Categoria: Otorrinolaringologia

Artigos do Dr. José Eduardo Marcondes sobre ouvido, nariz, garganta e sono — a categoria geral que reúne todo o conteúdo do blog.

  • Perda de audição em crianças: o que pais e famílias precisam saber

    Perda de audição em crianças: o que pais e famílias precisam saber

    A audição é a base da linguagem, da socialização e do aprendizado, e pequenas mudanças no ouvir podem gerar grandes impactos no desenvolvimento infantil. Identificar cedo, acolher com informação de qualidade e agir com rapidez transforma trajetórias de fala, escola e convivência em família.

    Por que a audição importa desde o berço

    Desde o nascimento, o cérebro aprende a linguagem a partir dos sons do ambiente e da voz de quem cuida. Quando a audição não está plena, a criança tende a falar mais tarde, cansar em ambientes ruidosos e depender da leitura labial para acompanhar conversas, o que pode ser confundido com desatenção ou timidez.

    Causas mais frequentes de perda de audição em crianças

    Otite média com efusão: líquido atrás do tímpano que reduz a passagem do som, comum na primeira infância e muitas vezes silencioso.

    – Perda sensorioneural congênita: pode ser genética, isolada ou parte de síndromes, com comportamento estável ou progressivo ao longo do tempo.

    – Infecções: citomegalovírus na gestação e meningite na infância estão entre as causas infecciosas mais relevantes.

    – Fatores perinatais: prematuridade, internação neonatal, icterícia importante e hipóxia aumentam o risco e pedem vigilância.

    – Ototoxicidade e ruído: alguns medicamentos e o uso prolongado de fones em volume alto podem lesar a cóclea, especialmente em escolares e adolescentes.

    – Outras condições: tampão de cerúmen, alterações anatômicas do ouvido e doenças autoimunes também entram no radar.

    Sinais que merecem atenção

    – No início da vida: pouco susto com barulhos intensos, balbucio escasso, dificuldade para localizar sons e menor resposta ao próprio nome.

    – Na primeira infância: atraso de fala, trocas fonéticas persistentes, necessidade de ver a boca de quem fala e aparente desatenção.

    – Em idade escolar: volume da televisão sempre alto, pedidos constantes de repetição, cansaço auditivo no fim do dia e queixas de zumbido.

    – Em qualquer idade: história familiar de perda auditiva, otites de repetição, rinite e respiração oral crônica são sinais adicionais de alerta.

    O que observar no dia a dia

    – Marcos de linguagem: evolução do balbucio para sílabas, palavras e frases deve ocorrer de forma contínua, mesmo em contextos bilíngues.

    – Ambientes ruidosos: dificuldade desproporcional para acompanhar conversas em festas, restaurantes e sala de aula sugere perda leve a moderada.

    – Saúde das vias aéreas: rinite, adenoide aumentada, ronco e otites frequentes pedem avaliação otorrinolaringológica.

    – Exposições e histórico: fones de ouvido, internação neonatal, icterícia acentuada, meningite e uso de medicamentos com potencial ototóxico indicam necessidade de seguimento mais próximo.

    Como é feito o diagnóstico

    – Na maternidade: o teste da orelhinha com emissões otoacústicas é obrigatório e detecta alterações ainda antes da alta, permitindo encaminhamento seguro.

    – Linha do tempo ideal: triagem até o primeiro mês, confirmação diagnóstica até o terceiro mês e início da intervenção até o sexto mês aproveitam a melhor janela de neuroplasticidade.

    – Testes objetivos e comportamentais: emissões, potencial evocado auditivo, timpanometria e audiometrias lúdicas ajudam a definir tipo e grau de perda com precisão.

    – Investigação da causa: estudo genético quando indicado, exames de imagem em casos selecionados e pesquisa para citomegalovírus nas primeiras semanas em situações suspeitas.

    – Trabalho em equipe: integração entre otorrinolaringologia pediátrica e fonoaudiologia traduz resultados de exames em um plano terapêutico personalizado.

    Tratamento e reabilitação

    – Otite com efusão: muitas vezes melhora com observação ativa, cuidado das alergias e higiene nasal; quando persiste com impacto auditivo, tubos de ventilação podem restabelecer a audição de condução, e adenoidectomia pode ser considerada em situações específicas. Em linguagem para os pais, entenda por que às vezes é preciso colocar o tubinho.

    – Perdas condutivas: remoção de cerúmen, tratamento de otites e dispositivos de condução óssea oferecem ganhos funcionais expressivos.

    – Perdas sensorioneurais: aparelhos auditivos modernos e sistemas de microfone remoto melhoram a compreensão de fala em casa e na escola; em perdas profundas bilaterais, o implante coclear após avaliação criteriosa abre oportunidades valiosas para a linguagem.

    – Citomegalovírus congênito: em cenários selecionados, antivirais iniciados precocemente podem reduzir a progressão da perda, sempre com acompanhamento especializado.

    – Fonoaudiologia e escola: terapia centrada na família, estímulos auditivo‑verbais e ajustes de sala de aula consolidam resultados e autonomia.

    – Seguimento contínuo: crianças com fatores de risco ou perdas flutuantes precisam de reavaliações periódicas, ajustes de dispositivos e estratégias de comunicação consistentes.

    Prevenção e hábitos saudáveis

    – Vacinação atualizada reduz infecções associadas à perda auditiva.

    – Controle de rinite e alergias diminui episódios de otite com efusão.

    – Uso responsável de fones, pausas auditivas regulares e volumes confortáveis protegem a cóclea; em shows e esportes motorizados, protetores auriculares são recomendados.

    – Ambientes com boa acústica em casa e na escola favorecem a compreensão de fala e o aprendizado.

    Quando buscar avaliação

    Atraso de fala, otites recorrentes, dificuldade em ambientes ruidosos ou falha em qualquer etapa da triagem são motivos para consultar um otorrinolaringologista e uma fonoaudióloga. Quanto mais cedo o cuidado começa, maiores são os ganhos de linguagem, desempenho acadêmico e bem‑estar social.

    Cuidado de excelência em São Paulo e Alphaville

    O Dr. José Eduardo Marcondes oferece um atendimento completo e humanizado para a perda de audição em crianças. Com mais de duas décadas de experiência e atuação em endereços de referência, cada criança recebe um plano sob medida, com comunicação clara, acompanhamento próximo e metas terapêuticas alinhadas à rotina da família.

    Próximo passo

    Diante de qualquer suspeita, agendar uma avaliação especializada é a forma mais segura de proteger o desenvolvimento infantil. Uma consulta atenta, com exames adequados à idade, permite agir com precisão e confiança, para que a criança cresça ouvindo, falando e aprendendo com plenitude.

    Dr. José Eduardo Marcondes, médico otorrinolaringologista, CRM-SP 107.711, RQE 43.840. Este conteúdo é informativo, não substitui a consulta médica e não dispensa a conduta definida pelo seu médico.

    Sobre o autor

    Dr. José Eduardo Marcondes

    Médico Otorrinolaringologista · CRM-SP 107.711 · RQE 43.840

    Formado e residente pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), com mais de duas décadas de experiência. Focado no tratamento do ronco e da apneia do sono, obstrução nasal, sinusite crônica, adenoides e amígdalas, em adultos e crianças. Membro da ABORL-CCF e do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, Vila Nova Star e São Luiz.

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  • Apneia do Sono em Crianças: O Que os Pais Devem Prestar Atenção!

    Apneia do Sono em Crianças: O Que os Pais Devem Prestar Atenção!

    Como identificar a apneia do sono em crianças: sinais que os pais não devem ignorar

    Vocês, pais, passam horas observando seus filhos dormir, percebendo cada detalhe do rostinho relaxado e da respiração. Mas já notaram algum comportamento estranho durante o sono? Roncos altos, pausas na respiração, sono agitado ou sonolência excessiva durante o dia podem ser sinais de apneia obstrutiva do sono, um problema mais comum do que imaginamos e que pode afetar seriamente o desenvolvimento das crianças. Para se ter uma ideia, a apneia atinge cerca de 1% a 5% das crianças e é mais frequente entre os 2 e os 8 anos, fase em que as amígdalas e adenoides costumam ser proporcionalmente maiores.

    O que é apneia do sono infantil?

    A apneia obstrutiva do sono é um distúrbio respiratório que ocorre durante o sono, caracterizado por interrupções momentâneas na respiração. Durante essas pausas, que podem durar alguns segundos, a criança literalmente para de respirar devido ao bloqueio das vias aéreas superiores. Esses episódios acontecem repetidamente ao longo da noite, fragmentando o sono e impedindo que a criança tenha o descanso reparador necessário para seu desenvolvimento.

    Identificando mudanças no comportamento diário

    Muitas vezes, os primeiros sinais da apneia aparecem durante o dia, nas atividades cotidianas da criança. Como médico, sempre peço aos pais para observarem o comportamento escolar dos filhos. Crianças com apneia frequentemente apresentam dificuldade para se concentrar nas aulas, dispersando-se facilmente durante explicações ou na hora de fazer lição de casa.

    A memória também fica comprometida. Vocês podem notar que seu filho esquece recados simples, tem dificuldade para lembrar onde colocou os brinquedos ou precisa de várias repetições para decorar uma música ou poesia. O processamento de informações fica mais lento, fazendo com que a criança demore mais para entender comandos ou responder perguntas.

    Criança com sonolência diurna deitada bocejando
    Criança com sonolência diurna deitada bocejando

    No aspecto comportamental, fiquem atentos à irritabilidade excessiva, especialmente no final do dia. Crianças que antes eram tranquilas podem se tornar agressivas, ter crises de birra sem motivo aparente ou apresentar hiperatividade. Paradoxalmente, ao contrário dos adultos que ficam sonolentos, muitas crianças com apneia ficam agitadas e inquietas como forma de compensar o cansaço.

    O desempenho escolar costuma ser um dos primeiros aspectos a chamar atenção de pais e professores. Queda nas notas, dificuldade para acompanhar o ritmo da turma, problemas de leitura e escrita podem ser reflexos diretos da fragmentação do sono. Algumas crianças são até encaminhadas para avaliação de déficit de atenção, quando na verdade o problema está no sono inadequado.

    Como o sono fragmentado prejudica o desenvolvimento

    Quando o sono é constantemente interrompido pelos episódios de apneia, a criança não consegue atingir as fases mais profundas do sono, essenciais para o desenvolvimento. Durante essas fases, o cérebro consolida memórias, processa informações aprendidas durante o dia e libera hormônios fundamentais para o crescimento.

    A privação crônica de oxigênio, causada pelas pausas respiratórias, afeta diretamente o funcionamento do cérebro. As células cerebrais, especialmente nas áreas responsáveis pela atenção, memória e aprendizagem, sofrem com essa redução de oxigenação. Com o tempo, isso pode levar a alterações permanentes no desenvolvimento cognitivo se não for tratado adequadamente.

    Além disso, o corpo da criança fica em constante estado de estresse durante a noite, liberando hormônios como cortisol que podem interferir no crescimento e no desenvolvimento emocional. É por isso que muitas crianças com apneia apresentam baixo ganho de peso e altura, além de alterações de humor.

    Sinais que devem despertar sua atenção

    Como médico com mais de 20 anos de experiência, sempre oriento os pais a observarem atentamente o comportamento dos filhos durante a noite e o dia.

    Durante o sono, fiquem atentos ao ronco frequente e alto, que pode ser tão intenso que os acorda à noite. Observem se há pausas na respiração seguidas por respiração ofegante ou sons de sufocamento. A criança pode dormir em posições estranhas, tentando facilitar a passagem do ar, apresentar sono extremamente agitado, mudando constantemente de posição, e transpiração excessiva durante a noite.

    Criança com apneia do sono dormindo de boca aberta
    Criança com apneia do sono dormindo de boca aberta

    Durante o dia, notem se a criança apresenta sonolência excessiva, cansaço constante mesmo após uma noite de sono, irritabilidade, agressividade ou hiperatividade, dificuldade de concentração na escola e queda no rendimento escolar. Muitas vezes, ao contrário dos adultos que ficam sonolentos, crianças com apneia podem ficar hiperativas e agitadas.

    Sintomas específicos da respiração e alimentação

    A respiração pela boca é um sinal importante que não deve ser ignorado. Quando a criança mantém a boca constantemente aberta, mesmo durante o dia, pode indicar obstrução nasal crônica. O mau hálito persistente e o ressecamento dos lábios e ao redor da boca também são consequências dessa respiração oral.

    Na alimentação, observem comportamentos específicos que indicam dificuldade respiratória. Crianças com apneia frequentemente comem de boca aberta, fazendo ruídos durante a mastigação. Elas podem mastigar muito devagar, parando constantemente para respirar pela boca, ou engolir grandes pedaços de comida para evitar mastigar por muito tempo.

    Algumas crianças preferem alimentos pastosos ou líquidos, evitando texturas que exigem mastigação prolongada. Durante as refeições, podem parecer ofegantes ou cansadas, especialmente ao consumir alimentos que demandam mais esforço mastigatório. É comum também reclamarem de dificuldade para engolir ou sensação de comida “parada” na garganta.

    Fiquem atentos também às queixas de ouvido tampado, zumbido ou dor de ouvido frequente. A apneia pode causar disfunção da tuba auditiva, levando a otites de repetição e comprometimento da audição.

    Por que é tão importante ficar atento?

    A apneia do sono não é apenas um problema de respiração durante a noite. Suas consequências podem ser devastadoras para o desenvolvimento infantil, e é por isso que sempre enfatizo a importância do diagnóstico precoce.

    Impacto no crescimento e desenvolvimento: Durante o sono profundo, o corpo libera hormônios fundamentais para o crescimento. Crianças com apneia podem apresentar baixo ganho de peso e altura, além de alterações no desenvolvimento facial e da arcada dentária.

    Prejuízos cognitivos e de aprendizagem: A fragmentação do sono e a diminuição dos níveis de oxigênio afetam diretamente o desenvolvimento do cérebro. Estudos mostram que crianças com apneia apresentam dificuldades de memória, atenção, concentração e processamento de informações. O desempenho escolar pode ficar comprometido, com notas mais baixas e dificuldades de aprendizagem.

    Alterações comportamentais e emocionais: A privação do sono de qualidade pode levar a problemas comportamentais significativos. Crianças podem apresentar hiperatividade, agressividade, déficit de atenção, irritabilidade e até sintomas semelhantes ao TDAH. Problemas emocionais como ansiedade e depressão também podem se desenvolver.

    Complicações cardiovasculares: Embora menos comuns em crianças, a apneia pode levar a hipertensão pulmonar e, em casos graves, problemas cardíacos. A privação crônica de oxigênio sobrecarrega o sistema cardiovascular.

    Fatores de risco importantes

    Algumas crianças têm maior predisposição para desenvolver apneia do sono. O aumento das amígdalas e adenoides é a causa mais comum na infância. A obesidade infantil também aumenta significativamente o risco. Crianças com alergias respiratórias, refluxo gastroesofágico, malformações craniofaciais ou síndromes genéticas também merecem atenção especial. Quando a causa é o aumento das amígdalas e adenoides, a cirurgia (adenoamigdalectomia) é o tratamento de primeira escolha e ajuda a maioria das crianças. Ainda assim, ela não é garantia de cura: parte das crianças, sobretudo as que têm obesidade ou já são mais velhas, pode manter algum grau de apneia depois da cirurgia. Por isso a reavaliação após o tratamento é tão importante.

    A importância do diagnóstico precoce

    Muitas vezes passa bastante tempo entre o início dos sintomas e o diagnóstico correto, e durante esse período a criança fica exposta às complicações que mencionei. Por isso, sempre digo aos pais: não ignorem os sinais.

    O diagnóstico envolve uma avaliação clínica detalhada, questionários específicos para rastrear distúrbios do sono e, quando necessário, a polissonografia, que é o exame padrão-ouro. Quanto mais cedo identificamos e tratamos a apneia, melhores são os resultados para o desenvolvimento da criança.

    Criança realizando polissonografia para diagnóstico de apneia do sono

    O que esperar do tratamento

    Um grande estudo internacional (o ensaio CHAT, publicado no New England Journal of Medicine em 2013) ajudou a entender o que esperar da cirurgia em crianças com apneia leve a moderada. Comparada à simples observação, a adenoamigdalectomia melhorou o comportamento, a qualidade de vida, os sintomas e a própria polissonografia.

    Como é o tratamento

    O tratamento é individualizado. Nos casos mais leves, medidas como o corticoide em spray nasal e, em situações selecionadas, o antileucotrieno (montelucaste) podem ajudar, ainda que a evidência seja de curto prazo. Quando há aumento importante das amígdalas e adenoides, a cirurgia é a primeira escolha. Se sobrar apneia depois da cirurgia, ou quando a cirurgia não está indicada, o CPAP (um aparelho que mantém a via aérea aberta com pressão de ar) é uma boa opção. E na criança com obesidade, o controle do peso faz parte do tratamento, porque a obesidade aumenta o risco de a apneia persistir.

    Quando procurar ajuda?

    Se vocês identificarem qualquer um desses sinais em seus filhos, especialmente roncos frequentes, pausas respiratórias observadas durante o sono ou alterações comportamentais significativas, não hesitem em procurar avaliação especializada. Como sempre digo aos pais em meu consultório: a qualidade do sono do seu filho é fundamental para seu futuro.

    Lembrem-se de que a apneia do sono infantil tem tratamento, e quanto mais precoce a intervenção, melhores serão os resultados para o desenvolvimento físico, cognitivo e emocional da criança. Agendem uma consulta pelo nosso WhatsApp para avaliarmos juntos a melhor forma de garantir noites tranquilas e um desenvolvimento saudável para seu pequeno.

    Perguntas frequentes

    Todo ronco é sinal de apneia?

    Não. Roncar de vez em quando é comum. O sinal de alerta é o ronco frequente e alto acompanhado de pausas na respiração, engasgos ou sono muito agitado. É essa combinação que merece avaliação.

    Meu filho precisa mesmo de polissonografia?

    A polissonografia é o exame padrão para confirmar a apneia e medir a gravidade. Nem toda criança precisa fazer logo de início: a avaliação começa pela história clínica e pelo exame do nariz e da garganta, e o especialista indica a polissonografia quando o resultado vai mudar a conduta.

    A cirurgia de amígdalas e adenoides cura a apneia?

    Na maioria das crianças com aumento dessas estruturas, a cirurgia melhora muito ou resolve o quadro. Mas não é garantia: crianças com obesidade ou mais velhas podem manter algum grau de apneia, por isso a reavaliação depois da cirurgia é importante.

    Meu filho é obeso. Isso muda alguma coisa?

    Sim. A obesidade aumenta o risco de apneia e a chance de ela continuar mesmo depois da cirurgia. Nesses casos, o controle do peso faz parte do tratamento e às vezes é preciso complementar com o CPAP.

    Apneia pode ser confundida com TDAH?

    Pode. A apneia causa desatenção, agitação e hiperatividade que lembram o TDAH, e não é raro a criança ser encaminhada como se tivesse o transtorno. Tratar a apneia costuma melhorar esses sintomas, mas as duas condições também podem coexistir. Por isso vale investigar o sono antes de fechar o diagnóstico.

    Referências

    1. Marcus CL, Moore RH, Rosen CL, et al.; Childhood Adenotonsillectomy Trial (CHAT). A randomized trial of adenotonsillectomy for childhood sleep apnea. New England Journal of Medicine. 2013;368(25):2366-2376.
    2. Marcus CL, Brooks LJ, Draper KA, et al.; American Academy of Pediatrics. Diagnosis and Management of Childhood Obstructive Sleep Apnea Syndrome. Pediatrics. 2012;130(3):576-584.
    3. Lumeng JC, Chervin RD. Epidemiology of pediatric obstructive sleep apnea. Proceedings of the American Thoracic Society. 2008;5(2):242-252.
    4. Bhattacharjee R, Kheirandish-Gozal L, Spruyt K, et al. Adenotonsillectomy outcomes in treatment of obstructive sleep apnea in children: a multicenter retrospective study. American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine. 2010;182(5):676-683.
    5. Kheirandish-Gozal L, Gozal D. Intranasal budesonide treatment for children with mild obstructive sleep apnea syndrome. Pediatrics. 2008;122(1):e149-e155.
    6. Goldbart AD, Greenberg-Dotan S, Tal A. Montelukast for children with obstructive sleep apnea. Pediatrics. 2012;130(3):e575-e580.

    Este conteúdo é informativo, não substitui a consulta médica e não dispensa a conduta definida pelo seu médico.

    Sobre o autor

    Dr. José Eduardo Marcondes

    Médico Otorrinolaringologista · CRM-SP 107.711 · RQE 43.840

    Formado e residente pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), com mais de duas décadas de experiência. Focado no tratamento do ronco e da apneia do sono, obstrução nasal, sinusite crônica, adenoides e amígdalas, em adultos e crianças. Membro da ABORL-CCF e do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, Vila Nova Star e São Luiz.

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  • Cirurgia da adenoide e amígdalas em crianças

    Cirurgia da adenoide e amígdalas em crianças

    O que os pais devem observar ? Quando a cirurgia é necessária?

    Quero conversar com os pais, sobre a adenoamigdalectomia em crianças. Sei que o assunto pode gerar muitas dúvidas e, por isso, vou explicar de forma simples e clara tudo o que é importante para que vocês entendam o que está acontecendo com seu filho, o que é necessário observar, quando é hora de considerar a cirurgia e como ela é feita.

    Primeiro de tudo : o que é a adenoide ?

    Essa é uma das dúvidas mais comuns dos pais. O que é a adenoide, chamada de carne esponjosa? A adenoide é uma espécie de amígdala que fica no fundo do nariz. É uma estrutura que todas as crianças tem, mas que pode gerar muitos problemas quando esta muito grande.

    Quais são os aspectos em que se deve prestar atenção?

    Um dos aspectos mais importantes é perceber se seu filho respira pela boca com frequência, mesmo quando não está resfriado. A respiração nasal obstruída faz com que a criança durma com a boca aberta e muitas vezes ronque.

    Fiquem atentos também ao humor do pequeno: cansaço excessivo, irritabilidade sem motivo aparente e falta de disposição podem estar ligados à má oxigenação durante o sono.

    Se vocês notam a voz mais “presa”, abafada ou anasalada, pode ser sinal de obstrução nasal. E vale registrar qualquer relato de pausas na respiração enquanto ele dorme.

    Outro aspecto são crianças que comem muito rápido ou demoram muito para engolir a comida.

    Sintomas e sinais que indicam hipertrofia de adenoide

    Quando a adenoide cresce demais, surgem alguns sinais que não passam despercebidos.

    A criança reclama de nariz entupido sem que haja gripe, apresenta mau hálito constante e ressecamento ao redor da boca.

    Muitas vezes ela reclama de “ouvido tampado” ou zumbido, pois o aumento da adenoide impede a drenagem correta do ouvido médio, favorecendo infecções. As otites recorrentes são comuns e podem comprometer a audição.

    No sono, além do ronco, é frequente o sono agitado, despertando várias vezes e resultando em sonolência ou dificuldade de concentração na escola.

    Quando a cirurgia é indicada ?

    Costumo indicar a adenoamigdalectomia quando o tratamento com sprays nasais, antibióticos ou acompanhamento clínico não resolve a obstrução e as infecções continuam se repetindo.

    Se seu filho ronca muito, tem apneia obstrutiva durante a noite ou já sofreu três ou mais otites em poucos meses, a cirurgia pode ser a solução.

    Além disso, a respiração oral prolongada pode prejudicar o desenvolvimento facial e dentário, por isso intervenções em tempo hábil ajudam a evitar alterações na arcada dentária e no alinhamento dos dentes.

    Técnicas cirúrgicas tradicionais da adenoide e amígdalas em crianças

    O método clássico de remoção da adenoide e amígdalas em crianças usa instrumentos para cortar e curetar o tecido. É um procedimento seguro, mas pode gerar um pouco mais de desconforto e sangramento.

    O eletrocautério, que utiliza calor para remover o tecido e estancar o sangramento, tornou-se popular por diminuir o sangramento intraoperatório. No entanto, ainda causa dor moderada nos primeiros dias após a cirurgia.

    Tecnologias avançadas: microdebridador e radiofrequência

    Para oferecer mais conforto e segurança às crianças, utilizo duas tecnologias de ponta.

    O microdebridador para adenoidectomia é usado para realizar a cirurgia com uso de video, permitindo remover apenas o tecido excessivo, preservar estruturas saudáveis e reduzir o sangramento.

    Na amigdalectomia, a radiofrequência faz a remoção do tecido com calor controlado, resultando em menor dor no pós-operatório e recuperação mais rápida. O pós operatório é indescritivelmente mais tranquilo com o uso dessa tecnologia.

    Essas tecnologias permitem alta mais cedo, retorno às atividades escolares em pouco tempo e muito mais tranquilidade para toda a família.

    Caso o seu filho apresente essas características, agende uma consulta através do nosso whatsapp para entender melhor quais as melhores opções para melhora a vida dos seu pequeno.

    Dr. José Eduardo Marcondes, médico otorrinolaringologista, CRM-SP 107.711, RQE 43.840. Este conteúdo é informativo, não substitui a consulta médica e não dispensa a conduta definida pelo seu médico.

    Sobre o autor

    Dr. José Eduardo Marcondes

    Médico Otorrinolaringologista · CRM-SP 107.711 · RQE 43.840

    Formado e residente pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), com mais de duas décadas de experiência. Focado no tratamento do ronco e da apneia do sono, obstrução nasal, sinusite crônica, adenoides e amígdalas, em adultos e crianças. Membro da ABORL-CCF e do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, Vila Nova Star e São Luiz.

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  • Cirurgia do ronco e da apneia do sono: o que é, como funciona e quando fazer

    Cirurgia do ronco e da apneia do sono: o que é, como funciona e quando fazer

    Um guia completo para você entender o ronco e a apneia do sono, se a cirurgia pode ajudar e como ela funciona.

    Começando: o que provoca o ronco? O que é apneia do sono? Como isso acontece?

    A apneia do sono é uma parada da respiração que acontece durante a noite. O ronco é um barulho produzido pela vibração das estruturas da via aérea durante a passagem do ar. Mas o que uma coisa tem a ver com a outra? Por que isso acontece?

    Vamos voltar um pouquinho para isso ficar mais claro. Vamos entender rapidamente como funciona a nossa respiração, que a partir daí fica muito fácil entender o que é o ronco e a apneia do sono.

    Quando nós inspiramos, para que o ar entre no nosso corpo, a musculatura do nosso pulmão, especialmente o diafragma, expande a caixa torácica, aumentando o volume (você pode ver o seu pulmão se expandindo ao inspirar). Esse movimento de expansão aumenta o volume da caixa torácica e por consequência diminui a pressão dentro do nosso pulmão. Essa pressão negativa se espalha por toda a via aérea (traqueia, laringe, faringe, cavidade oral e nariz), e o ar entra no pulmão por diferença de pressão. Preste atenção nesse conceito, pois ele será fundamental para entender o que acontece na sua garganta que faz você roncar quando dorme.

    Quando dormimos a nossa musculatura do corpo relaxa e consequentemente a musculatura da nossa faringe e da língua também estão mais flácidas. Quando puxamos o ar durante a noite, a pressão negativa criada pelo pulmão se transmite por toda a via aérea, e encontra a musculatura relaxada. Dependendo da intensidade do fluxo de ar e do relaxamento muscular, esse músculo vibra, e funciona como uma espécie de instrumento musical, produzindo um som, o famoso ronco. Então o ronco nada mais é do que o barulho produzido pela vibração da musculatura da via aérea. Agora, dependendo da intensidade da pressão negativa criada, a via aérea não vibra somente, ela se fecha, bloqueando a passagem de ar e provocando o que chamamos de apneia. Então veja como a apneia do sono e o ronco estão intimamente ligados. São espectros diferentes do mesmo processo.

    Se a apneia e o ronco são tão ligados, qual a diferença entre os dois?

    A principal diferença é o impacto na saúde que esses dois problemas geram. A apneia do sono restringe a passagem de ar, total ou parcialmente, e isso gera uma série de efeitos deletérios no nosso corpo, como alterações da pressão, do sistema endócrino, da imunidade, diabetes, aumento da chance de infartos e derrames, impotência, entre outras coisas. Vale registrar que tratar a apneia melhora comprovadamente os sintomas, o sono e a qualidade de vida (estudo SAVE, 2016). Se você quiser entender exatamente o que acontece, leia o artigo a seguir:

    Fisiologia da Apneia do Sono: O Que Acontece em Nosso Corpo

    Já o ronco isolado, chamado de ronco primário, para a maioria das pessoas, não parece ser um grande problema, tendo em vista que a grande complicação que ele causa é social. Você não consegue dormir com seu cônjuge, tem vergonha de viajar com amigos, não dorme de jeito nenhum em um avião.

    Mas a questão é mais profunda. Roncar não é o mesmo que ter apneia. O ronco é um sinal de alerta que merece avaliação, não um diagnóstico por si só. Por isso, quem ronca de forma habitual deve ser investigado, principalmente quando há sinais associados. Quando comparados com a população em geral, os roncadores têm de 1,5 a 3 vezes mais chance de apresentar apneia do sono, dependendo do critério diagnóstico e do perfil da amostra.

    A apneia do sono é mais comum do que parece. No estudo EPISONO, feito na cidade de São Paulo, cerca de um terço dos adultos (32,8%) apresentava apneia do sono em algum grau. A gravidade é medida pelo IAH, o índice de apneia e hipopneia, que é o número de pausas na respiração por hora de sono: até 5 é considerado normal, de 5 a 15 é leve, de 15 a 30 é moderada e acima de 30 é grave.

    Algumas características tornam essa investigação ainda mais importante. Veja quais são:

    • Frequência: se você ronca mais de 3 a 4 vezes na semana
    • Sintomas associados: dor de cabeça matinal, alterações de concentração e memória, sonolência diurna, irritabilidade, perda da libido
    • Presença de outras doenças: pressão alta, diabetes, doenças cardiovasculares, disfunção erétil
    • Outras alterações: baixa testosterona, obesidade, medicações para dormir

    A investigação para apneia do sono é feita através da polissonografia, sempre, e também através de alguns outros exames que podem ser importantes a depender do caso e da conduta a seguir, como tomografia de seios da face, tomografia do pescoço, nasofibrolaringoscopia, sonoendoscopia, entre outros.

    Qual o tratamento da apneia do sono?

    O tratamento da apneia do sono tem de ser avaliado caso a caso, mas o objetivo de cada um deles é sempre o mesmo: manter a via aérea aberta e garantir a passagem de ar por ela.

    Cada uma das formas de tratamento vai utilizar-se de mecanismos diferentes para isso e as principais opções que podem ser utilizadas, isoladamente ou de forma combinada, são:

    • CPAP: esse aparelho cria uma pressão positiva de ar, invertendo a mecânica da respiração, ou seja, ao invés do pulmão criar uma pressão negativa e “puxar” o ar, o CPAP cria uma pressão positiva externa e “empurra” o ar para dentro do corpo.
    Mulher com apneia do sono dormindo com CPAP
    Mulher com apneia do sono dormindo com CPAP
    • Aparelho Intraoral: esse aparelho vai tracionar a mandíbula anteriormente e estruturar a língua e a faringe, mantendo a via aérea pérvia.
    Aparelho intraoral abrindo a via aérea de pessoa com apneia do sono
    Aparelho intraoral abrindo a via aérea de pessoa com apneia do sono
    • Terapia Fonoaudiológica: através de exercícios específicos da língua, palato, faringe, pescoço e tórax é possível fortalecer os músculos e facilitar a manutenção de uma via aérea livre e que favoreça a passagem de ar.
    Fonoaudióloga avaliando o palato de um paciente com apneia do sono
    Fonoaudióloga avaliando o palato de um paciente com apneia do sono
    • Laser fotona: estimula a produção de colágeno e o enrijecimento dos tecidos da garganta para abrir as vias aéreas
    Laser fotona sendo utilizado para tratamento da apneia do sono
    Laser fotona sendo utilizado para tratamento da apneia do sono
    • Cirurgia: através da remoção e reposicionamento de diversas estruturas garante uma via aérea ampla e que suporta a pressão da respiração, mantendo a passagem de ar pela via aérea
    Cirurgia de apneia do sono feita com auxílio do robô DaVinci
    Cirurgia de apneia do sono feita com auxilio do robô DaVinci
    Cirurgia para apneia do sono com uso de sutura barbada
    Cirurgia para apneia do sono com uso de sutura barbada

    Cirurgia para apneia do sono: como é realizada? Quais são os resultados?

    Conceito fundamental: não é apenas uma cirurgia, são várias

    A cirurgia é uma alternativa importante para pacientes que não se adaptaram ao CPAP ou a outros tratamentos. O CPAP é o tratamento de primeira linha e muito eficaz quando bem tolerado, mas entre 30% e 50% das pessoas não se adaptam ou abandonam o aparelho ao longo do tempo, e é aí que a cirurgia ganha espaço. O que muitos não sabem é que esta não é uma única cirurgia, mas sim um conjunto de procedimentos realizados simultaneamente, cada um direcionado para um ponto específico da via aérea superior.

    O conceito dos múltiplos procedimentos

    O objetivo principal do tratamento cirúrgico da apneia do sono é manter a via aérea aberta durante o sono. Como os eventos obstrutivos podem ocorrer em diferentes níveis das vias aéreas superiores (nariz, palato, paredes laterais da faringe e base da língua), a abordagem cirúrgica mais eficaz envolve tratar múltiplas áreas simultaneamente. Esta estratégia combinada tem demonstrado resultados superiores quando comparada ao tratamento de um único sítio de obstrução.

    Nível nasal: desobstrução das vias aéreas superiores

    Septoplastia: correção do desvio de septo

    A correção do desvio de septo nasal é frequentemente o primeiro passo da cirurgia em vários níveis. O desvio de septo pode aumentar a resistência à passagem de ar pelo nariz e favorecer a respiração pela boca durante o sono, o que piora o ronco. Vale ser claro sobre o papel do nariz: a obstrução nasal costuma piorar o ronco e dificultar o uso do CPAP, mas a correção nasal isolada raramente cura a apneia. Ela melhora a respiração, o ronco e, muitas vezes, a tolerância ao CPAP, e por isso costuma ser o primeiro passo de uma cirurgia em vários níveis.

    Durante a septoplastia, realizamos uma pequena incisão por dentro do nariz, onde a mucosa é descolada da cartilagem e osso do septo. As partes desviadas são então removidas ou reposicionadas para centralizar o septo nasal. Este procedimento melhora significativamente o fluxo de ar nasal e reduz a tendência à respiração bucal durante o sono.

    Turbinoplastia: redução dos cornetos nasais

    A cirurgia dos cornetos nasais é frequentemente realizada em conjunto com a septoplastia. Os cornetos hipertrofiados podem causar obstrução nasal crônica, forçando o paciente a respirar pela boca durante o sono, o que desestabiliza as vias aéreas superiores. A turbinoplastia visa reduzir o volume dos cornetos inferiores, mantendo sua função fisiológica de filtrar e umidificar o ar.

    Etmoidectomia e sinusectomia maxilar

    Quando necessário, realizamos também a etmoidectomia e sinusectomia maxilar. A etmoidectomia envolve a remoção de tecidos inflamados, pólipos ou bloqueios nos seios etmoidais que impedem a ventilação adequada. Este procedimento, realizado por técnica endoscópica, garante precisão e minimiza o impacto cirúrgico. A sinusectomia maxilar complementa o tratamento quando há acometimento dos seios maxilares, garantindo uma drenagem adequada e reduzindo infecções recorrentes que podem contribuir para a obstrução nasal.

    Além disso, associar esse procedimento ajuda a criar uma segunda via de fluxo de ar que pode diminuir a resistência à passagem de ar, contribuindo para o sucesso da cirurgia como um todo.

    Nível palatino: ampliação do espaço retropalatino

    Sutura barbada para abertura do palato

    A faringoplastia com sutura barbada representa uma técnica moderna e minimamente invasiva para o tratamento do palato mole. Esta técnica utiliza suturas especiais com pequenos ganchos bidirecionais que reforçam e estabilizam os tecidos da garganta, melhorando a tensão das vias aéreas superiores.

    Cada farpa da sutura representa um nó ancorado no tecido, proporcionando maior estabilidade da via aérea com tempo cirúrgico menor e melhor cicatrização. Esta abordagem é particularmente eficaz para pacientes com ronco causado pelo relaxamento excessivo dos tecidos palatinos, proporcionando recuperação mais rápida e bons resultados.

    Nível das paredes laterais: expansão funcional com robô DaVinci

    Faringoplastia de expansão funcional com robô DaVinci

    Uma evolução desta técnica é a Faringoplastia de Expansão Funcional (FEP) realizada com o sistema robótico Da Vinci. Este procedimento combina os princípios da faringoplastia expansora tradicional com a precisão e as vantagens da cirurgia robótica transoral.

    A técnica robótica de expansão funcional utiliza a visualização 3D magnificada e instrumentos articulados com movimentos de 360 graus para reposicionar o músculo palatofaríngeo. Durante o procedimento, o músculo palatofaríngeo é isolado da mucosa e do músculo constritor superior da faringe, sendo então transectado inferiormente para formar um retalho muscular com pedículo superior e medial.

    A extremidade livre do músculo palatofaríngeo é então rotacionada superiormente e fixada na transição entre o palato mole e duro, criando tensão na parede lateral da faringe. O robô permite realizar essa fixação com precisão milimétrica, garantindo o posicionamento ideal do músculo e reduzindo o risco de complicações.

    Esta abordagem robótica da expansão funcional oferece vantagens sobre a técnica tradicional. A visualização tridimensional permite identificação precisa das estruturas anatômicas, enquanto os instrumentos articulados possibilitam sutura em ângulos que seriam impossíveis com técnicas convencionais. O resultado é uma ampliação mais consistente do espaço faríngeo, com bons resultados em pacientes adequadamente selecionados.

    Nível da base da língua: cirurgia robótica

    Amigdalectomia lingual robótica

    A cirurgia robótica transoral (TORS) utilizando o sistema DaVinci representa a evolução mais avançada no tratamento da obstrução da base da língua.

    A amigdalectomia lingual robótica visa a remoção do tecido hipertrofiado na base da língua, incluindo as tonsilas linguais. O procedimento pode remover até 20 gramas de tecido, conforme necessário, baseado na anatomia do paciente e no grau de colapso durante o sono.

    Glossectomia parcial

    A glossectomia parcial da linha média complementa o tratamento robótico quando há macroglossia significativa. Este procedimento envolve a remoção física de uma porção da língua na área central, entre os principais vasos sanguíneos e nervos. A técnica é guiada por métodos de imagem avançados para garantir máxima segurança e preservação das funções essenciais da língua.

    Vantagens da abordagem combinada

    A realização simultânea destes múltiplos procedimentos oferece várias vantagens. Primeiramente, permite tratar todos os níveis de obstrução em um único tempo cirúrgico, reduzindo a necessidade de cirurgias subsequentes. Além disso, a abordagem em vários níveis costuma alcançar taxas de sucesso maiores do que tratar um único ponto.

    A cirurgia robótica oferece benefícios específicos, incluindo menor sangramento intraoperatório, recuperação mais rápida e preservação funcional com menor risco de alterações na deglutição e na fala. A visualização 3D de alta definição e a precisão dos instrumentos articulados ajudam a prevenir sangramentos e possibilitam a remoção do tecido em excesso.

    Recuperação e resultados

    A recuperação varia conforme a extensão dos procedimentos realizados.

    A cirurgia em vários níveis melhora a apneia na maioria dos casos bem selecionados. Em meta-análises, a taxa de sucesso (redução do IAH de pelo menos metade, com IAH final abaixo de 20) fica em torno de 60% a 66%, com redução média de cerca de 25 eventos por hora. A faringoplastia com sutura barbada e a cirurgia robótica da base da língua reduzem o IAH em torno de 24 eventos por hora nas séries publicadas. Vale ser transparente: os resultados dependem muito da seleção do paciente e do local da obstrução, e a cirurgia costuma melhorar bastante os sintomas e a qualidade de vida, sem necessariamente zerar a apneia.

    A cirurgia combinada para tratamento da apneia do sono representa, portanto, uma solução abrangente, que trata simultaneamente os pontos de obstrução da via aérea superior. Esta abordagem em vários níveis oferece aos pacientes uma alternativa eficaz ao CPAP, com resultados duradouros e melhora significativa da qualidade de vida.

    Perguntas frequentes

    Todo mundo que ronca tem apneia do sono?

    Não. O ronco é um sinal de alerta que merece avaliação, principalmente se for frequente ou vier acompanhado de sonolência, dor de cabeça pela manhã ou pressão alta. A chance de apneia é de 1,5 a 3 vezes maior em quem ronca do que na população geral, mas roncar não é, por si só, um diagnóstico de apneia.

    Como se mede a gravidade da apneia?

    Pelo IAH (índice de apneia e hipopneia), que conta as pausas na respiração por hora de sono, medido na polissonografia (o exame do sono): até 5 é normal, de 5 a 15 é leve, de 15 a 30 é moderada e acima de 30 é grave.

    A cirurgia cura a apneia do sono?

    Na maioria dos casos bem selecionados, a cirurgia melhora muito a apneia e a qualidade de vida, mas nem sempre zera o problema. O sucesso depende do local da obstrução e das características de cada paciente, por isso a avaliação detalhada antes da cirurgia é tão importante.

    Preciso fazer todas essas cirurgias?

    Não. A apneia pode obstruir em pontos diferentes (nariz, palato, paredes da faringe, base da língua), e a cirurgia é individualizada: trata-se apenas o que precisa, muitas vezes em um único tempo cirúrgico.

    A cirurgia substitui o CPAP?

    O CPAP é o tratamento de primeira linha e muito eficaz quando bem tolerado. A cirurgia é a principal alternativa para quem não se adapta ou abandona o aparelho, e às vezes é usada de forma combinada com outras medidas.

    Referências

    1. Senaratna CV, et al. Prevalence of obstructive sleep apnea in the general population: a systematic review. Sleep Medicine Reviews. 2017;34:70-81.
    2. Wali SO, Abalkhail B, Krayem A. Prevalence and risk factors of obstructive sleep apnea syndrome in a Saudi Arabian population. Annals of Thoracic Medicine. 2017;12(2):88-94.
    3. Tufik S, et al. Obstructive Sleep Apnea Syndrome in the São Paulo Epidemiologic Sleep Study (EPISONO). Sleep Medicine. 2010.
    4. McEvoy RD, et al. CPAP for Prevention of Cardiovascular Events in Obstructive Sleep Apnea (estudo SAVE). New England Journal of Medicine. 2016.

    Este conteúdo é informativo, não substitui a consulta médica e não dispensa a conduta definida pelo seu médico.

    Sobre o autor

    Dr. José Eduardo Marcondes

    Médico Otorrinolaringologista · CRM-SP 107.711 · RQE 43.840

    Formado e residente pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), com mais de duas décadas de experiência. Focado no tratamento do ronco e da apneia do sono, obstrução nasal, sinusite crônica, adenoides e amígdalas, em adultos e crianças. Membro da ABORL-CCF e do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, Vila Nova Star e São Luiz.

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  • Fisiologia da Apneia do Sono: O Que Acontece em Nosso Corpo

    Fisiologia da Apneia do Sono: O Que Acontece em Nosso Corpo

    Como Funciona o Episódio de Apneia?

    Durante uma apneia obstrutiva do sono, ocorre um colapso das vias aéreas superiores na região da faringe. Quando você dorme, os músculos da garganta relaxam naturalmente, mas em pessoas com apneia, esse relaxamento é excessivo, fazendo com que a via aérea se feche parcial ou completamente.

    Imagine como se fosse um canudo que se fecha enquanto você tenta respirar através dele. Seu corpo continua fazendo força para respirar, criando uma pressão negativa no peito, mas o ar não consegue passar. Durante cada episódio, que dura pelo menos 10 segundos (podendo chegar a mais de um minuto), seu organismo entra em estado de asfixia.

    O Que Acontece Durante Cada Parada Respiratória

    Quando a respiração para, duas coisas críticas acontecem no seu corpo:

    Hipóxia: A quantidade de oxigênio no sangue diminui drasticamente. É como se todas as células do seu corpo começassem a “passar fome” de oxigênio.

    Hipercapnia: O dióxido de carbono (CO₂) se acumula no sangue, criando um ambiente tóxico. É como se você estivesse respirando em um ambiente com ar viciado.

    Esses eventos fazem com que sensores especiais no seu corpo (chamados quimiorreceptores) detectem o perigo e mandem sinais urgentes para o cérebro: “Precisa respirar agora!”. O cérebro então causa um microdespertar – você não acorda completamente, mas sai do sono profundo o suficiente para que os músculos da garganta se contraiam e reabram a via aérea.

    O Efeito Cascata no Sistema Cardiovascular

    Cada episódio de apneia desencadeia uma tempestade no seu sistema cardiovascular:

    Sistema Nervoso Simpático em Alerta Máximo

    O sistema nervoso simpático – responsável pelas reações de “luta ou fuga” – é ativado intensamente. É uma resposta muito semelhante a ser assaltado ou ser atacado por um animal. A diferença é que isso acontece a noite toda, como se seu corpo pensasse que está em perigo constante. Isso causa:

    • Liberação maciça de adrenalina e outros hormônios do estresse
    • Vasoconstrição: os vasos sanguíneos se contraem violentamente
    • Picos rápidos de pressão arterial: a cada pausa, a pressão dá um pico de poucos segundos, que em casos graves pode passar de 180 a 200 mmHg. Não é uma pressão alta contínua, mas essa oscilação, repetida centenas de vezes por noite, sobrecarrega o coração e os vasos ao longo do tempo
    Ilustração de ladrão representando a apneia do sono roubando a saúde de uma pessoa
    Ladrão apneia roubando a saúde de uma pessoa

    Coração Sob Pressão

    A cada episódio, seu coração sofre um stress tremendo:

    • Aumento súbito da frequência cardíaca
    • Maior risco de arritmias (batimentos irregulares)
    • Hipertrofia do ventrículo esquerdo (o músculo cardíaco fica “inchado” de tanto trabalhar)
    • Risco aumentado de infarto e insuficiência cardíaca

    Impactos da Apneia do Sono nos Sistemas Específicos

    Sistema Respiratório

    • Hipertensão pulmonar: a pressão nos pulmões aumenta devido à falta de oxigênio
    • Alterações no centro respiratório do cérebro
    • Redução da capacidade pulmonar ao longo do tempo

    Sistema Endócrino e Metabólico

    A apneia causa um caos hormonal:

    Resistência à Insulina: A hipóxia e o estresse fazem com que as células não respondam adequadamente à insulina, aumentando o risco de diabetes tipo 2. É como se as “fechaduras” das células (receptores de insulina) ficassem “enferrujadas”.

    Hormônios do Apetite Desregulados:

    • Grelina (hormônio da fome): aumenta drasticamente
    • Leptina (hormônio da saciedade): diminui
    • Cortisol Elevado: O hormônio do estresse permanece alto, causando ganho de peso e alterações metabólicas.

    Sistema Nervoso

    Função Cognitiva Comprometida:

    • Perda de memória e dificuldade de concentração
    • Tempo de reação lento (similar ao efeito do álcool)
    • Maior risco de acidentes de trânsito, cerca de 2 a 3 vezes maior, ainda mais nos casos graves e com muita sonolência (o tratamento com CPAP reduz bastante esse risco)
    • Alterações de humor, depressão e ansiedade

    Risco de AVC: a apneia praticamente dobra o risco de AVC, de forma independente de fatores como pressão, peso e diabetes (estudo publicado no New England Journal of Medicine, 2005), pela combinação de hipertensão, alterações no fluxo sanguíneo cerebral e maior tendência à formação de coágulos.

    Sistema Reprodutor

    A apneia afeta profundamente os hormônios sexuais e a função reprodutiva tanto em homens quanto em mulheres:

    Impactos no Sistema Reprodutor Masculino:

    Queda da Testosterona: A hipóxia intermitente e a fragmentação do sono podem inibir a produção de testosterona através da supressão do eixo hipotálamo-hipófise-gônadas. A apneia obstrutiva está associada a níveis mais baixos de testosterona, sobretudo nos casos mais graves e em homens com obesidade. Boa parte dessa relação, porém, é explicada pelo próprio excesso de peso, e tratar a apneia isoladamente nem sempre normaliza o hormônio.

    Disfunção Erétil: A combinação de baixa testosterona, problemas vasculares, estresse oxidativo e alterações no fluxo sanguíneo peniano fazem com que homens com apneia tenham risco significativamente maior de impotência. A apneia é considerada um fator de risco independente para problemas de ereção.

    Redução da Fertilidade: A qualidade do esperma é prejudicada pela hipóxia e pelo estresse oxidativo, resultando em menor contagem de espermatozoides, redução da motilidade espermática e aumento da fragmentação do DNA espermático. Isso pode causar dificuldades para engravidar e maior risco de abortos espontâneos.

    Impactos no Sistema Reprodutor Feminino:

    Irregularidades Menstruais: A apneia pode causar ciclos menstruais irregulares devido às alterações hormonais, dificultando a identificação do período fértil e reduzindo as chances de concepção.

    Redução da Fertilidade: Mulheres com apneia podem apresentar dificuldades para ovular adequadamente devido ao desequilíbrio dos hormônios FSH (folículo estimulante) e LH (luteinizante), essenciais para a ovulação saudável.

    Problemas na Menopausa: A apneia se torna mais comum após a menopausa devido à queda dos níveis de estrogênio e progesterona, que naturalmente ajudam a manter o tônus muscular das vias aéreas. A deficiência hormonal combinada com a apneia pode criar um ciclo vicioso de piora dos sintomas menopausais.

    Complicações na Gravidez: Mulheres grávidas com apneia têm maior risco de hipertensão gestacional, diabetes gestacional e complicações durante o parto.

    Sistema Imunológico

    A apneia do sono causa uma disfunção profunda no sistema imunológico, criando um estado de inflamação crônica no organismo:

    Estado Inflamatório Persistente: A hipóxia intermitente e a fragmentação do sono fazem com que o corpo produza constantemente citocinas pró-inflamatórias como IL-1, IL-6 e TNF-α. É como se o organismo estivesse sempre “lutando contra uma infecção” que não existe.

    Supressão da Imunidade: O aumento do cortisol e o estresse oxidativo causam imunossupressão, reduzindo a capacidade do corpo de combater infecções reais. Isso resulta em maior susceptibilidade a resfriados, gripes, pneumonias e outras doenças infecciosas.

    Desequilíbrio das Células de Defesa: Ocorre uma redução nas células CD3+, CD4+ e CD8+ (linfócitos importantes para a defesa) e uma alteração no equilíbrio entre a resposta imune celular (Th1) e humoral (Th2), favorecendo um padrão similar ao observado em doenças autoimunes.

    Redução da Atividade das Células NK: As células Natural Killer, que ajudam a defender o corpo, podem ter a atividade reduzida. Pesquisas em laboratório sugerem que isso poderia enfraquecer as defesas contra tumores, mas é importante deixar claro que se trata de uma hipótese em investigação: não está provado que a apneia cause câncer em pessoas.

    Estresse Oxidativo: O Ataque dos Radicais Livres

    Um dos efeitos mais danosos da apneia é a criação de radicais livres. A cada ciclo de falta de oxigênio seguida de reoxigenação, é como se você fizesse um “exercício extremo” para suas células, gerando substâncias tóxicas que danificam:

    • Vasos sanguíneos (acelerando o processo de aterosclerose)
    • Células do coração
    • Neurônios no cérebro
    • Células do pâncreas (piorando o diabetes)

    O Ciclo Vicioso

    A apneia cria um ciclo vicioso difícil de quebrar:

    1. Apneia → Ganho de peso (devido aos hormônios alterados)

    2. Ganho de peso → Piora da apneia (mais tecido na garganta)

    3. Apneia pior → Mais problemas metabólicos

    4. Mais problemas → Mais ganho de peso

    Impacto na Saúde Global

    Cardiovascular: cerca de metade das pessoas com apneia também têm pressão alta, e a apneia é uma causa reconhecida de hipertensão de difícil controle. Estudos de longo prazo mostram que a apneia grave chega a quase triplicar o risco de desenvolver hipertensão. O risco de infarto, arritmias e insuficiência cardíaca também aumenta.

    Metabólico: A prevalência de diabetes tipo 2 é muito maior em pacientes com apneia, independentemente do peso.

    Neurológico: Maior risco de demência, perda de memória e acidentes devido à sonolência.

    Imunológico: Maior susceptibilidade a infecções. A relação com alguns tipos de câncer é uma hipótese ainda em estudo, não uma certeza.

    Reprodutivo: Redução da fertilidade, disfunção sexual, irregularidades menstruais e complicações hormonais que afetam a qualidade de vida sexual e reprodutiva.

    Qualidade de Vida: Sonolência excessiva, depressão, problemas de relacionamento e redução significativa da produtividade.

    A Boa Notícia

    O aspecto mais importante é que o tratamento da apneia pode reverter muitos desses problemas. Quando a respiração é normalizada durante o sono (com CPAP, aparelhos intraorais ou cirurgia), observa-se:

    • Redução da pressão arterial
    • Melhora do controle do diabetes
    • Redução do estresse oxidativo
    • Melhora da função cognitiva e do humor
    • Melhora do ronco, da sonolência e da qualidade de vida

    O tratamento melhora comprovadamente os sintomas, o sono, o humor e a qualidade de vida, além de ajudar no controle da pressão. Tratar vale muito a pena pelos sintomas, pela pressão e pela qualidade de vida.

    Isso demonstra como um distúrbio aparentemente “simples” do sono pode ter consequências profundas para todo o organismo, mas também como o tratamento adequado pode transformar a saúde e a qualidade de vida de uma pessoa. Veja como funciona a cirurgia do ronco e da apneia.

    Perguntas frequentes

    A apneia do sono causa câncer?

    Não está provado. Pesquisas de laboratório sugerem que a falta intermitente de oxigênio pode enfraquecer parte das defesas do corpo (as células de defesa NK), mas isso ainda é uma hipótese em estudo, não uma relação de causa e efeito comprovada em pessoas.

    Tratar a apneia previne infarto e AVC?

    O tratamento melhora comprovadamente o ronco, a sonolência, o humor, a qualidade de vida e ajuda no controle da pressão. Já a prevenção de infarto e AVC não foi demonstrada pelo maior estudo randomizado (SAVE, 2016). Ainda assim, tratar é muito importante pelos sintomas, pela pressão e pela qualidade de vida.

    A apneia aumenta a pressão?

    Sim. A cada pausa há um pico rápido de pressão, e ao longo do tempo a apneia é uma causa reconhecida de pressão alta, sobretudo a de difícil controle. A apneia grave chega a quase triplicar o risco de hipertensão.

    Referências

    1. Peppard PE, Young T, Palta M, Skatrud J. Prospective study of the association between sleep-disordered breathing and hypertension. New England Journal of Medicine. 2000;342:1378-1384.
    2. Yaggi HK, et al. Obstructive sleep apnea as a risk factor for stroke and death. New England Journal of Medicine. 2005;353:2034-2041.
    3. Tregear S, et al. Obstructive sleep apnea and risk of motor vehicle crash: systematic review and meta-analysis. Journal of Clinical Sleep Medicine. 2009.
    4. McEvoy RD, et al. CPAP for Prevention of Cardiovascular Events in Obstructive Sleep Apnea (estudo SAVE). New England Journal of Medicine. 2016.
    5. Su L, et al. Association between obstructive sleep apnea and male serum testosterone: a systematic review and meta-analysis. Andrology. 2022.

    Este conteúdo é informativo, não substitui a consulta médica e não dispensa a conduta definida pelo seu médico.

    Sobre o autor

    Dr. José Eduardo Marcondes

    Médico Otorrinolaringologista · CRM-SP 107.711 · RQE 43.840

    Formado e residente pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), com mais de duas décadas de experiência. Focado no tratamento do ronco e da apneia do sono, obstrução nasal, sinusite crônica, adenoides e amígdalas, em adultos e crianças. Membro da ABORL-CCF e do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, Vila Nova Star e São Luiz.

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  • Doutor, meu filho vai ter mesmo que colocar esse tubinho?

    Doutor, meu filho vai ter mesmo que colocar esse tubinho?

    Se você já passou noites em claro com seu filho no colo, chorando de dor de ouvido, e depois notou que, mesmo sem dor, ele parecia não escutar direito, pedia a televisão mais alta ou vivia distraído na escola, conhece de perto a angústia que traz você até esta pergunta. Quando as otites voltam sempre, ou quando fica líquido preso atrás do tímpano por muito tempo, o otorrino pode sugerir a colocação de um tubo de ventilação, também chamado de tubo de timpanostomia. Reuni aqui as perguntas que mais escuto no consultório, com o que a ciência mostra hoje, para você entender por que, quando e se esse “tubinho” faz sentido para o seu filho. Já adianto algo que costuma tranquilizar: na maior parte dos casos o tratamento é clínico ou expectante, e nem toda criança que tem otite vai precisar do tubo. Essa sensação de ouvido tampado também aparece, de forma passageira, em viagens de avião.

    Primeiro, entenda o que o tubinho resolve (e o que ele não resolve)

    O alvo do tratamento é o líquido preso no ouvido médio, o espaço atrás do tímpano. Ele pode se acumular depois de uma infecção (a chamada otite média com efusão, quando há líquido sem infecção ativa) ou vir junto de infecções que se repetem. Enquanto esse líquido está lá, o tímpano vibra mal e o som chega abafado, como se a criança estivesse com o ouvido tampado. Daí a perda de audição, o zumbido e, às vezes, a dificuldade de equilíbrio. A otite de repetição é uma causa comum de perda de audição em crianças.

    Vale colocar isso em perspectiva, porque assusta menos quando se conhece o quadro completo. O líquido no ouvido é comum e, na maioria das vezes, desaparece sozinho: cerca de 9 em cada 10 crianças têm ao menos um episódio antes dos 5 anos, metade se resolve em até 3 meses e cerca de 95% em um ano (AAO-HNS, 2016). Por isso o tubo não é para todo líquido que aparece. Ele entra em cena quando o líquido insiste em ficar e começa a atrapalhar a audição, ou quando as crises de otite são frequentes demais. O que o tubo faz é drenar esse líquido e ventilar o ouvido, equalizando a pressão. O que ele não faz é curar a alergia, a adenoide aumentada ou o resfriado que estão por trás do problema; sobre a causa, o tratamento é outro.

    Então, quando o tubo é realmente indicado?

    Duas situações concentram a indicação, e em ambas o exame do ouvido pesa mais do que a contagem de infecções isolada:

    • Líquido que persiste. Otite média com efusão nos dois ouvidos por três meses ou mais, com dificuldade de audição documentada, é a indicação mais bem estabelecida (AAO-HNS, 2022). Quando há sinais de impacto na fala, no aprendizado ou no comportamento, a indicação fica mais forte.
    • Otites de repetição, com uma ressalva importante. Considera-se otite de repetição quando há três ou mais episódios em seis meses, ou quatro em um ano. O tubo é indicado sobretudo quando ainda há líquido no ouvido no exame feito entre as crises; se o ouvido fica completamente seco nesse período, as diretrizes atuais não recomendam o tubo apenas pela contagem de infecções (AAO-HNS, 2022).

    Por que essa cautela? Porque um estudo randomizado publicado em 2021 comparou colocar o tubo com manter o tratamento clínico em crianças com otites de repetição e não encontrou diferença no número de novas otites ao longo de dois anos (1,48 contra 1,56 episódio por criança/ano). O tubo teve um ganho: aumentou o tempo até a próxima infecção (cerca de 4,3 contra 2,3 meses) (Hoberman, 2021). Ou seja, a decisão não é automática. Ela pesa o conjunto: audição, presença de líquido, frequência das crises e o quanto tudo isso afeta o sono, a fala e a escola do seu filho.

    Fora dessas situações, quando o líquido é recente (menos de três meses) e a audição está preservada, a conduta costuma ser observar, porque a chance de resolver sozinho é alta.

    Como é a cirurgia, e a anestesia é segura?

    Com o auxílio de um endoscópio, o médico faz uma pequena abertura na membrana do tímpano, aspira o líquido e insere o tubinho, que passa a funcionar como uma válvula, deixando o ar entrar e o líquido sair. Costuma levar de 10 a 15 minutos por ouvido, e na maioria das vezes a criança volta para casa no mesmo dia.

    A pergunta que mais preocupa os pais quase nunca é sobre o tubo, e sim sobre a anestesia. Em crianças usamos anestesia geral, e é natural o receio. Vale saber que um grande estudo internacional randomizado acompanhou crianças que receberam menos de uma hora de anestesia geral ainda bebês e não encontrou diferença no desenvolvimento neurológico aos 5 anos em comparação com quem não recebeu (GAS, McCann, 2019). É uma cirurgia curta, feita por equipe habituada a operar crianças, e esse dado costuma trazer segurança para a família.

    Vai doer? Como é o pós-operatório?

    Durante a cirurgia, graças à anestesia, não há dor. Depois, é comum um leve incômodo ou uma secreção fina saindo pelo ouvido nos primeiros dias, mas nada que costume tirar o sono ou impedir as brincadeiras. Para o conforto, orientamos analgésico simples. Se aparecer secreção, o tratamento é local, com gotas otológicas; na maioria das vezes não é preciso antibiótico por via oral (AAO-HNS, 2022). Em poucos dias a sensação estranha desaparece e muitas famílias notam, logo de cara, que a criança volta a responder quando é chamada. Quando o líquido sai, a audição melhora.

    Água no ouvido: o que realmente mudou

    Este é o ponto que mais gera dúvida, porque a orientação mudou. Durante muitos anos pediu-se proteção rigorosa contra a água, com algodão, tampões e touca em todo banho e em toda piscina. As diretrizes mais recentes revisaram essa conduta: para a maioria das crianças com tubo, não é necessária proteção de rotina para o banho comum nem para nadar em água limpa e tratada (AAO-HNS, 2022). Os estudos mostraram que a proteção sistemática não reduziu de forma relevante a chance de secreção.

    A proteção passa a ser reservada para situações específicas, como mergulhar em profundidade, nadar em água de lago ou pouco tratada, mergulhar a cabeça em banho de banheira com sabão, ou quando a própria criança sente desconforto com a entrada de água. Como cada caso tem suas particularidades, o seu otorrino vai orientar o que se aplica ao seu filho. A boa notícia prática é que, na maioria das vezes, a rotina de banho e piscina segue quase normal.

    Quanto tempo o tubo fica e o que esperar do resultado

    O tubinho costuma permanecer em média cerca de 12 meses, até a membrana cicatrizar ao redor dele. Quando chega a hora, o próprio organismo o expulsa naturalmente, sem necessidade de outra cirurgia, e o furinho fecha sozinho na grande maioria das vezes. Por isso as consultas de retorno são importantes: confirmam que a saída ocorreu bem e que o tímpano está saudável.

    Sobre o resultado, a audição costuma melhorar rápido, e as revisões de estudos mostram um ganho claro no curto e médio prazo (MacKeith, 2023).

    Em alguns casos, quando não há melhora completa, é necessária uma nova colocação do tubo. Os principais fatores de risco para isso são a queda precoce do tubo, alterações craniofaciais, idade mais baixa e algumas condições clínicas, como a otite média aguda recorrente (Goel, 2021). Um fator que reduz a chance de uma nova cirurgia é a adenoidectomia feita junto com a colocação do tubo, sobretudo em crianças a partir dos 4 anos (Qian, 2025); em uma meta-análise, a adenoidectomia concomitante reduziu para cerca de metade a chance de precisar de novos tubos (Goel, 2021).

    Riscos e sequelas, com números

    Trata-se de um procedimento de baixo risco, mas, como toda cirurgia, tem intercorrências possíveis. Os números ajudam a dimensionar (Kay, Nelson e Rosenfeld, 2001):

    • Secreção pelo ouvido (otorreia): é a mais comum, em torno de 16% no pós-operatório imediato, quase sempre resolvida com gotas otológicas.
    • Cicatriz no tímpano (timpanosclerose): aparece em cerca de um terço dos casos após a saída do tubo, mas costuma ser apenas uma marca, sem efeito perceptível na audição.
    • Perfuração que não fecha sozinha: é incomum com os tubos de curta permanência (cerca de 2%) e mais frequente com os de longa permanência; quando ocorre, pode ser corrigida com um pequeno reparo.
    • Colesteatoma: muito raro (abaixo de 1%).

    O tubo também pode entupir ou sair antes do tempo, situações acompanhadas em consulta, em que o médico decide se é preciso recolocar.

    Existem alternativas ao tubo?

    Sim, e elas fazem parte da conversa. Quando o líquido no ouvido é recente e a audição está boa, a melhor conduta costuma ser esperar e reavaliar, porque a chance de resolução espontânea é alta. Tratar bem o que está por trás do quadro ajuda: controlar a rinite alérgica, cuidar de resfriados de repetição e avaliar a adenoide. Em algumas crianças, sobretudo a partir dos 4 anos ou quando há sintomas de adenoide, retirar a adenoide junto com a colocação do tubo reduz a chance de novos episódios (AAO-HNS, 2022). Antibióticos têm papel no tratamento das crises agudas, mas não são recomendados como prevenção contínua. Qual caminho faz sentido depende do exame, da audição e da história do seu filho.

    No fim das contas, a decisão sobre o tubinho é compartilhada entre você e o médico, olhando para a audição, para a frequência das crises e para o impacto no dia a dia da criança. Quando bem indicado, ele devolve uma boa audição, melhora o sono e a disposição, e interrompe um ciclo de crises que atrapalha justamente a fase de aprender a falar e conviver. Se ainda restou dúvida, agende uma conversa para avaliarmos o caso com calma. No consultório do Dr. José Eduardo Marcondes, médico otorrinolaringologista (CRM-SP 107.711 | RQE 43.840), a orientação é sempre individualizada, para você decidir com segurança e informação.

    Ilustração de tubo de ventilação (timpanostomia) posicionado na membrana do tímpano de uma criança

    Perguntas frequentes

    Meu filho pode nadar e tomar banho com o tubo?

    Na maioria dos casos, sim, sem proteção de rotina para o banho comum e para piscina de água limpa e tratada. As diretrizes atuais não recomendam mais tampões e touca para todas as crianças (AAO-HNS, 2022). A proteção fica reservada para situações específicas, como mergulho em profundidade ou água pouco tratada, e o seu otorrino orienta o que vale no seu caso.

    A cirurgia dói? E a anestesia geral é segura?

    Durante o procedimento não há dor, por causa da anestesia. É uma cirurgia curta, de poucos minutos por ouvido. Sobre a anestesia geral, um grande estudo randomizado mostrou que menos de uma hora de anestesia no início da vida não alterou o desenvolvimento neurológico das crianças aos 5 anos (GAS, McCann, 2019).

    O tubo cai sozinho? Precisa de outra cirurgia para tirar?

    Em geral o tubo fica cerca de 12 meses e o próprio organismo o expulsa de forma natural, sem nova cirurgia. O importante é manter as consultas de retorno para confirmar a saída e checar o tímpano.

    Uma vez colocado, resolve de vez?

    Costuma resolver as crises e a perda de audição do período. Mas parte dos casos precisa de um segundo tubo mais adiante, sobretudo quando o tubo cai cedo, na criança mais nova ou quando há alterações craniofaciais. Isso é esperado e não significa que algo deu errado.

    Toda otite precisa de tubo?

    Não. A maioria dos episódios de líquido no ouvido se resolve sozinha em semanas a meses. O tubo é considerado quando o líquido persiste e afeta a audição, ou quando as infecções se repetem com líquido presente ao exame.

    Existe alternativa antes de operar?

    Sim: observar e reavaliar quando o quadro é recente, tratar a rinite alérgica e avaliar a adenoide. Em casos selecionados, a retirada da adenoide junto com o tubo ajuda a reduzir recidivas. A escolha depende da avaliação individual.

    Referências

    1. American Academy of Otolaryngology–Head and Neck Surgery Foundation. Clinical Practice Guideline: Tympanostomy Tubes in Children (Update). Otolaryngology–Head and Neck Surgery. 2022;166(1_suppl):S1-S55.
    2. Rosenfeld RM, et al. Clinical Practice Guideline: Otitis Media with Effusion (Update). Otolaryngology–Head and Neck Surgery. 2016;154(1_suppl):S1-S41.
    3. Hoberman A, et al. Tympanostomy Tubes or Medical Management for Recurrent Acute Otitis Media. New England Journal of Medicine. 2021;384(19):1789-1799.
    4. MacKeith S, et al. Ventilation tubes (grommets) for otitis media with effusion (OME) in children. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2023;(11):CD015215.
    5. Kay DJ, Nelson M, Rosenfeld RM. Meta-analysis of tympanostomy tube sequelae. Otolaryngology–Head and Neck Surgery. 2001;124(4):374-380.
    6. Goel AN, Omorogbe A, Hackett A, Rothschild MA, Londino AV 3rd. Risk Factors for Multiple Tympanostomy Tube Placements in Children: Systematic Review and Meta-Analysis. The Laryngoscope. 2021;131(7):E2363-E2370.
    7. Qian ZJ, Truong MT, Alyono JC, Valdez T, Chang K. Tympanostomy Tube Insertion With and Without Adenoidectomy. JAMA Otolaryngology–Head & Neck Surgery. 2025;151(1):40-46.
    8. McCann ME, et al. Neurodevelopmental outcome at 5 years of age after general anaesthesia or awake-regional anaesthesia in infancy (GAS). The Lancet. 2019;393(10172):664-677.

    Dr. José Eduardo Marcondes, médico otorrinolaringologista, CRM-SP 107.711, RQE 43.840. Este conteúdo é informativo, não substitui a consulta médica e não dispensa a conduta definida pelo seu médico.

    Sobre o autor

    Dr. José Eduardo Marcondes

    Médico Otorrinolaringologista · CRM-SP 107.711 · RQE 43.840

    Formado e residente pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), com mais de duas décadas de experiência. Focado no tratamento do ronco e da apneia do sono, obstrução nasal, sinusite crônica, adenoides e amígdalas, em adultos e crianças. Membro da ABORL-CCF e do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, Vila Nova Star e São Luiz.

    Conheça a trajetória completa → · Agendar consulta no WhatsApp

  • O Sono Como Aliado: Construindo Noites Transformadoras para Dias Melhores

    O Sono Como Aliado: Construindo Noites Transformadoras para Dias Melhores

    Dormir bem é uma necessidade, não um luxo!

    Imagine acordar todas as manhãs sentindo-se verdadeiramente descansado, com energia para enfrentar os desafios do dia e disposição para aproveitar cada momento. Essa não é uma realidade distante ou um privilégio de poucos – é o resultado natural de um sono de qualidade, algo que todos podemos conquistar com os hábitos certos.

    O sono vai muito além do simples descanso. É durante essas horas preciosas que nosso corpo se renova completamente: o sistema imunológico se fortalece, a memória se consolida, os tecidos se reparam e os hormônios essenciais são produzidos. Quando dormimos bem, não apenas recuperamos energia, mas literalmente nos preparamos para sermos a melhor versão de nós mesmos no dia seguinte.

    A Conexão Entre Mesa e Cama: Como a Alimentação Influencia o Sono

    O que colocamos no prato tem um impacto direto na qualidade das nossas noites. Alguns alimentos são verdadeiros aliados do sono, enquanto outros podem transformar a hora de dormir em uma batalha frustrante.

    Os protagonistas de um jantar amigo do sono incluem alimentos ricos em triptofano, um aminoácido que o corpo converte em serotonina e, posteriormente, em melatonina – o famoso hormônio do sono. Peixes como salmão e atum, carnes brancas como frango e peru, ovos, leite e derivados, além de castanhas e sementes, são excelentes opções para incluir na rotina alimentar.

    Alimentos ricos em triptofano que favorecem o sono, como peixes, carnes brancas, ovos, leite e castanhas

    As frutas também merecem destaque especial. A banana, além de triptofano, oferece magnésio e potássio, minerais que ajudam no relaxamento muscular. Cerejas são fontes naturais de melatonina, enquanto o kiwi tem propriedades que facilitam tanto o adormecer quanto a permanência no sono profundo.

    Para o jantar, a regra de ouro é simplicidade e leveza. Refeições muito pesadas, ricas em gordura ou condimentadas podem causar desconforto digestivo e atrapalhar o sono. O ideal é fazer a última refeição pelo menos duas horas antes de deitar, permitindo que o processo digestivo não interfira no descanso.

    Alguns cuidados são fundamentais: evite cafeína após as 14h, pois ela pode permanecer ativa no organismo por até 8 horas. Chocolate, refrigerantes e até mesmo alguns chás contêm substâncias estimulantes. O álcool, embora inicialmente cause sonolência, fragmenta o sono durante a madrugada, resultando em um descanso de baixa qualidade.

    Movimento que Embala: O Papel dos Exercícios na Qualidade do Sono

    A atividade física regular é um dos investimentos mais valiosos que podemos fazer para melhorar nosso sono. Pessoas fisicamente ativas têm quase o dobro de probabilidade de manter um sono de alta qualidade em comparação àquelas sedentárias.

    Os exercícios aeróbicos, como caminhada, corrida, natação ou ciclismo, são especialmente benéficos. Eles aumentam a circulação sanguínea, promovem o relaxamento e ajudam a regular os ritmos circadianos do corpo. Apenas 30 minutos de atividade moderada já podem fazer diferença significativa na facilidade para adormecer e na profundidade do sono.

    O timing dos exercícios também importa. Atividades realizadas pela manhã ou tarde ajudam a sincronizar o relógio biológico, enquanto exercícios intensos muito próximos da hora de dormir podem ter efeito estimulante. O ideal é finalizar treinos vigorosos pelo menos 3 horas antes de deitar.

    Para quem tem pouco tempo, atividades mais leves como yoga, pilates ou alongamentos antes de dormir podem ser excelentes opções. Elas promovem relaxamento muscular e mental, criando uma transição natural entre o estado de vigília e o sono.

    Criando o Santuário do Descanso: O Ambiente Ideal

    Seu quarto deve ser um convite ao relaxamento. Pequenos ajustes no ambiente podem transformar completamente a qualidade do seu sono, sem grandes investimentos.

    A temperatura é um fator crucial e muitas vezes negligenciado. O ambiente ideal para dormir deve estar entre 18°C e 22°C. Nosso corpo naturalmente diminui a temperatura durante o sono, e um quarto muito quente ou frio pode interromper esse processo natural. Use roupas de cama apropriadas para a estação e mantenha boa ventilação.

    A escuridão é fundamental para a produção adequada de melatonina. Cortinas blackout ou máscaras de dormir podem ser grandes aliadas, especialmente se você mora em áreas com muita iluminação externa. Evite luzes azuis de dispositivos eletrônicos pelo menos uma hora antes de dormir, pois elas “enganam” o cérebro, fazendo-o acreditar que ainda é dia.

    O silêncio também contribui para um sono reparador. Se não é possível controlar ruídos externos, considere usar protetores auriculares ou sons relaxantes que mascarem os barulhos incômodos.

    A organização do espaço influencia diretamente nossa capacidade de relaxar. Um quarto limpo e organizado transmite sensação de tranquilidade, enquanto ambientes bagunçados podem gerar ansiedade inconsciente.

    Rotinas que Transformam: Construindo Hábitos Poderosos

    A consistência é a chave para um sono de qualidade. Nosso corpo funciona melhor com rotinas previsíveis, e isso inclui os horários de dormir e acordar.

    Estabeleça um horário fixo para deitar e levantar, mesmo nos fins de semana. Essa regularidade ajuda a ajustar o relógio biológico interno, fazendo com que você sinta sono naturalmente no horário adequado e acorde mais disposto.

    Crie um ritual de relaxamento antes de dormir. Isso pode incluir um banho morno, leitura de um livro, meditação ou técnicas simples de respiração. O importante é que sejam atividades calmas e prazerosas, que sinalizem ao corpo que é hora de se preparar para o descanso.

    Se não conseguir adormecer em 20 minutos, saia da cama e faça uma atividade relaxante em outro ambiente, retornando apenas quando sentir sono. Isso evita que o cérebro associe a cama com insônia e ansiedade.

    Pequenas Mudanças, Grandes Transformações

    Melhorar a qualidade do sono não exige mudanças radicais na rotina. Pequenos ajustes consistentes podem gerar resultados surpreendentes. Comece escolhendo uma ou duas sugestões que façam mais sentido para sua realidade atual e implemente gradualmente.

    Lembre-se de que cada pessoa é única, e pode levar algumas semanas para que seu corpo se adapte às novas rotinas. Seja paciente consigo mesmo nesse processo de transformação.

    Quando priorizamos o sono, estamos investindo em nossa saúde física, mental e emocional. Estamos escolhendo ter mais energia, melhor humor, maior capacidade de concentração e um sistema imunológico mais forte. Em um mundo que frequentemente glorifica a privação de sono como sinal de produtividade, cuidar do seu descanso é um ato de autocuidado e sabedoria.

    Noites bem dormidas são a base para dias extraordinários. Que tal começar hoje mesmo a construir esse alicerce sólido para uma vida mais plena e saudável?

    Quarto aconchegante com luz baixa de abajur, preparado para uma boa noite de sono

    Dr. José Eduardo Marcondes, médico otorrinolaringologista, CRM-SP 107.711, RQE 43.840. Este conteúdo é informativo, não substitui a consulta médica e não dispensa a conduta definida pelo seu médico.

    Sobre o autor

    Dr. José Eduardo Marcondes

    Médico Otorrinolaringologista · CRM-SP 107.711 · RQE 43.840

    Formado e residente pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), com mais de duas décadas de experiência. Focado no tratamento do ronco e da apneia do sono, obstrução nasal, sinusite crônica, adenoides e amígdalas, em adultos e crianças. Membro da ABORL-CCF e do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, Vila Nova Star e São Luiz.

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  • O que são os cornetos nasais?

    O que são os cornetos nasais?

    O corneto nasal é uma estrutura óssea revestida por mucosa localizada na parede lateral do nariz, responsável por aquecer, umidificar, filtrar e direcionar o ar que respiramos. Essas funções são essenciais para uma respiração eficiente e confortável no dia a dia.

    Também chamado de concha nasal ou turbina, o corneto faz parte da cavidade nasal e é composto por osso recoberto por mucosa respiratória.

    Normalmente existem três cornetos de cada lado (inferior, médio e superior) e, em algumas pessoas, pode haver um quarto, chamado supremo.

    Como eles ajudam na respiração?

    O formato aerodinâmico dos cornetos nasais direciona o fluxo de ar dentro do nariz, favorecendo uma passagem de ar estável e silenciosa. Parte desse fluxo é conduzida para os seios da face e para a região olfatória, permitindo a percepção dos cheiros.

    Os “andares” do nariz

    Os cornetos dividem a cavidade nasal em meatos, conhecidos como “andares” do nariz: inferior, médio e superior. No meato inferior, o corneto inferior, mais volumoso e com rica rede vascular, modula o ciclo nasal e participa do aquecimento e da umidificação do ar, além de abrigar o ducto nasolacrimal, por onde drenam as lágrimas. Ou seja, as nossas lágrimas drenam para o nariz, por isso quando choramos o nariz fica congestionado.

    O meato médio abriga as aberturas dos seios da face e tende a acumular secreção nas infecções, sinusites e processos alérgicos.

    No meato superior está presente o nervo olfatório, responsável pelo nosso olfato. Uma pequena parte do ar que respiramos chega nessa região.

    Quando os cornetos nasais aumentam?

    Diversas condições podem levar ao aumento (hipertrofia) dos cornetos e causar obstrução nasal, como:

    • Rinites – promove uma inflamação cronica na mucosa
    • sinusites de repetição – os processos infecciosos também levam a uma inflamação persistente da mucosa
    • irritantes ambientais – poluentes como enxofre, ozônio, partículas de fumaça, entre outros
    • alterações anatômicas – como desvio de septo, poliposes, aumento da adenoide
    • vasculares – a rinite vasomotora tambem promove uma aumento dos cornetos

    Em adultos, o aumento dos cornetos frequentemente se associa ao outras situações, especielmente desvio de septo, sendo essa associação uma das principais causas de nariz entupido crônico.

    Ilustração da anatomia da cavidade nasal mostrando os cornetos nasais

    Consequências do aumento dos cornetos

    Como vimos , cada andar do nariz é responsável por uma função, e o aumento dos cornetos nasais vai atrapalhar cada uma delas. O sintoma mais comum desse aumento é a obstrução nasal, que acontece quando o “andar inferior”esta obstruído. Quando o “segundo andar”conhecido como meato médio é afetado o principal sintoma está relacionado as doenças dos seios da face, mais especificamente a sinusite crônica. Já o “terceiro andar”, o meato superior vai levar a diminuição do olfato.

    Além da obstrução, a hipertrofia dos cornetos pode contribuir para ronco, apneia do sono e queda da qualidade de vida respiratória. Sensação de nariz sempre congestionado, necessidade de respirar pela boca e piora noturna são queixas comuns que justificam avaliação especializada.

    Tratamento clínico

    A primeira linha de cuidado busca reduzir inflamação e volume dos cornetos com sprays nasais de corticoide e antialérgicos, conforme a indicação do otorrinolaringologista. A lavagem nasal com solução salina complementa o controle de sintomas, e descongestionantes devem ser usados com cautela e por tempo limitado para evitar efeito rebote.

    Tratamento cirúrgico

    Quando os sintomas persistem ou há obstrução importante, indicam-se procedimentos como turbinoplastia (redução preservando a mucosa) ou turbinectomia (remoção parcial/total), definidos caso a caso. Frequentemente a cirurgia dos cornetos é associada à septoplastia quando há desvio de septo, visando ampliar a via aérea e manter a função mucosa.

    Quando consultar

    Obstrução nasal persistente, piora do sono, ronco ou baixa resposta a tratamentos caseiros são sinais para procurar um otorrinolaringologista e discutir opções personalizadas, das medidas clínicas à cirurgia funcional.

    Em São Paulo ou Barueri, marque uma avaliação especializada para ajudar a definir a melhor estratégia para respirar melhor com segurança e conforto.

    Agende sua avaliação

    Para orientação individualizada e decisões terapêuticas embasadas, agende uma consulta com o Dr. José Eduardo Marcondes em São Paulo ou Barueri e conheça as abordagens que podem restaurar o fluxo nasal com preservação da função. Respiração eficiente e qualidade de vida caminham juntas quando conhecimento técnico e empatia trabalham em harmonia.


    Dr. José Eduardo Marcondes, médico otorrinolaringologista, CRM-SP 107.711, RQE 43.840. Este conteúdo é informativo, não substitui a consulta médica e não dispensa a conduta definida pelo seu médico.

    Sobre o autor

    Dr. José Eduardo Marcondes

    Médico Otorrinolaringologista · CRM-SP 107.711 · RQE 43.840

    Formado e residente pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), com mais de duas décadas de experiência. Focado no tratamento do ronco e da apneia do sono, obstrução nasal, sinusite crônica, adenoides e amígdalas, em adultos e crianças. Membro da ABORL-CCF e do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, Vila Nova Star e São Luiz.

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  • Cirurgia Robótica Transoral (TORS): A Evolução no tratamento da apneia

    Cirurgia Robótica Transoral (TORS): A Evolução no tratamento da apneia

    A cirurgia robótica transoral (TORS) representa um dos maiores avanços tecnológicos no tratamento cirúrgico da síndrome da apneia e hipopneia obstrutiva do sono (SAHOS). Esta técnica tecnologia tem revolucionado a abordagem terapêutica de pacientes que apresentam obstrução em áreas anatômicas específicas, particularmente na parede lateral da faringe e na base da língua, oferecendo uma alternativa eficaz e segura aos tratamentos convencionais.

    Fundamentos da Cirurgia Robótica Transoral

    A TORS utiliza o sistema cirúrgico da Vinci, aprovado pelo FDA americano em dezembro de 2009, desenvolvido inicialmente na Universidade da Pensilvânia. Este sistema revolucionário emprega uma plataforma computadorizada de alta precisão que permite ao cirurgião operar através da boca do paciente, sem necessidade de incisões externas.

    Apresenta os 3 componentes do robo cirurgico DaVinci: Console, Carrinho da Visao e Carrinho do Paciente

    Componentes do robô cirúrgico DaVinci
    O equipamento é composto por três componentes principais: o console do cirurgião, o carrinho do paciente com braços robóticos, e o carrinho de visão. O cirurgião controla os instrumentos robóticos através de um console semelhante a um videogame, utilizando controladores que reproduzem com precisão os movimentos das mãos, mas com maior destreza e eliminação de tremores

    Um aspecto importante é que o robô cirúrgico não é uma técnica cirúrgica nova. Ele é um instrumento que pode ser utilizado para extrair os melhores resultados das diversas técnicas cirúrgicas existentes. Por exemplo, a faringoplastia expansora é uma técnica muito utilizada para o tratamento da apneia do sono e pode ser realizada sem o uso do robô, mas, com a incorporação da tecnologia robótica é possível alcançar resultados mais satisfatórios com menor índice de complicações, utilizando a mesma técnica.

    Componentes do robô cirúrgico DaVinci

    Componentes do robô cirúrgico DaVinci

    Anatomia e Fisiopatologia da Obstrução

    A síndrome da apneia e hipopneia obstrutiva do sono (SAHOS) resulta do colapso das vias aéreas superiores durante o sono, causado pelo relaxamento da musculatura faríngea. As principais áreas de obstrução incluem:

    Parede Lateral da Faringe

    O colapso das paredes laterais da faringe representa uma das principais causas de obstrução em pacientes com SAHOS. Durante o sono, a perda do tônus muscular permite que essas estruturas se aproximem, reduzindo significativamente o calibre da via aérea.

    Base da Língua

    A base da língua constitui um dos locais mais desafiadores para intervenção cirúrgica tradicional. A hipertrofia do tecido linfático (tonsilas linguais) ou o aumento do volume da musculatura intrínseca da língua podem causar obstrução significativa durante o sono.

    Vantagens da Abordagem Robótica

    Benefícios Técnicos

    • Visualização 3D magnificada: Permite identificação precisa das estruturas anatômicas e maior segurança durante a dissecção
    • Instrumentos articulados: Movimentos em 360 graus com precisão superior à mão humana
    • Filtração de tremores: Elimina movimentos involuntários, aumentando a precisão cirúrgica
    • Alcance a estruturas de difícil acesso: cirurgias em locais como a base da língua e tonsilas linguais são tecnicamente muito difíceis de se realizar sem o auxilio do robô
    Sistema de cirurgia robótica utilizado na cirurgia robótica transoral (TORS)

    Benefícios Clínicos

    • Menor sangramento intraoperatório: Precisão dos instrumentos robóticos reduz trauma tecidual
    • Recuperação mais rápida: Precisão e menor trauma levam a uma recuperarão mais rápida
    • Preservação funcional: Menor risco de complicação e alteração das funções como deglutição e fala

    Para quem essa cirurgia é indicada?

    A cirurgia robótica para apneia é uma excelente alternativa para aquelas pessoas que não se adaptaram ao CPAP ou a qualquer outro tratamento clínico para a apneia do sono.

    Para indicação cirúrgica é fundamental a realização de uma polissonografia, aonde será avaliado o índice de apneia e hiponeia, a presença de dessaturação de oxigênio, alterações da frequência cardíaca, entre outros parâmetros.

    Exames de imagem , como tomografia computadorizada, são utilizados para avaliar as estruturas anatômicas da região

    Além disso uma avaliação física minuciosa , associado ao exame de nasofibroscopia vão trazer informações importantes sobre a viabilidade da cirurgia.

    Em alguns casos o exame de sonoendoscopia pode ser necessario para trazer informações adicionais.

    Após tudo isso, cada caso será analisado individualmente e a melhor conduta para caso podenser definida. Veja também como funciona a cirurgia do ronco e da apneia.

    Perspectivas Futuras

    A cirurgia robótica continua evoluindo, com perspectivas promissoras. A diminuição do tamanho do braço do robô e incorporação de tecnologias como o laser de CO2 sao passos que visam ampliar as possibilidades de uso.

    As novas fronteiras são a utilização do robô como plataforma de realidade aumentada, além da utilização de IA, para tornar as cirurgias mais precisas , seguras e eficientes.

    Sentado no console do robô prestes a iniciar uma cirurgia de faringoplastia para tratamento da apneia do sono

    Sentado no console do robô prestes a iniciar uma cirurgia de faringoplastia para tratamento da apneia do sono


    Dr. José Eduardo Marcondes, médico otorrinolaringologista, CRM-SP 107.711, RQE 43.840. Este conteúdo é informativo, não substitui a consulta médica e não dispensa a conduta definida pelo seu médico.

    Sobre o autor

    Dr. José Eduardo Marcondes

    Médico Otorrinolaringologista · CRM-SP 107.711 · RQE 43.840

    Formado e residente pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), com mais de duas décadas de experiência. Focado no tratamento do ronco e da apneia do sono, obstrução nasal, sinusite crônica, adenoides e amígdalas, em adultos e crianças. Membro da ABORL-CCF e do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, Vila Nova Star e São Luiz.

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  • Sinusite Crônica: Causas, Tratamento e Prevenção

    Sinusite Crônica: Causas, Tratamento e Prevenção

    O que são os seios da face

    Os seios da face são cavidades aéreas nos ossos ao redor do nariz (maxilares, frontais, etmoidais e esfenoidais), revestidas por mucosa que produz muco para filtrar, umidificar o ar e proteger as vias aéreas. Além da função protetora, atuam como câmaras de ressonância da voz e ajudam a reduzir o peso dos ossos da face; quando a drenagem mucosa se obstrui, instala-se o ciclo de inflamação e infecção típico da rinossinusite.

    Sinusite Aguda x Sinusite crônica: a diferença essencial

    Rinossinusite aguda geralmente acompanha resfriados, dura até 4 semanas e, na maioria das vezes, resolve com medidas de suporte; quando há piora após 5 dias ou persistência além de 10 dias, considera-se forma não viral.

    A forma crônica, preferencialmente chamada de rinossinusite crônica, persiste por mais de 12 semanas, com sintomas como obstrução nasal e secreção, podendo incluir pressão facial e redução do olfato, com confirmação por endoscopia e, quando indicado, tomografia.

    Principais causas e fatores associados

    • Inflamação sustentada da mucosa por alergias, infecções virais, bacterianas ou fúngicas pode iniciar e perpetuar o quadro crônico.
    • Alterações anatômicas, como desvio de septo e estreitamentos do meato médio, comprometem ventilação e drenagem, favorecendo recorrência.
    • Pólipos nasais e condições imunológicas contribuem para obstrução mecânica e inflamação tipo 2, aumentando a resistência ao tratamento isoladamente clínico.

    Sintomas que merecem atenção

    Obstrução/congestão nasal e descarga anterior ou gotejamento pós-nasal são eixos do diagnóstico; redução do olfato e pressão/dor facial são frequentes.

    Tosse noturna pode predominar, especialmente pela secreção que escorre para a via aérea, e a fadiga é comum em quadros prolongados.

    Diagnóstico preciso e personalizado

    A avaliação começa por história clínica detalhada e rinoscopia/endoscopia nasal, que documenta inflamação, secreção purulenta, edema ou pólipos. Tomografia computadorizada é indicada quando o tratamento clínico inicial falha, para mapear doença e orientar abordagem cirúrgica quando necessária.

    Tratamento clínico estruturado

    • Corticoide intranasal diário e irrigação salina hipertônica ou isotônica compõem a base para reduzir edema e biofilme e melhorar a depuração mucociliar.
    • Em exacerbações bacterianas, antibióticos orais podem ser considerados; em casos selecionados, curto curso de corticoide sistêmico auxilia no controle da inflamação.
    • Anti-histamínicos e controle de comorbidades alérgicas e asmáticas otimizam resultado e reduzem recidivas; uso de descongestionantes tópicos deve ser criterioso para evitar efeito rebote.

    Quando a cirurgia é indicada

    A cirurgia endoscópica funcional dos seios da face é indicada quando há refratariedade ao tratamento clínico otimizado, presença de pólipos extensos ou obstruções anatômicas significativas.

    Evidências mostram melhora robusta de sintomas, qualidade de vida e achados objetivos após a cirurgia; ainda assim, manutenção com terapias tópicas segue essencial para controle de longo prazo.

    Papel dos imunobiológicos nos pólipos

    Em rinossinusite crônica com pólipos e inflamação tipo 2, imunobiológicos como anti-IgE e anti-IL-4/13 podem reduzir volume polipoide, secreção e necessidade de reoperações em perfis adequados.

    Estratégias combinando cirurgia endoscópica e biológicos têm mostrado benefício complementar, com melhora sustentada em sintomas e na endoscopia.

    Cuidados diários e prevenção

    Irrigação nasal com solução salina e uso correto de corticoides tópicos reduzem crises e mantêm a mucosa saudável ao longo do tempo.

    Controle de alérgenos, hidratação, vacinação contra influenza e umidificação ambiental em períodos secos minimizam exacerbações sazonais.

    Quando marcar consulta especializada

    Persistência de sintomas por mais de 12 semanas, perda de olfato, múltiplas crises anuais ou piora após terapias usuais justificam avaliação com otorrinolaringologista para endoscopia e plano personalizado.

    Em São Paulo, uma abordagem integrada (diagnóstico rigoroso, tratamento clínico otimizado e, quando necessário, cirurgia endoscópica) oferece alívio consistente e recupera a qualidade de vida de forma segura e previsível.

    Dr. José Eduardo Marcondes, médico otorrinolaringologista, CRM-SP 107.711, RQE 43.840. Este conteúdo é informativo, não substitui a consulta médica e não dispensa a conduta definida pelo seu médico.

    Sobre o autor

    Dr. José Eduardo Marcondes

    Médico Otorrinolaringologista · CRM-SP 107.711 · RQE 43.840

    Formado e residente pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), com mais de duas décadas de experiência. Focado no tratamento do ronco e da apneia do sono, obstrução nasal, sinusite crônica, adenoides e amígdalas, em adultos e crianças. Membro da ABORL-CCF e do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, Vila Nova Star e São Luiz.

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