bucal e maior conforto em ritmos altos. Além do benefício funcional, o reforço bem planejado preserva a estética nasal, aspecto fundamental para quem busca solução completa e definitiva.

    Reforço da válvula nasal com enxerto alar batten para o esforço intenso

    Próximo passo

    Se a obstrução nasal está limitando seus treinos e atrapalhando seu desempenho na corrida, uma avaliação minuciosa com endoscopia nasal e teste funcional direciona o plano ideal para você, do controle clínico avançado à correção estrutural quando necessária. O consultório do Dr. José Eduardo Marcondes, otorrinolaringologista com mais de duas décadas de experiência, oferece cuidado personalizado em endereços de excelência em São Paulo e Alphaville. Agende sua consulta e volte a correr respirando pelo nariz, com conforto, segurança e alta performance.

    Dr. José Eduardo Marcondes, médico otorrinolaringologista, CRM-SP 107.711, RQE 43.840. Este conteúdo é informativo, não substitui a consulta médica e não dispensa a conduta definida pelo seu médico.

    Sobre o autor

    Dr. José Eduardo Marcondes

    Médico Otorrinolaringologista · CRM-SP 107.711 · RQE 43.840

    Formado e residente pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), com mais de duas décadas de experiência. Focado no tratamento do ronco e da apneia do sono, obstrução nasal, sinusite crônica, adenoides e amígdalas, em adultos e crianças. Membro da ABORL-CCF e do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, Vila Nova Star e São Luiz.

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  • Amigdalectomia com Radiofrequência : O que é e quais são as vantagens?

    Amigdalectomia com Radiofrequência : O que é e quais são as vantagens?

    Coblation é uma tecnologia que utiliza radiofrequência em meio salino para gerar um campo de plasma capaz de dissolver o tecido de forma precisa e com baixa transferência de calor, preservando estruturas vizinhas. Na cirurgia das amígdalas, isso permite menor trauma, controle rigoroso de sangramento e recuperação mais confortável, com especial destaque para a amigdalectomia intracapsular realizada com radiofrequência por coblation.

    O que é coblation?

    Coblation significa ablação controlada do tecido por um campo de plasma criado na ponta do instrumento em solução salina. Diferente do bisturi elétrico convencional, a energia atua em temperaturas mais baixas, desagregando ligações moleculares do tecido em vez de queimar, reduzindo dano térmico colateral e preservando planos anatômicos.

    Equipamento de radiofrequência coblation utilizado na cirurgia das amígdalas

    Como a radiofrequência funciona?

    A radiofrequência é uma corrente alternada que, ao interagir com soro fisiológico, forma um plasma estável que fragmenta o tecido alvo com excelente hemostasia. O controle de potência e a irrigação contínua mantêm o campo limpo e mais frio, favorecendo uma dissecção delicada e visão nítida durante todo o procedimento.

    Vantagens na cirurgia das amígdalas

    • Menor dor pós-operatória graças à baixa difusão térmica e à preservação de mucosa e músculos adjacentes.
    • Menos sangramento intra e pós-operatório pela coagulação eficiente das microvasculaturas durante a ablação.
    • Recuperação mais rápida, com retorno às atividades de forma segura e previsível.
    • Precisão superior em áreas delicadas, reduzindo edema, exsudato e crostas espessas nas fossas amigdalinas.
    • Menor necessidade de cauterizações adicionais, diminuindo irritação de mucosa e odor pós-operatório.

    Intracapsular vs extracapsular

    • Amigdalectomia intracapsular: remove o parênquima amigdalino e preserva uma fina camada de cápsula, o que tende a reduzir dor, sangramento e espasmo muscular, mantendo a mucosa mais íntegra e favorecendo a cicatrização. É especialmente útil em hipertrofia com distúrbios respiratórios do sono e em pacientes que priorizam um pós-operatório mais confortável.
    • Amigdalectomia extracapsular: remove toda a amígdala com sua cápsula, indicada quando há amigdalites de repetição refratárias, cáseos persistentes com halitose, abscessos prévios ou alterações crônicas estruturais. Pode oferecer menor chance de recidiva infecciosa quando o foco é eminentemente infeccioso e persistente.

    Amigdalectomia intracapsular com radiofrequência

    Na técnica intracapsular, a radiofrequência por coblation permite reduzir o volume tonsilar de forma controlada, preservando a cápsula como uma “camada de proteção” que diminui a exposição de terminações nervosas e, consequentemente, a dor. O refinado controle térmico minimiza lesão dos músculos constritores e mantém a função de deglutição mais preservada, favorecendo hidratação e alimentação precoces. Em mãos experientes, combina resultados funcionais consistentes para via aérea e sono com um perfil de recuperação mais confortável e previsível.

    Ilustração da amigdalectomia intracapsular com radiofrequência preservando a cápsula

    Para quem é indicada

    A amigdalectomia intracapsular com radiofrequência é especialmente indicada para crianças e adultos com hipertrofia tonsilar associada a ronco e apneia do sono, dificuldade respiratória, deglutição comprometida ou impacto na qualidade de vida. Também é adequada para quem busca redução de volume com menor dor e menor risco de sangramento, inclusive em pacientes que precisam retomar atividades profissionais e esportivas com mais rapidez.

    Pontos a considerar

    Embora rara, pode haver persistência mínima de tecido tonsilar profundo com possibilidade de crescimento futuro em situações específicas. Quando há histórico de infecções de repetição importantes, cáseos intensos ou abscessos prévios, pode-se avaliar se a abordagem extracapsular é mais apropriada para eliminar completamente o foco.

    Como é o pós-operatório

    Com anestesia geral e alta, em geral, no mesmo dia, o plano analgésico estruturado prioriza conforto e segurança. A preservação da cápsula reduz a intensidade da dor, facilita hidratação, alimentação macia precoce e diminui o risco de sangramento tardio, favorecendo uma cicatrização mais tranquila. O retorno às rotinas é personalizado, considerando profissão, esporte e demandas do paciente.

    Por que escolher o Dr. José Eduardo Marcondes

    Com mais de duas décadas de experiência, foco em resultados funcionais da via aérea superior e domínio de tecnologias de energia, o Dr. José Eduardo Marcondes oferece abordagem precisa, segura e personalizada. O atendimento em endereços de referência em São Paulo ( no Itaim e Morumbi) e em Alphaville reúne conforto, tecnologia atual e equipe preparada para acompanhar cada etapa do cuidado.

    Agende sua avaliação

    Se ronco, apneia do sono, dificuldades de deglutição ou hipertrofia tonsilar comprometem seu bem-estar, a avaliação especializada define a melhor estratégia cirúrgica para o seu caso. Agende sua consulta para discutir, com tranquilidade, se a amigdalectomia intracapsular com radiofrequência é a opção mais adequada para seus objetivos e estilo de vida.

    Avaliação otorrinolaringológica para amigdalectomia com radiofrequência

    Dr. José Eduardo Marcondes, médico otorrinolaringologista, CRM-SP 107.711, RQE 43.840. Este conteúdo é informativo, não substitui a consulta médica e não dispensa a conduta definida pelo seu médico.

    Sobre o autor

    Dr. José Eduardo Marcondes

    Médico Otorrinolaringologista · CRM-SP 107.711 · RQE 43.840

    Formado e residente pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), com mais de duas décadas de experiência. Focado no tratamento do ronco e da apneia do sono, obstrução nasal, sinusite crônica, adenoides e amígdalas, em adultos e crianças. Membro da ABORL-CCF e do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, Vila Nova Star e São Luiz.

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  • Minha orelha dói quando voo de avião. Por que isso acontece?

    Minha orelha dói quando voo de avião. Por que isso acontece?

    A tuba auditiva é o canal que liga o ouvido médio ao nariz e à garganta e funciona como uma válvula que se abre em momentos como engolir, bocejar ou mastigar para equalizar a pressão do ouvido com a do ambiente. Quando essa equalização falha, especialmente em mudanças rápidas de altitude, surge dor, sensação de ouvido tampado e estalos, fenômeno muito comum em voos e ao descer a serra.

    Ilustração de dor de ouvido durante voo de avião

    A tuba auditiva e seu papel

    A cada vez que engolimos ou bocejamos, a tuba auditiva permite a entrada e saída de ar no ouvido médio, mantendo o tímpano em posição confortável e preservando a audição. Se a mucosa do nariz e da nasofaringe está inflamada por rinite, sinusite ou resfriado, essa passagem de ar pode ficar prejudicada e a tuba tende a “travar”, gerando pressão negativa ou positiva no ouvido.

    Por que dói no avião e na serra

    Na cabine do avião ou em estradas de serra, a pressão atmosférica muda rapidamente. Se a tuba não abre no ritmo certo, cria-se um desbalanço de pressão que puxa ou empurra o tímpano, causando dor, plenitude e redução temporária da audição. A descida costuma ser o momento mais crítico no avião, pois a pressão externa aumenta e o ouvido precisa de uma abertura eficiente da tuba para compensar.

    Variação de pressão no ouvido durante voo e descida de serra

    O que é otite média serosa

    Otite média serosa é o acúmulo de líquido atrás do tímpano sem sinais de infecção aguda, geralmente decorrente de disfunção da tuba auditiva após resfriados, alergias ou episódios de barotrauma por variação de pressão. Esse líquido reduz a mobilidade do tímpano e da cadeia ossicular, levando a audição abafada, sensação de ouvido cheio e estalos ao engolir.

    Otite média serosa: líquido acumulado atrás do tímpano

    Sintomas que merecem atenção

    Sensação de ouvido tampado, pressão ou plenitude, com estalos ao bocejar ou engolir.

    Audição reduzida ou flutuante, zumbido e, às vezes, leve desequilíbrio, principalmente após voos, descidas de serra ou infecções de vias aéreas superiores.

    Dor que piora em mudanças de altitude ou ao tentar equalizar a pressão.

    Como é feito o diagnóstico

    A avaliação otorrinolaringológica observa a posição e a mobilidade do tímpano e a presença de sinais de líquido no ouvido médio. Exames como timpanometria e audiometria ajudam a confirmar o acúmulo seroso e a quantificar a perda auditiva condutiva, orientando a melhor conduta. Em adultos, quadros unilaterais persistentes pedem investigação cuidadosa da nasofaringe e de fatores que obstruem a tuba.

    Tratamento e prevenção

    Muitos casos de otite média serosa se resolvem de forma espontânea com a recuperação da função da tuba, por isso a observação ativa, o controle de rinite e medidas de autoinsuflação são estratégias iniciais frequentes.

    Durante voos ou descidas de serra, engolir repetidamente, mascar chiclete, bocejar e realizar manobras suaves de equalização ajudam a abrir a tuba. É importante fazê-las sem força excessiva.

    Evitar viajar com nariz muito obstruído e, quando indicado pelo especialista, usar sprays nasais ou descongestionantes por curto período pode reduzir o risco de barotrauma. Tampões com filtro próprios para voo podem ser úteis em pessoas sensíveis a variações de pressão.

    Quando o líquido persiste e compromete a qualidade de vida, opções como tubos de ventilação no tímpano podem restaurar a aeração do ouvido médio. Em casos selecionados, especialmente com disfunção tubária crônica, a dilatação da tuba auditiva pode ser considerada após avaliação individualizada. Em crianças, isso se relaciona ao tema de quando é preciso colocar o tubinho.

    Quando procurar um otorrino

    Procure atendimento se houver dor intensa, secreção pelo ouvido, tontura importante, febre, ou se a sensação de ouvido tampado e a perda auditiva persistirem além do esperado após um voo ou resfriado. Crianças, gestantes, pessoas que voam com frequência ou com histórico de problemas de ouvido se beneficiam de orientação preventiva personalizada antes de viagens. Recaídas ou sintomas prolongados merecem avaliação detalhada para confirmar o diagnóstico e definir o tratamento mais adequado.

    Cuidado especializado em São Paulo ( Itaim e Morumbi) e Alphaville

    Para quem enfrenta dor no avião, desconforto ao descer a serra ou sensação recorrente de ouvido tampado, uma avaliação criteriosa permite identificar a causa e escolher a melhor abordagem, do manejo clínico à intervenção quando necessário. Com experiência de longa data em otorrinolaringologia e atendimento em endereços de referência no Itaim, Morumbi e Alphaville, o consultório do Dr. Jose Eduardo Marcondes oferece diagnóstico preciso e um plano personalizado para devolver conforto e segurança às suas viagens e ao seu dia a dia. Agende sua consulta e tenha uma orientação completa, focada no seu caso.

    Dr. José Eduardo Marcondes, médico otorrinolaringologista, CRM-SP 107.711, RQE 43.840. Este conteúdo é informativo, não substitui a consulta médica e não dispensa a conduta definida pelo seu médico.

    Sobre o autor

    Dr. José Eduardo Marcondes

    Médico Otorrinolaringologista · CRM-SP 107.711 · RQE 43.840

    Formado e residente pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), com mais de duas décadas de experiência. Focado no tratamento do ronco e da apneia do sono, obstrução nasal, sinusite crônica, adenoides e amígdalas, em adultos e crianças. Membro da ABORL-CCF e do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, Vila Nova Star e São Luiz.

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  • Desvio de Septo

    Desvio de Septo

    Você se acostumou a respirar mal!

    O desvio de septo nasal é uma condição comum que afeta a parede interna do nariz, responsável por dividir as cavidades nasais.
    Essa estrutura, conhecida como septo, quando desalinhada, pode comprometer a passagem do ar, levando a uma série de desconfortos que impactam o dia a dia de forma sutil, mas persistente.
    Muitos pacientes chegam ao consultório sem perceber a gravidade do problema, pois o corpo se adapta ao longo do tempo, normalizando uma respiração inadequada que poderia ser muito melhor. O desvio costuma vir acompanhado do aumento dos cornetos.

    Desvio de Septo
    Desvio de Septo

    Sintomas da Obstrução Nasal

    Os sintomas da obstrução nasal causados pelo desvio de septo são variados e frequentemente subestimados. A principal manifestação é a dificuldade para respirar pelas narinas, especialmente de um lado, o que pode se agravar durante resfriados ou em ambientes secos, resultando em uma sensação constante de nariz entupido.

    Outros sinais incluem roncos noturnos, preferência por dormir de um lado específico para facilitar a respiração e até uma maior percepção do ciclo nasal natural, onde uma narina parece mais obstruída que a outra em momentos alternados. Esses desconfortos podem evoluir para dores faciais leves ou pressão nos seios paranasais, afetando a qualidade do sono e a disposição diária.

    Um corpo acomodado ao respirar pela boca!

    Um aspecto importante é que muitas pessoas se acostumam a respirar mal ao longo dos anos e nem percebem o quanto isso limita sua vitalidade. O que começa como uma leve congestão pode se tornar rotina, levando a uma dependência da respiração bucal que resseca a boca, favorece cáries e até altera a estrutura facial em casos prolongados. Essa adaptação mascara o problema, mas ao longo do tempo, revela-se prejudicial, especialmente para quem busca um estilo de vida ativo e saudável.

    Homem com dificuldade de respirar
    Homem com dificuldade de respirar

    Riscos do desvio de septo

    Entre os riscos associados, destacam-se as infecções recorrentes, como sinusites crônicas, decorrentes da drenagem inadequada dos seios paranasais. O desvio impede o fluxo normal de muco e ar, criando um ambiente propício para bactérias e inflamações que causam dores de cabeça intensas, fadiga e febres repetidas. Sem correção, essas infecções podem se tornar crônicas, impactando não apenas a saúde nasal, mas também a imunidade geral e o bem-estar emocional.

    O tratamento é menos complicado do que você imagina

    A boa notícia é que a cirurgia de correção, chamada septoplastia, oferece uma solução eficaz e para o problema. Realizada por especialistas em otorrinolaringologia, o procedimento reposiciona o septo para restaurar o equilíbrio nasal, melhorando imediatamente a respiração e reduzindo os riscos de complicações.

    No consultório do Dr. José Eduardo Marcondes, adotamos técnicas modernas que eliminam o uso de tampão nasal pós-operatório, evitando desconfortos como sangramentos, infecções e a sensação de obstrução total que acompanhava procedimentos antigos. Com suturas precisas e quilting septal ( suturas transfixantes) , os pacientes experimentam uma recuperação mais rápida e confortável, muitas vezes retornando às atividades em poucos dias.

    Fique atento

    Se você reconhece esses sintomas em sua rotina ou deseja uma avaliação personalizada, agende uma consulta no Dr. José Eduardo Marcondes. Com mais de 20 anos de experiência atendendo um público exigente nos melhores endereços de São Paulo e Alphaville, o doutor oferece um atendimento diferenciado, focado em resultados naturais e duradouros que elevam sua qualidade de vida. Entre em contato pelo WhatsApp para mais informações e marque sua avaliação hoje.

    Correção do desvio de septo com septoplastia

    Dr. José Eduardo Marcondes, médico otorrinolaringologista, CRM-SP 107.711, RQE 43.840. Este conteúdo é informativo, não substitui a consulta médica e não dispensa a conduta definida pelo seu médico.

    Sobre o autor

    Dr. José Eduardo Marcondes

    Médico Otorrinolaringologista · CRM-SP 107.711 · RQE 43.840

    Formado e residente pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), com mais de duas décadas de experiência. Focado no tratamento do ronco e da apneia do sono, obstrução nasal, sinusite crônica, adenoides e amígdalas, em adultos e crianças. Membro da ABORL-CCF e do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, Vila Nova Star e São Luiz.

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