Categoria: Crianças

Adenoide, amígdalas, otite e audição na infância — o que os pais precisam observar e quando operar.

  • Adenoide e amígdalas aumentadas na criança: quando é hora de operar

    Adenoide e amígdalas aumentadas na criança: quando é hora de operar

    Poucas decisões deixam os pais tão inseguros quanto a possibilidade de o filho passar por uma cirurgia. Se você chegou até aqui depois de noites ouvindo seu filho roncar, de ver a criança dormir de boca aberta ou de mais um episódio de dor de garganta, é natural sentir aquela mistura de preocupação e dúvida: “será que precisa operar mesmo?”.

    A boa notícia é que essa decisão não precisa ser tomada no escuro. Existem critérios bem estabelecidos, baseados em diretrizes médicas, que ajudam a separar os casos em que vale a pena acompanhar e aguardar dos casos em que a cirurgia tende a trazer benefício real. Este texto explica, em linguagem simples, o que são a adenoide e as amígdalas, por que aumentam, quais sinais merecem atenção e como o otorrinolaringologista chega à conclusão sobre operar ou não.

    A ideia aqui é dar a você informação de qualidade para conversar com mais tranquilidade na consulta e entender melhor o que está acontecendo com seu filho.

    Criança dormindo de boca aberta durante o sono, possível sinal de adenoide ou amígdalas aumentadas

    O que são a adenoide e as amígdalas?

    Adenoide e amígdalas são tecidos de defesa, formados por células do sistema imunológico. Funcionam como uma espécie de “posto de vigilância” na entrada das vias respiratórias, ajudando o corpo a reconhecer vírus e bactérias, sobretudo nos primeiros anos de vida.

    • Amígdalas (ou tonsilas palatinas): ficam nas laterais da garganta. São aquelas duas “bolinhas” que dá para ver quando a criança abre bem a boca.
    • Adenoide (ou tonsila faríngea): fica mais escondida, no fundo do nariz, atrás do céu da boca. Não dá para enxergar a olho nu em uma consulta comum, e por isso muitos pais nunca a viram. É como se fosse uma terceira amígdala no fundo do nariz.
    Ilustração da localização da adenoide no fundo do nariz e das amígdalas na garganta da criança

    Apesar de fazerem parte do sistema de defesa, o corpo tem muitos outros mecanismos imunológicos. Por isso, quando a cirurgia é necessária, a retirada desses tecidos não deixa a criança “sem defesas”, como se costuma temer.

    Por que a adenoide e as amígdalas aumentam de tamanho?

    É comum que esses tecidos cresçam naturalmente nos primeiros anos de vida, justamente na fase em que a criança tem mais contato com vírus e bactérias (creche, escola, irmãos mais velhos). Esse aumento muitas vezes é temporário e tende a regredir com o crescimento.

    O problema aparece quando o aumento é grande o suficiente para atrapalhar a respiração e o sono, ou quando as amígdalas se infectam repetidamente. Algumas crianças têm uma tendência individual a ter esses tecidos maiores; alergias respiratórias e infecções de repetição também podem contribuir.

    Vale separar dois cenários que costumam se misturar na cabeça dos pais:

    1. Tamanho aumentado que obstrui (adenoide e/ou amígdalas grandes que dificultam respirar e dormir).
    2. Infecções de repetição (amigdalites frequentes), que é um problema diferente, mesmo que às vezes apareça na mesma criança.

    Os critérios para considerar a cirurgia são diferentes em cada um desses cenários, como você verá adiante.

    Quais sinais nos filhos merecem atenção dos pais?

    Os sinais variam conforme o que está aumentado e o quanto. Reunimos abaixo os mais comuns. Ver um ou outro item isolado não significa que haja indicação de cirurgia, mas a presença de vários sinais, de forma persistente, é um bom motivo para buscar avaliação.

    Sinais ligados à obstrução e ao sono (adenoide e amígdalas grandes)

    • Ronco frequente, várias noites por semana.
    • Respiração pela boca, dormindo e às vezes acordada; criança que dorme de boca aberta ou permanece de boca aberta durante o dia.
    • Sono agitado, com muita mudança de posição, despertares e a sensação de que “não descansa”.
    • Pausas na respiração durante o sono, às vezes seguidas de um suspiro ou engasgo (sinal que mais preocupa os pais, e com razão).
    • Voz anasalada (como se estivesse sempre “fungando”) e dificuldade para respirar pelo nariz.
    • Sonolência ou irritabilidade durante o dia, dificuldade de concentração e impacto no rendimento escolar.
    • Xixi na cama que persiste ou volta a acontecer, que em algumas crianças se relaciona com o distúrbio do sono.
    • Em casos mais prolongados, alterações no crescimento ou no formato do rosto e da arcada dentária, ligadas à respiração bucal contínua, alterações dentárias ou da mordida.

    Esse conjunto de sinais pode indicar o que chamamos de respiração perturbada durante o sono, que vai do ronco simples até a apneia obstrutiva do sono na criança, quando há pausas e queda na qualidade do sono e da oxigenação. É um tema que merece atenção porque o sono é fundamental para o desenvolvimento infantil. (Você pode se aprofundar nisso no nosso artigo sobre apneia do sono em crianças.)

    Pais em consulta com otorrinolaringologista para avaliação de adenoide e amígdalas da criança

    Sinais ligados às infecções de repetição (amígdalas)

    • Amigdalites de repetição: episódios frequentes de dor de garganta com febre, placas (pontos brancos) nas amígdalas e ínguas no pescoço.
    • Faltas recorrentes à escola e uso repetido de antibióticos ao longo do ano.

    Se a queixa principal são as dores de garganta repetidas, vale entender melhor o quadro na nossa página sobre amigdalite e dor de garganta.

    Sinais ligados ao ouvido

    • Otites de repetição ou líquido atrás do tímpano, que podem se relacionar com a adenoide aumentada.
    • Sensação de audição abafada ou pedir para aumentar o volume da TV, o que, em crianças, às vezes passa despercebido.

    Quando é caso de só acompanhar e quando é preciso investigar?

    Nem todo ronco e nem toda amígdala grande significam cirurgia. Em muitos casos, a conduta mais sensata é acompanhar, porque esses tecidos podem regredir com o crescimento.

    De forma geral, costuma fazer sentido observar e reavaliar quando:

    • o ronco é ocasional, ligado a resfriados ou crises de alergia, e melhora fora desses períodos;
    • não há pausas na respiração nem sinais de sono de má qualidade;
    • as infecções de garganta são pouco frequentes;
    • a criança cresce, dorme e rende bem no dia a dia.

    Por outro lado, costuma valer a pena investigar com um otorrinolaringologista quando há:

    • ronco frequente acompanhado de respiração bucal e sono agitado;
    • relato de pausas na respiração durante o sono;
    • impacto no comportamento, na atenção ou no rendimento escolar;
    • infecções de garganta repetidas ao longo do ano;
    • otites de repetição ou suspeita de perda auditiva.

    A decisão entre acompanhar e operar é individual e leva em conta a intensidade dos sintomas, a idade da criança, o impacto na vida dela e o exame físico e não apenas o tamanho dos tecidos isoladamente.

    Como o otorrinolaringologista avalia a criança?

    A avaliação começa por uma conversa detalhada (história clínica) e pelo exame físico. Muitas vezes, esse conjunto já orienta bem a conduta. Dependendo do caso, o médico pode lançar mão de:

    • Exame da garganta e do nariz, para estimar o tamanho das amígdalas e avaliar a respiração.
    • Nasofibroscopia (exame com uma câmera fina e flexível) ou, em alguns casos, radiografia de cavum, para avaliar a adenoide, que normalmente não é visível a olho nu. A escolha do exame depende da idade e da colaboração da criança.
    • Polissonografia (exame do sono): é o exame de referência para confirmar e medir a gravidade da apneia obstrutiva do sono. Segundo as diretrizes, costuma ser indicado quando há dúvida sobre a real necessidade de operar ou em crianças com condições que aumentam o risco (por exemplo, idade muito baixa, obesidade, síndrome de Down, alterações craniofaciais ou neuromusculares). Nem toda criança precisa desse exame antes da cirurgia.
    • Avaliação da audição, quando há suspeita de otites ou de perda auditiva.

    O objetivo dessa etapa é entender o quadro como um todo, e não apenas “o quanto está grande”, para que a indicação, se houver, seja realmente fundamentada.

    Quando a cirurgia costuma ser indicada na criança?

    A cirurgia mais comum nesse contexto é a adenoamigdalectomia (retirada da adenoide e das amígdalas). Em alguns casos, retira-se apenas a adenoide (adenoidectomia) ou apenas as amígdalas (amigdalectomia), conforme a avaliação.

    As diretrizes médicas reconhecidas (como as da Academia Americana de Otorrinolaringologia – AAO-HNS) organizam as indicações em torno de dois grandes motivos. Vale reforçar que esses critérios orientam a consulta, mas a indicação cirúrgica é sempre uma decisão individual, tomada caso a caso entre a família e o médico e não uma recomendação automática para toda criança com adenoide ou amígdalas aumentadas.

    Infográfico comparando quando acompanhar e quando operar adenoide e amígdalas na criança

    1. Obstrução respiratória e apneia do sono

    Quando o aumento da adenoide e/ou das amígdalas causa apneia obstrutiva do sono ou uma respiração perturbada durante o sono com impacto na criança, a cirurgia é considerada o tratamento de primeira linha, de acordo com as principais diretrizes. Nesses casos, a melhora do sono e da respiração costuma ser o principal objetivo.

    2. Infecções de garganta de repetição

    Para as amigdalites de repetição, as diretrizes adotam critérios bem objetivos (conhecidos como critérios de Paradise) para ajudar a decidir. De modo geral, a cirurgia tende a ser considerada quando o número de episódios de dor de garganta bem documentados é:

    • 7 ou mais episódios em 1 ano; ou
    • 5 ou mais episódios por ano, nos últimos 2 anos; ou
    • 3 ou mais episódios por ano, nos últimos 3 anos.

    Para esse fim, cada episódio precisa ter sido um episódio de dor de garganta acompanhado de pelo menos um dos seguintes achados: febre acima de 38,3 °C, ínguas no pescoço (linfonodos dolorosos), placas (exsudato) nas amígdalas ou exame positivo para a bactéria estreptococo (Streptococcus do grupo A).

    Abaixo desses números, as diretrizes recomendam acompanhar e aguardar, em vez de operar, dado que nesses casos a cirurgia pode não trazer tanto benefício. Isso não é uma regra rígida e automática: situações particulares (como amigdalites graves, abscessos de repetição ou outros fatores) podem mudar a avaliação, sempre de forma individual.

    Em resumo: número de episódios não é tudo, mas é um ponto de partida importante. Por isso vale a pena anotar as datas e os sintomas das amigdalites do seu filho ao longo do tempo, esse histórico ajuda muito o médico a decidir.

    Como costuma ser a recuperação da cirurgia?

    A adenoamigdalectomia costuma ser uma cirurgia de curta duração, em geral com alta no mesmo dia ou após uma noite de observação, dependendo da idade da criança, do caso e da avaliação da equipe.

    Pontos gerais que costumam fazer parte do pós-operatório (sempre conforme a orientação individual do médico):

    • Dor de garganta nos primeiros dias, que é esperada e controlada com medicação.
    • Alimentação preferencialmente fria, macia e leve no início, voltando aos poucos ao normal.
    • Repouso relativo e afastamento temporário da escola e de atividades físicas mais intensas por alguns dias.
    • Atenção a sinais de alarme orientados pela equipe, como sangramento, situação em que se deve buscar atendimento.

    Hoje em dia existe a possibilidade de usar algumas tecnologias que melhoram a qualidade e a segurança do pós-operatório, como por exemplo a radiofrequência. Para saber mais sobre esse avanço na cirurgia, acesse a minha página sobre a amigdalectomia com coblation.

    Como toda cirurgia, a adenoamigdalectomia tem benefícios e também riscos, que devem ser explicados e ponderados caso a caso. Não existe procedimento sem riscos, e a decisão deve sempre comparar o que se ganha com o que se evita. O acompanhamento depois da cirurgia é parte importante do processo.

    Perguntas frequentes dos pais (FAQ)

    É normal criança roncar?

    Roncar de vez em quando, durante um resfriado, pode acontecer. O que merece atenção é o ronco frequente, especialmente quando vem acompanhado de respiração pela boca, sono agitado ou pausas na respiração. Nesses casos, vale procurar avaliação.

    Adenoide e amígdala aumentadas sempre precisam de cirurgia?

    Não. Muitos casos são acompanhados ao longo do tempo, porque esses tecidos podem regredir com o crescimento. A cirurgia é considerada quando há obstrução significativa do sono/respiração ou infecções de repetição dentro de certos critérios.

    Retirar a adenoide e as amígdalas enfraquece a imunidade da criança?

    O sistema de defesa do corpo é amplo e conta com vários outros órgãos e mecanismos. Quando a cirurgia é bem indicada, a retirada desses tecidos não costuma comprometer a imunidade da criança de forma relevante.

    Qual a diferença entre adenoidectomia, amigdalectomia e adenoamigdalectomia?

    Adenoidectomia é a retirada apenas da adenoide; amigdalectomia, apenas das amígdalas; e adenoamigdalectomia, das duas. O que será retirado depende da avaliação de cada criança.

    O ronco e a respiração pela boca melhoram depois da cirurgia?

    Quando o problema é causado principalmente pelo aumento desses tecidos, a tendência é de melhora importante da respiração e do sono. Em parte das crianças, sobretudo quando há outros fatores (como obesidade), pode haver necessidade de acompanhamento e de medidas adicionais. A avaliação individual é o que define a expectativa realista.

    Existe uma idade certa para operar?

    Não há uma idade única. A decisão considera os sintomas, o impacto na criança e a avaliação do otorrinolaringologista. Em crianças muito pequenas, costuma-se ter cuidado adicional na investigação.

    Dá para tratar sem cirurgia?

    Em alguns quadros, especialmente os mais leves ou ligados a alergia, o acompanhamento e o tratamento clínico das causas associadas (como a rinite) podem ser suficientes. A conduta depende do caso.

    Quando procurar avaliação?

    Se o seu filho ronca com frequência, dorme de boca aberta, tem sono agitado, apresenta pausas na respiração ou tem amigdalites de repetição, vale a pena conversar com um otorrinolaringologista. Uma avaliação cuidadosa ajuda a definir, com critério, se o melhor caminho é acompanhar ou operar, e a tirar de cima dos pais o peso de decidir sozinhos.

    Para entender melhor o quadro de adenoide aumentada na infância, você pode ler também a nossa página sobre hipertrofia de adenoides em crianças e, se a cirurgia estiver em discussão, a página sobre a adenoamigdalectomia. Há ainda um conteúdo dedicado à cirurgia de adenoide e amígdalas em crianças.

    O Dr. José Eduardo Merighe Marcondes, MÉDICO (CRM-SP 107.711, RQE 43.840), otorrinolaringologista, atende crianças e adultos no Morumbi e no Itaim (São Paulo-SP) e em Alphaville (Barueri-SP), com atuação em ronco e apneia do sono, inclusive na infância. Agende uma avaliação.

    Este conteúdo é informativo, não substitui a consulta médica e não dispensa a conduta definida pelo seu médico.

    Sobre o autor

    Dr. José Eduardo Marcondes

    Médico Otorrinolaringologista · CRM-SP 107.711 · RQE 43.840

    Formado e residente pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), com mais de duas décadas de experiência. Focado no tratamento do ronco e da apneia do sono, obstrução nasal, sinusite crônica, adenoides e amígdalas, em adultos e crianças. Membro da ABORL-CCF e do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, Vila Nova Star e São Luiz.

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  • Perda de audição em crianças: o que pais e famílias precisam saber

    Perda de audição em crianças: o que pais e famílias precisam saber

    A audição é a base da linguagem, da socialização e do aprendizado, e pequenas mudanças no ouvir podem gerar grandes impactos no desenvolvimento infantil. Identificar cedo, acolher com informação de qualidade e agir com rapidez transforma trajetórias de fala, escola e convivência em família.

    Por que a audição importa desde o berço

    Desde o nascimento, o cérebro aprende a linguagem a partir dos sons do ambiente e da voz de quem cuida. Quando a audição não está plena, a criança tende a falar mais tarde, cansar em ambientes ruidosos e depender da leitura labial para acompanhar conversas, o que pode ser confundido com desatenção ou timidez.

    Causas mais frequentes de perda de audição em crianças

    Otite média com efusão: líquido atrás do tímpano que reduz a passagem do som, comum na primeira infância e muitas vezes silencioso.

    – Perda sensorioneural congênita: pode ser genética, isolada ou parte de síndromes, com comportamento estável ou progressivo ao longo do tempo.

    – Infecções: citomegalovírus na gestação e meningite na infância estão entre as causas infecciosas mais relevantes.

    – Fatores perinatais: prematuridade, internação neonatal, icterícia importante e hipóxia aumentam o risco e pedem vigilância.

    – Ototoxicidade e ruído: alguns medicamentos e o uso prolongado de fones em volume alto podem lesar a cóclea, especialmente em escolares e adolescentes.

    – Outras condições: tampão de cerúmen, alterações anatômicas do ouvido e doenças autoimunes também entram no radar.

    Sinais que merecem atenção

    – No início da vida: pouco susto com barulhos intensos, balbucio escasso, dificuldade para localizar sons e menor resposta ao próprio nome.

    – Na primeira infância: atraso de fala, trocas fonéticas persistentes, necessidade de ver a boca de quem fala e aparente desatenção.

    – Em idade escolar: volume da televisão sempre alto, pedidos constantes de repetição, cansaço auditivo no fim do dia e queixas de zumbido.

    – Em qualquer idade: história familiar de perda auditiva, otites de repetição, rinite e respiração oral crônica são sinais adicionais de alerta.

    O que observar no dia a dia

    – Marcos de linguagem: evolução do balbucio para sílabas, palavras e frases deve ocorrer de forma contínua, mesmo em contextos bilíngues.

    – Ambientes ruidosos: dificuldade desproporcional para acompanhar conversas em festas, restaurantes e sala de aula sugere perda leve a moderada.

    – Saúde das vias aéreas: rinite, adenoide aumentada, ronco e otites frequentes pedem avaliação otorrinolaringológica.

    – Exposições e histórico: fones de ouvido, internação neonatal, icterícia acentuada, meningite e uso de medicamentos com potencial ototóxico indicam necessidade de seguimento mais próximo.

    Como é feito o diagnóstico

    – Na maternidade: o teste da orelhinha com emissões otoacústicas é obrigatório e detecta alterações ainda antes da alta, permitindo encaminhamento seguro.

    – Linha do tempo ideal: triagem até o primeiro mês, confirmação diagnóstica até o terceiro mês e início da intervenção até o sexto mês aproveitam a melhor janela de neuroplasticidade.

    – Testes objetivos e comportamentais: emissões, potencial evocado auditivo, timpanometria e audiometrias lúdicas ajudam a definir tipo e grau de perda com precisão.

    – Investigação da causa: estudo genético quando indicado, exames de imagem em casos selecionados e pesquisa para citomegalovírus nas primeiras semanas em situações suspeitas.

    – Trabalho em equipe: integração entre otorrinolaringologia pediátrica e fonoaudiologia traduz resultados de exames em um plano terapêutico personalizado.

    Tratamento e reabilitação

    – Otite com efusão: muitas vezes melhora com observação ativa, cuidado das alergias e higiene nasal; quando persiste com impacto auditivo, tubos de ventilação podem restabelecer a audição de condução, e adenoidectomia pode ser considerada em situações específicas. Em linguagem para os pais, entenda por que às vezes é preciso colocar o tubinho.

    – Perdas condutivas: remoção de cerúmen, tratamento de otites e dispositivos de condução óssea oferecem ganhos funcionais expressivos.

    – Perdas sensorioneurais: aparelhos auditivos modernos e sistemas de microfone remoto melhoram a compreensão de fala em casa e na escola; em perdas profundas bilaterais, o implante coclear após avaliação criteriosa abre oportunidades valiosas para a linguagem.

    – Citomegalovírus congênito: em cenários selecionados, antivirais iniciados precocemente podem reduzir a progressão da perda, sempre com acompanhamento especializado.

    – Fonoaudiologia e escola: terapia centrada na família, estímulos auditivo‑verbais e ajustes de sala de aula consolidam resultados e autonomia.

    – Seguimento contínuo: crianças com fatores de risco ou perdas flutuantes precisam de reavaliações periódicas, ajustes de dispositivos e estratégias de comunicação consistentes.

    Prevenção e hábitos saudáveis

    – Vacinação atualizada reduz infecções associadas à perda auditiva.

    – Controle de rinite e alergias diminui episódios de otite com efusão.

    – Uso responsável de fones, pausas auditivas regulares e volumes confortáveis protegem a cóclea; em shows e esportes motorizados, protetores auriculares são recomendados.

    – Ambientes com boa acústica em casa e na escola favorecem a compreensão de fala e o aprendizado.

    Quando buscar avaliação

    Atraso de fala, otites recorrentes, dificuldade em ambientes ruidosos ou falha em qualquer etapa da triagem são motivos para consultar um otorrinolaringologista e uma fonoaudióloga. Quanto mais cedo o cuidado começa, maiores são os ganhos de linguagem, desempenho acadêmico e bem‑estar social.

    Cuidado de excelência em São Paulo e Alphaville

    O Dr. José Eduardo Marcondes oferece um atendimento completo e humanizado para a perda de audição em crianças. Com mais de duas décadas de experiência e atuação em endereços de referência, cada criança recebe um plano sob medida, com comunicação clara, acompanhamento próximo e metas terapêuticas alinhadas à rotina da família.

    Próximo passo

    Diante de qualquer suspeita, agendar uma avaliação especializada é a forma mais segura de proteger o desenvolvimento infantil. Uma consulta atenta, com exames adequados à idade, permite agir com precisão e confiança, para que a criança cresça ouvindo, falando e aprendendo com plenitude.

    Dr. José Eduardo Marcondes, médico otorrinolaringologista, CRM-SP 107.711, RQE 43.840. Este conteúdo é informativo, não substitui a consulta médica e não dispensa a conduta definida pelo seu médico.

    Sobre o autor

    Dr. José Eduardo Marcondes

    Médico Otorrinolaringologista · CRM-SP 107.711 · RQE 43.840

    Formado e residente pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), com mais de duas décadas de experiência. Focado no tratamento do ronco e da apneia do sono, obstrução nasal, sinusite crônica, adenoides e amígdalas, em adultos e crianças. Membro da ABORL-CCF e do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, Vila Nova Star e São Luiz.

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  • Apneia do Sono em Crianças: O Que os Pais Devem Prestar Atenção!

    Apneia do Sono em Crianças: O Que os Pais Devem Prestar Atenção!

    Como identificar a apneia do sono em crianças: sinais que os pais não devem ignorar

    Vocês, pais, passam horas observando seus filhos dormir, percebendo cada detalhe do rostinho relaxado e da respiração. Mas já notaram algum comportamento estranho durante o sono? Roncos altos, pausas na respiração, sono agitado ou sonolência excessiva durante o dia podem ser sinais de apneia obstrutiva do sono, um problema mais comum do que imaginamos e que pode afetar seriamente o desenvolvimento das crianças. Para se ter uma ideia, a apneia atinge cerca de 1% a 5% das crianças e é mais frequente entre os 2 e os 8 anos, fase em que as amígdalas e adenoides costumam ser proporcionalmente maiores.

    O que é apneia do sono infantil?

    A apneia obstrutiva do sono é um distúrbio respiratório que ocorre durante o sono, caracterizado por interrupções momentâneas na respiração. Durante essas pausas, que podem durar alguns segundos, a criança literalmente para de respirar devido ao bloqueio das vias aéreas superiores. Esses episódios acontecem repetidamente ao longo da noite, fragmentando o sono e impedindo que a criança tenha o descanso reparador necessário para seu desenvolvimento.

    Identificando mudanças no comportamento diário

    Muitas vezes, os primeiros sinais da apneia aparecem durante o dia, nas atividades cotidianas da criança. Como médico, sempre peço aos pais para observarem o comportamento escolar dos filhos. Crianças com apneia frequentemente apresentam dificuldade para se concentrar nas aulas, dispersando-se facilmente durante explicações ou na hora de fazer lição de casa.

    A memória também fica comprometida. Vocês podem notar que seu filho esquece recados simples, tem dificuldade para lembrar onde colocou os brinquedos ou precisa de várias repetições para decorar uma música ou poesia. O processamento de informações fica mais lento, fazendo com que a criança demore mais para entender comandos ou responder perguntas.

    Criança com sonolência diurna deitada bocejando
    Criança com sonolência diurna deitada bocejando

    No aspecto comportamental, fiquem atentos à irritabilidade excessiva, especialmente no final do dia. Crianças que antes eram tranquilas podem se tornar agressivas, ter crises de birra sem motivo aparente ou apresentar hiperatividade. Paradoxalmente, ao contrário dos adultos que ficam sonolentos, muitas crianças com apneia ficam agitadas e inquietas como forma de compensar o cansaço.

    O desempenho escolar costuma ser um dos primeiros aspectos a chamar atenção de pais e professores. Queda nas notas, dificuldade para acompanhar o ritmo da turma, problemas de leitura e escrita podem ser reflexos diretos da fragmentação do sono. Algumas crianças são até encaminhadas para avaliação de déficit de atenção, quando na verdade o problema está no sono inadequado.

    Como o sono fragmentado prejudica o desenvolvimento

    Quando o sono é constantemente interrompido pelos episódios de apneia, a criança não consegue atingir as fases mais profundas do sono, essenciais para o desenvolvimento. Durante essas fases, o cérebro consolida memórias, processa informações aprendidas durante o dia e libera hormônios fundamentais para o crescimento.

    A privação crônica de oxigênio, causada pelas pausas respiratórias, afeta diretamente o funcionamento do cérebro. As células cerebrais, especialmente nas áreas responsáveis pela atenção, memória e aprendizagem, sofrem com essa redução de oxigenação. Com o tempo, isso pode levar a alterações permanentes no desenvolvimento cognitivo se não for tratado adequadamente.

    Além disso, o corpo da criança fica em constante estado de estresse durante a noite, liberando hormônios como cortisol que podem interferir no crescimento e no desenvolvimento emocional. É por isso que muitas crianças com apneia apresentam baixo ganho de peso e altura, além de alterações de humor.

    Sinais que devem despertar sua atenção

    Como médico com mais de 20 anos de experiência, sempre oriento os pais a observarem atentamente o comportamento dos filhos durante a noite e o dia.

    Durante o sono, fiquem atentos ao ronco frequente e alto, que pode ser tão intenso que os acorda à noite. Observem se há pausas na respiração seguidas por respiração ofegante ou sons de sufocamento. A criança pode dormir em posições estranhas, tentando facilitar a passagem do ar, apresentar sono extremamente agitado, mudando constantemente de posição, e transpiração excessiva durante a noite.

    Criança com apneia do sono dormindo de boca aberta
    Criança com apneia do sono dormindo de boca aberta

    Durante o dia, notem se a criança apresenta sonolência excessiva, cansaço constante mesmo após uma noite de sono, irritabilidade, agressividade ou hiperatividade, dificuldade de concentração na escola e queda no rendimento escolar. Muitas vezes, ao contrário dos adultos que ficam sonolentos, crianças com apneia podem ficar hiperativas e agitadas.

    Sintomas específicos da respiração e alimentação

    A respiração pela boca é um sinal importante que não deve ser ignorado. Quando a criança mantém a boca constantemente aberta, mesmo durante o dia, pode indicar obstrução nasal crônica. O mau hálito persistente e o ressecamento dos lábios e ao redor da boca também são consequências dessa respiração oral.

    Na alimentação, observem comportamentos específicos que indicam dificuldade respiratória. Crianças com apneia frequentemente comem de boca aberta, fazendo ruídos durante a mastigação. Elas podem mastigar muito devagar, parando constantemente para respirar pela boca, ou engolir grandes pedaços de comida para evitar mastigar por muito tempo.

    Algumas crianças preferem alimentos pastosos ou líquidos, evitando texturas que exigem mastigação prolongada. Durante as refeições, podem parecer ofegantes ou cansadas, especialmente ao consumir alimentos que demandam mais esforço mastigatório. É comum também reclamarem de dificuldade para engolir ou sensação de comida “parada” na garganta.

    Fiquem atentos também às queixas de ouvido tampado, zumbido ou dor de ouvido frequente. A apneia pode causar disfunção da tuba auditiva, levando a otites de repetição e comprometimento da audição.

    Por que é tão importante ficar atento?

    A apneia do sono não é apenas um problema de respiração durante a noite. Suas consequências podem ser devastadoras para o desenvolvimento infantil, e é por isso que sempre enfatizo a importância do diagnóstico precoce.

    Impacto no crescimento e desenvolvimento: Durante o sono profundo, o corpo libera hormônios fundamentais para o crescimento. Crianças com apneia podem apresentar baixo ganho de peso e altura, além de alterações no desenvolvimento facial e da arcada dentária.

    Prejuízos cognitivos e de aprendizagem: A fragmentação do sono e a diminuição dos níveis de oxigênio afetam diretamente o desenvolvimento do cérebro. Estudos mostram que crianças com apneia apresentam dificuldades de memória, atenção, concentração e processamento de informações. O desempenho escolar pode ficar comprometido, com notas mais baixas e dificuldades de aprendizagem.

    Alterações comportamentais e emocionais: A privação do sono de qualidade pode levar a problemas comportamentais significativos. Crianças podem apresentar hiperatividade, agressividade, déficit de atenção, irritabilidade e até sintomas semelhantes ao TDAH. Problemas emocionais como ansiedade e depressão também podem se desenvolver.

    Complicações cardiovasculares: Embora menos comuns em crianças, a apneia pode levar a hipertensão pulmonar e, em casos graves, problemas cardíacos. A privação crônica de oxigênio sobrecarrega o sistema cardiovascular.

    Fatores de risco importantes

    Algumas crianças têm maior predisposição para desenvolver apneia do sono. O aumento das amígdalas e adenoides é a causa mais comum na infância. A obesidade infantil também aumenta significativamente o risco. Crianças com alergias respiratórias, refluxo gastroesofágico, malformações craniofaciais ou síndromes genéticas também merecem atenção especial. Quando a causa é o aumento das amígdalas e adenoides, a cirurgia (adenoamigdalectomia) é o tratamento de primeira escolha e ajuda a maioria das crianças. Ainda assim, ela não é garantia de cura: parte das crianças, sobretudo as que têm obesidade ou já são mais velhas, pode manter algum grau de apneia depois da cirurgia. Por isso a reavaliação após o tratamento é tão importante.

    A importância do diagnóstico precoce

    Muitas vezes passa bastante tempo entre o início dos sintomas e o diagnóstico correto, e durante esse período a criança fica exposta às complicações que mencionei. Por isso, sempre digo aos pais: não ignorem os sinais.

    O diagnóstico envolve uma avaliação clínica detalhada, questionários específicos para rastrear distúrbios do sono e, quando necessário, a polissonografia, que é o exame padrão-ouro. Quanto mais cedo identificamos e tratamos a apneia, melhores são os resultados para o desenvolvimento da criança.

    Criança realizando polissonografia para diagnóstico de apneia do sono

    O que esperar do tratamento

    Um grande estudo internacional (o ensaio CHAT, publicado no New England Journal of Medicine em 2013) ajudou a entender o que esperar da cirurgia em crianças com apneia leve a moderada. Comparada à simples observação, a adenoamigdalectomia melhorou o comportamento, a qualidade de vida, os sintomas e a própria polissonografia.

    Como é o tratamento

    O tratamento é individualizado. Nos casos mais leves, medidas como o corticoide em spray nasal e, em situações selecionadas, o antileucotrieno (montelucaste) podem ajudar, ainda que a evidência seja de curto prazo. Quando há aumento importante das amígdalas e adenoides, a cirurgia é a primeira escolha. Se sobrar apneia depois da cirurgia, ou quando a cirurgia não está indicada, o CPAP (um aparelho que mantém a via aérea aberta com pressão de ar) é uma boa opção. E na criança com obesidade, o controle do peso faz parte do tratamento, porque a obesidade aumenta o risco de a apneia persistir.

    Quando procurar ajuda?

    Se vocês identificarem qualquer um desses sinais em seus filhos, especialmente roncos frequentes, pausas respiratórias observadas durante o sono ou alterações comportamentais significativas, não hesitem em procurar avaliação especializada. Como sempre digo aos pais em meu consultório: a qualidade do sono do seu filho é fundamental para seu futuro.

    Lembrem-se de que a apneia do sono infantil tem tratamento, e quanto mais precoce a intervenção, melhores serão os resultados para o desenvolvimento físico, cognitivo e emocional da criança. Agendem uma consulta pelo nosso WhatsApp para avaliarmos juntos a melhor forma de garantir noites tranquilas e um desenvolvimento saudável para seu pequeno.

    Perguntas frequentes

    Todo ronco é sinal de apneia?

    Não. Roncar de vez em quando é comum. O sinal de alerta é o ronco frequente e alto acompanhado de pausas na respiração, engasgos ou sono muito agitado. É essa combinação que merece avaliação.

    Meu filho precisa mesmo de polissonografia?

    A polissonografia é o exame padrão para confirmar a apneia e medir a gravidade. Nem toda criança precisa fazer logo de início: a avaliação começa pela história clínica e pelo exame do nariz e da garganta, e o especialista indica a polissonografia quando o resultado vai mudar a conduta.

    A cirurgia de amígdalas e adenoides cura a apneia?

    Na maioria das crianças com aumento dessas estruturas, a cirurgia melhora muito ou resolve o quadro. Mas não é garantia: crianças com obesidade ou mais velhas podem manter algum grau de apneia, por isso a reavaliação depois da cirurgia é importante.

    Meu filho é obeso. Isso muda alguma coisa?

    Sim. A obesidade aumenta o risco de apneia e a chance de ela continuar mesmo depois da cirurgia. Nesses casos, o controle do peso faz parte do tratamento e às vezes é preciso complementar com o CPAP.

    Apneia pode ser confundida com TDAH?

    Pode. A apneia causa desatenção, agitação e hiperatividade que lembram o TDAH, e não é raro a criança ser encaminhada como se tivesse o transtorno. Tratar a apneia costuma melhorar esses sintomas, mas as duas condições também podem coexistir. Por isso vale investigar o sono antes de fechar o diagnóstico.

    Referências

    1. Marcus CL, Moore RH, Rosen CL, et al.; Childhood Adenotonsillectomy Trial (CHAT). A randomized trial of adenotonsillectomy for childhood sleep apnea. New England Journal of Medicine. 2013;368(25):2366-2376.
    2. Marcus CL, Brooks LJ, Draper KA, et al.; American Academy of Pediatrics. Diagnosis and Management of Childhood Obstructive Sleep Apnea Syndrome. Pediatrics. 2012;130(3):576-584.
    3. Lumeng JC, Chervin RD. Epidemiology of pediatric obstructive sleep apnea. Proceedings of the American Thoracic Society. 2008;5(2):242-252.
    4. Bhattacharjee R, Kheirandish-Gozal L, Spruyt K, et al. Adenotonsillectomy outcomes in treatment of obstructive sleep apnea in children: a multicenter retrospective study. American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine. 2010;182(5):676-683.
    5. Kheirandish-Gozal L, Gozal D. Intranasal budesonide treatment for children with mild obstructive sleep apnea syndrome. Pediatrics. 2008;122(1):e149-e155.
    6. Goldbart AD, Greenberg-Dotan S, Tal A. Montelukast for children with obstructive sleep apnea. Pediatrics. 2012;130(3):e575-e580.

    Este conteúdo é informativo, não substitui a consulta médica e não dispensa a conduta definida pelo seu médico.

    Sobre o autor

    Dr. José Eduardo Marcondes

    Médico Otorrinolaringologista · CRM-SP 107.711 · RQE 43.840

    Formado e residente pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), com mais de duas décadas de experiência. Focado no tratamento do ronco e da apneia do sono, obstrução nasal, sinusite crônica, adenoides e amígdalas, em adultos e crianças. Membro da ABORL-CCF e do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, Vila Nova Star e São Luiz.

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  • Cirurgia da adenoide e amígdalas em crianças

    Cirurgia da adenoide e amígdalas em crianças

    O que os pais devem observar ? Quando a cirurgia é necessária?

    Quero conversar com os pais, sobre a adenoamigdalectomia em crianças. Sei que o assunto pode gerar muitas dúvidas e, por isso, vou explicar de forma simples e clara tudo o que é importante para que vocês entendam o que está acontecendo com seu filho, o que é necessário observar, quando é hora de considerar a cirurgia e como ela é feita.

    Primeiro de tudo : o que é a adenoide ?

    Essa é uma das dúvidas mais comuns dos pais. O que é a adenoide, chamada de carne esponjosa? A adenoide é uma espécie de amígdala que fica no fundo do nariz. É uma estrutura que todas as crianças tem, mas que pode gerar muitos problemas quando esta muito grande.

    Quais são os aspectos em que se deve prestar atenção?

    Um dos aspectos mais importantes é perceber se seu filho respira pela boca com frequência, mesmo quando não está resfriado. A respiração nasal obstruída faz com que a criança durma com a boca aberta e muitas vezes ronque.

    Fiquem atentos também ao humor do pequeno: cansaço excessivo, irritabilidade sem motivo aparente e falta de disposição podem estar ligados à má oxigenação durante o sono.

    Se vocês notam a voz mais “presa”, abafada ou anasalada, pode ser sinal de obstrução nasal. E vale registrar qualquer relato de pausas na respiração enquanto ele dorme.

    Outro aspecto são crianças que comem muito rápido ou demoram muito para engolir a comida.

    Sintomas e sinais que indicam hipertrofia de adenoide

    Quando a adenoide cresce demais, surgem alguns sinais que não passam despercebidos.

    A criança reclama de nariz entupido sem que haja gripe, apresenta mau hálito constante e ressecamento ao redor da boca.

    Muitas vezes ela reclama de “ouvido tampado” ou zumbido, pois o aumento da adenoide impede a drenagem correta do ouvido médio, favorecendo infecções. As otites recorrentes são comuns e podem comprometer a audição.

    No sono, além do ronco, é frequente o sono agitado, despertando várias vezes e resultando em sonolência ou dificuldade de concentração na escola.

    Quando a cirurgia é indicada ?

    Costumo indicar a adenoamigdalectomia quando o tratamento com sprays nasais, antibióticos ou acompanhamento clínico não resolve a obstrução e as infecções continuam se repetindo.

    Se seu filho ronca muito, tem apneia obstrutiva durante a noite ou já sofreu três ou mais otites em poucos meses, a cirurgia pode ser a solução.

    Além disso, a respiração oral prolongada pode prejudicar o desenvolvimento facial e dentário, por isso intervenções em tempo hábil ajudam a evitar alterações na arcada dentária e no alinhamento dos dentes.

    Técnicas cirúrgicas tradicionais da adenoide e amígdalas em crianças

    O método clássico de remoção da adenoide e amígdalas em crianças usa instrumentos para cortar e curetar o tecido. É um procedimento seguro, mas pode gerar um pouco mais de desconforto e sangramento.

    O eletrocautério, que utiliza calor para remover o tecido e estancar o sangramento, tornou-se popular por diminuir o sangramento intraoperatório. No entanto, ainda causa dor moderada nos primeiros dias após a cirurgia.

    Tecnologias avançadas: microdebridador e radiofrequência

    Para oferecer mais conforto e segurança às crianças, utilizo duas tecnologias de ponta.

    O microdebridador para adenoidectomia é usado para realizar a cirurgia com uso de video, permitindo remover apenas o tecido excessivo, preservar estruturas saudáveis e reduzir o sangramento.

    Na amigdalectomia, a radiofrequência faz a remoção do tecido com calor controlado, resultando em menor dor no pós-operatório e recuperação mais rápida. O pós operatório é indescritivelmente mais tranquilo com o uso dessa tecnologia.

    Essas tecnologias permitem alta mais cedo, retorno às atividades escolares em pouco tempo e muito mais tranquilidade para toda a família.

    Caso o seu filho apresente essas características, agende uma consulta através do nosso whatsapp para entender melhor quais as melhores opções para melhora a vida dos seu pequeno.

    Dr. José Eduardo Marcondes, médico otorrinolaringologista, CRM-SP 107.711, RQE 43.840. Este conteúdo é informativo, não substitui a consulta médica e não dispensa a conduta definida pelo seu médico.

    Sobre o autor

    Dr. José Eduardo Marcondes

    Médico Otorrinolaringologista · CRM-SP 107.711 · RQE 43.840

    Formado e residente pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), com mais de duas décadas de experiência. Focado no tratamento do ronco e da apneia do sono, obstrução nasal, sinusite crônica, adenoides e amígdalas, em adultos e crianças. Membro da ABORL-CCF e do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, Vila Nova Star e São Luiz.

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  • Doutor, meu filho vai ter mesmo que colocar esse tubinho?

    Doutor, meu filho vai ter mesmo que colocar esse tubinho?

    Se você já passou noites em claro com seu filho no colo, chorando de dor de ouvido, e depois notou que, mesmo sem dor, ele parecia não escutar direito, pedia a televisão mais alta ou vivia distraído na escola, conhece de perto a angústia que traz você até esta pergunta. Quando as otites voltam sempre, ou quando fica líquido preso atrás do tímpano por muito tempo, o otorrino pode sugerir a colocação de um tubo de ventilação, também chamado de tubo de timpanostomia. Reuni aqui as perguntas que mais escuto no consultório, com o que a ciência mostra hoje, para você entender por que, quando e se esse “tubinho” faz sentido para o seu filho. Já adianto algo que costuma tranquilizar: na maior parte dos casos o tratamento é clínico ou expectante, e nem toda criança que tem otite vai precisar do tubo. Essa sensação de ouvido tampado também aparece, de forma passageira, em viagens de avião.

    Primeiro, entenda o que o tubinho resolve (e o que ele não resolve)

    O alvo do tratamento é o líquido preso no ouvido médio, o espaço atrás do tímpano. Ele pode se acumular depois de uma infecção (a chamada otite média com efusão, quando há líquido sem infecção ativa) ou vir junto de infecções que se repetem. Enquanto esse líquido está lá, o tímpano vibra mal e o som chega abafado, como se a criança estivesse com o ouvido tampado. Daí a perda de audição, o zumbido e, às vezes, a dificuldade de equilíbrio. A otite de repetição é uma causa comum de perda de audição em crianças.

    Vale colocar isso em perspectiva, porque assusta menos quando se conhece o quadro completo. O líquido no ouvido é comum e, na maioria das vezes, desaparece sozinho: cerca de 9 em cada 10 crianças têm ao menos um episódio antes dos 5 anos, metade se resolve em até 3 meses e cerca de 95% em um ano (AAO-HNS, 2016). Por isso o tubo não é para todo líquido que aparece. Ele entra em cena quando o líquido insiste em ficar e começa a atrapalhar a audição, ou quando as crises de otite são frequentes demais. O que o tubo faz é drenar esse líquido e ventilar o ouvido, equalizando a pressão. O que ele não faz é curar a alergia, a adenoide aumentada ou o resfriado que estão por trás do problema; sobre a causa, o tratamento é outro.

    Então, quando o tubo é realmente indicado?

    Duas situações concentram a indicação, e em ambas o exame do ouvido pesa mais do que a contagem de infecções isolada:

    • Líquido que persiste. Otite média com efusão nos dois ouvidos por três meses ou mais, com dificuldade de audição documentada, é a indicação mais bem estabelecida (AAO-HNS, 2022). Quando há sinais de impacto na fala, no aprendizado ou no comportamento, a indicação fica mais forte.
    • Otites de repetição, com uma ressalva importante. Considera-se otite de repetição quando há três ou mais episódios em seis meses, ou quatro em um ano. O tubo é indicado sobretudo quando ainda há líquido no ouvido no exame feito entre as crises; se o ouvido fica completamente seco nesse período, as diretrizes atuais não recomendam o tubo apenas pela contagem de infecções (AAO-HNS, 2022).

    Por que essa cautela? Porque um estudo randomizado publicado em 2021 comparou colocar o tubo com manter o tratamento clínico em crianças com otites de repetição e não encontrou diferença no número de novas otites ao longo de dois anos (1,48 contra 1,56 episódio por criança/ano). O tubo teve um ganho: aumentou o tempo até a próxima infecção (cerca de 4,3 contra 2,3 meses) (Hoberman, 2021). Ou seja, a decisão não é automática. Ela pesa o conjunto: audição, presença de líquido, frequência das crises e o quanto tudo isso afeta o sono, a fala e a escola do seu filho.

    Fora dessas situações, quando o líquido é recente (menos de três meses) e a audição está preservada, a conduta costuma ser observar, porque a chance de resolver sozinho é alta.

    Como é a cirurgia, e a anestesia é segura?

    Com o auxílio de um endoscópio, o médico faz uma pequena abertura na membrana do tímpano, aspira o líquido e insere o tubinho, que passa a funcionar como uma válvula, deixando o ar entrar e o líquido sair. Costuma levar de 10 a 15 minutos por ouvido, e na maioria das vezes a criança volta para casa no mesmo dia.

    A pergunta que mais preocupa os pais quase nunca é sobre o tubo, e sim sobre a anestesia. Em crianças usamos anestesia geral, e é natural o receio. Vale saber que um grande estudo internacional randomizado acompanhou crianças que receberam menos de uma hora de anestesia geral ainda bebês e não encontrou diferença no desenvolvimento neurológico aos 5 anos em comparação com quem não recebeu (GAS, McCann, 2019). É uma cirurgia curta, feita por equipe habituada a operar crianças, e esse dado costuma trazer segurança para a família.

    Vai doer? Como é o pós-operatório?

    Durante a cirurgia, graças à anestesia, não há dor. Depois, é comum um leve incômodo ou uma secreção fina saindo pelo ouvido nos primeiros dias, mas nada que costume tirar o sono ou impedir as brincadeiras. Para o conforto, orientamos analgésico simples. Se aparecer secreção, o tratamento é local, com gotas otológicas; na maioria das vezes não é preciso antibiótico por via oral (AAO-HNS, 2022). Em poucos dias a sensação estranha desaparece e muitas famílias notam, logo de cara, que a criança volta a responder quando é chamada. Quando o líquido sai, a audição melhora.

    Água no ouvido: o que realmente mudou

    Este é o ponto que mais gera dúvida, porque a orientação mudou. Durante muitos anos pediu-se proteção rigorosa contra a água, com algodão, tampões e touca em todo banho e em toda piscina. As diretrizes mais recentes revisaram essa conduta: para a maioria das crianças com tubo, não é necessária proteção de rotina para o banho comum nem para nadar em água limpa e tratada (AAO-HNS, 2022). Os estudos mostraram que a proteção sistemática não reduziu de forma relevante a chance de secreção.

    A proteção passa a ser reservada para situações específicas, como mergulhar em profundidade, nadar em água de lago ou pouco tratada, mergulhar a cabeça em banho de banheira com sabão, ou quando a própria criança sente desconforto com a entrada de água. Como cada caso tem suas particularidades, o seu otorrino vai orientar o que se aplica ao seu filho. A boa notícia prática é que, na maioria das vezes, a rotina de banho e piscina segue quase normal.

    Quanto tempo o tubo fica e o que esperar do resultado

    O tubinho costuma permanecer em média cerca de 12 meses, até a membrana cicatrizar ao redor dele. Quando chega a hora, o próprio organismo o expulsa naturalmente, sem necessidade de outra cirurgia, e o furinho fecha sozinho na grande maioria das vezes. Por isso as consultas de retorno são importantes: confirmam que a saída ocorreu bem e que o tímpano está saudável.

    Sobre o resultado, a audição costuma melhorar rápido, e as revisões de estudos mostram um ganho claro no curto e médio prazo (MacKeith, 2023).

    Em alguns casos, quando não há melhora completa, é necessária uma nova colocação do tubo. Os principais fatores de risco para isso são a queda precoce do tubo, alterações craniofaciais, idade mais baixa e algumas condições clínicas, como a otite média aguda recorrente (Goel, 2021). Um fator que reduz a chance de uma nova cirurgia é a adenoidectomia feita junto com a colocação do tubo, sobretudo em crianças a partir dos 4 anos (Qian, 2025); em uma meta-análise, a adenoidectomia concomitante reduziu para cerca de metade a chance de precisar de novos tubos (Goel, 2021).

    Riscos e sequelas, com números

    Trata-se de um procedimento de baixo risco, mas, como toda cirurgia, tem intercorrências possíveis. Os números ajudam a dimensionar (Kay, Nelson e Rosenfeld, 2001):

    • Secreção pelo ouvido (otorreia): é a mais comum, em torno de 16% no pós-operatório imediato, quase sempre resolvida com gotas otológicas.
    • Cicatriz no tímpano (timpanosclerose): aparece em cerca de um terço dos casos após a saída do tubo, mas costuma ser apenas uma marca, sem efeito perceptível na audição.
    • Perfuração que não fecha sozinha: é incomum com os tubos de curta permanência (cerca de 2%) e mais frequente com os de longa permanência; quando ocorre, pode ser corrigida com um pequeno reparo.
    • Colesteatoma: muito raro (abaixo de 1%).

    O tubo também pode entupir ou sair antes do tempo, situações acompanhadas em consulta, em que o médico decide se é preciso recolocar.

    Existem alternativas ao tubo?

    Sim, e elas fazem parte da conversa. Quando o líquido no ouvido é recente e a audição está boa, a melhor conduta costuma ser esperar e reavaliar, porque a chance de resolução espontânea é alta. Tratar bem o que está por trás do quadro ajuda: controlar a rinite alérgica, cuidar de resfriados de repetição e avaliar a adenoide. Em algumas crianças, sobretudo a partir dos 4 anos ou quando há sintomas de adenoide, retirar a adenoide junto com a colocação do tubo reduz a chance de novos episódios (AAO-HNS, 2022). Antibióticos têm papel no tratamento das crises agudas, mas não são recomendados como prevenção contínua. Qual caminho faz sentido depende do exame, da audição e da história do seu filho.

    No fim das contas, a decisão sobre o tubinho é compartilhada entre você e o médico, olhando para a audição, para a frequência das crises e para o impacto no dia a dia da criança. Quando bem indicado, ele devolve uma boa audição, melhora o sono e a disposição, e interrompe um ciclo de crises que atrapalha justamente a fase de aprender a falar e conviver. Se ainda restou dúvida, agende uma conversa para avaliarmos o caso com calma. No consultório do Dr. José Eduardo Marcondes, médico otorrinolaringologista (CRM-SP 107.711 | RQE 43.840), a orientação é sempre individualizada, para você decidir com segurança e informação.

    Ilustração de tubo de ventilação (timpanostomia) posicionado na membrana do tímpano de uma criança

    Perguntas frequentes

    Meu filho pode nadar e tomar banho com o tubo?

    Na maioria dos casos, sim, sem proteção de rotina para o banho comum e para piscina de água limpa e tratada. As diretrizes atuais não recomendam mais tampões e touca para todas as crianças (AAO-HNS, 2022). A proteção fica reservada para situações específicas, como mergulho em profundidade ou água pouco tratada, e o seu otorrino orienta o que vale no seu caso.

    A cirurgia dói? E a anestesia geral é segura?

    Durante o procedimento não há dor, por causa da anestesia. É uma cirurgia curta, de poucos minutos por ouvido. Sobre a anestesia geral, um grande estudo randomizado mostrou que menos de uma hora de anestesia no início da vida não alterou o desenvolvimento neurológico das crianças aos 5 anos (GAS, McCann, 2019).

    O tubo cai sozinho? Precisa de outra cirurgia para tirar?

    Em geral o tubo fica cerca de 12 meses e o próprio organismo o expulsa de forma natural, sem nova cirurgia. O importante é manter as consultas de retorno para confirmar a saída e checar o tímpano.

    Uma vez colocado, resolve de vez?

    Costuma resolver as crises e a perda de audição do período. Mas parte dos casos precisa de um segundo tubo mais adiante, sobretudo quando o tubo cai cedo, na criança mais nova ou quando há alterações craniofaciais. Isso é esperado e não significa que algo deu errado.

    Toda otite precisa de tubo?

    Não. A maioria dos episódios de líquido no ouvido se resolve sozinha em semanas a meses. O tubo é considerado quando o líquido persiste e afeta a audição, ou quando as infecções se repetem com líquido presente ao exame.

    Existe alternativa antes de operar?

    Sim: observar e reavaliar quando o quadro é recente, tratar a rinite alérgica e avaliar a adenoide. Em casos selecionados, a retirada da adenoide junto com o tubo ajuda a reduzir recidivas. A escolha depende da avaliação individual.

    Referências

    1. American Academy of Otolaryngology–Head and Neck Surgery Foundation. Clinical Practice Guideline: Tympanostomy Tubes in Children (Update). Otolaryngology–Head and Neck Surgery. 2022;166(1_suppl):S1-S55.
    2. Rosenfeld RM, et al. Clinical Practice Guideline: Otitis Media with Effusion (Update). Otolaryngology–Head and Neck Surgery. 2016;154(1_suppl):S1-S41.
    3. Hoberman A, et al. Tympanostomy Tubes or Medical Management for Recurrent Acute Otitis Media. New England Journal of Medicine. 2021;384(19):1789-1799.
    4. MacKeith S, et al. Ventilation tubes (grommets) for otitis media with effusion (OME) in children. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2023;(11):CD015215.
    5. Kay DJ, Nelson M, Rosenfeld RM. Meta-analysis of tympanostomy tube sequelae. Otolaryngology–Head and Neck Surgery. 2001;124(4):374-380.
    6. Goel AN, Omorogbe A, Hackett A, Rothschild MA, Londino AV 3rd. Risk Factors for Multiple Tympanostomy Tube Placements in Children: Systematic Review and Meta-Analysis. The Laryngoscope. 2021;131(7):E2363-E2370.
    7. Qian ZJ, Truong MT, Alyono JC, Valdez T, Chang K. Tympanostomy Tube Insertion With and Without Adenoidectomy. JAMA Otolaryngology–Head & Neck Surgery. 2025;151(1):40-46.
    8. McCann ME, et al. Neurodevelopmental outcome at 5 years of age after general anaesthesia or awake-regional anaesthesia in infancy (GAS). The Lancet. 2019;393(10172):664-677.

    Dr. José Eduardo Marcondes, médico otorrinolaringologista, CRM-SP 107.711, RQE 43.840. Este conteúdo é informativo, não substitui a consulta médica e não dispensa a conduta definida pelo seu médico.

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    Dr. José Eduardo Marcondes

    Médico Otorrinolaringologista · CRM-SP 107.711 · RQE 43.840

    Formado e residente pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), com mais de duas décadas de experiência. Focado no tratamento do ronco e da apneia do sono, obstrução nasal, sinusite crônica, adenoides e amígdalas, em adultos e crianças. Membro da ABORL-CCF e do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, Vila Nova Star e São Luiz.

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